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Gimnospermas

No Brasil, a espécie de gimnosperma mais conhecida é o pinheiro do Pará

Na evolução das plantas, as gimnospermas foram as primeiras a apresentarem adaptações que permitiram sua independência da água para a reprodução sexuada. Nesse grupo surgiram os grãos de pólen, estruturas que contêm o gametófito masculino imaturo protegido por um envoltório resistente.

De modo geral, as plantas são agrupadas em dois grandes grupos: criptógamas e fanerógamas. As gimnospermas pertencem ao grupo das fanerógamas, pois são plantas de maior porte, apresentando raiz, caule, folhas, flores e sementes. Na escala evolutiva do reino, são os primeiros vegetais a apresentar flores e sementes denominados de fanerógamas.As flores das gimnospermas são as pinhas ou cones, que se reúnem em inflorescência denominadas estróbilos.

A madeira das árvores é de grande importância nas indústrias de papel, móveis, construções de casa, etc. Algumas espécies servem de ornamento, como por exemplo, os ciprestes, as tuias e própria flor (pinha). O pinhão serve de alimento, pois possui uma grande reserva de substâncias nutritivas, o endosperma.

O que são plantas gimnospermas?

As gimnospermas são plantas com sementes, porém, suas sementes são chamadas “nuas”, pois não estão abrigadas no interior de frutos, daí a denominação: gymnós = nu; sperma = semente. Exemplo: pinheiro-do-pará.

Pinheiro do Pará

O Pinheiro do Pará é um exemplo de planta gimnosperma (Foto: depositphotos)

Características

As gimnospermas possuem caule, raízes e folhas, além dos estróbilos, que são ramos reprodutivos com folhas modificadas. Essa estrutura pode ser melhor vista em pinheiros, pois são bem desenvolvidas, sendo chamadas de cones. São plantas que não possuem frutos, dessa forma, suas sementes ficam “nuas”, ou seja, desprotegidas. São plantas vasculares e, por isso, são de grande porte.

Veja também: Angiospermas

Classificação das gminospermas

O grupo das gimnospermas pode ser dividido em quatro filos, que são as Coniferophytas, mais conhecidas como coníferas, as Cycadophytas, que são as cicas, as Gnetophytas, popularmente conhecidas como gnetófitas, e as Ginkgophytas, que são as gincófitas.

  • Coniferophytas: abrange os pinheiros e as sequoias. É o filo de gimnosperma com maior número de espécies. No Brasil, a espécie mais conhecida é o pinheiro-do-pará ou araucária (Araucaria angustifolia), planta dominante na Mata de Araucária, que ocorria desde o Paraná até o Rio Grande do Sul. A araucária mede cerca de 35 m de altura. Atualmente, essa mata está muito reduzida em função, principalmente, da exploração da madeira dessa árvore. Outra espécie conhecida é o pinheiro do gênero Pinus, introduzido com sucesso no Brasil. Inicialmente era utilizado para ornamentação, mas atualmente é cultivada pelas indústrias de móveis, celulose e papel
  • Cycadophytas: são as cicas, segundo maior grupo atual de gimnospermas. Têm estruturas reprodutivas muito evidentes, entre as folhas no ápice da planta. As cicas medem cerca de 2 m de altura
  • Gnetophytas: inclui a Ephedra, que pode ser encontrada em regiões áridas de todo o mundo. Produz efedrina, um alcaloide utilizado na medicina como descongestionante, para o tratamento de asma e outras doenças
  • Ginkgophytas: esse filo é representado por uma só espécie vivente, a Ginkgo biloba. Ela pode chegar a medir 30 m de altura e cada folha em forma de leque mede cerca de 4 cm de largura

Estrutura

São plantas vasculares, dotadas de raiz, caule, folhas, flores e sementes.

Como se dá a reprodução das gimnospermas?

As gimnospermas possuem os estróbilos masculinos (microsporângios) e os estróbilos femininos, que podem ou não estar presentes na mesma planta. As sementes são produzidas originando-se nos estróbilos femininos.

Os estróbilos masculinos produzem os micrósporos por meio da meiose, passam por divisão mitótica e acabam por originar o pólen, que é o gametófito masculino protegido por um envoltório. Assim, protegidos, esses gametófitos podem ser transportados pelo vento e ao entrar em contato com o gametófito feminino, germinam.

Os estróbilos femininos passam pelo mesmo processo, mas produzem os megasporângios, que são resultantes nos megásporos que formam o gametófito feminino, que é o óvulo que contém a oosfera.

A fecundação se dá por meio da polinização, ocasionada em essência devido ao vento que transporta o grão de pólen até o óvulo. Esse possui um tubo polínico que conduz os gametas masculinos até a fecundação da oosfera. O zigoto é formado após esse processo e divide-se por meio da mitose. Assim é gerado o embrião que, ao se desenvolver, gera um novo esporófito com uma radícula, um caulículo e gêmulas.

Outra condição que trouxe vantagens à expansão das gimnospermas no ambiente terrestre foi o surgimento do óvulo. Após o óvulo ser fecundado, dará origem à semente. Nas gimnospermas, a semente é nua e contém o embrião, que ao ser liberado da planta, participa do processo de dispersão da espécie. Na germinação da semente, o embrião inicia o processo de formação de uma nova planta.

Veja também: Reprodução das plantas

Exemplificando a reprodução

Se ficou complicado, podemos facilitar. Vamos explicar o processo usando o pinheiro-do-paraná, planta em que os sexos são separados, ou seja, o pinheiro que possui estróbilos masculinos não possui os femininos, e vice-versa.

Os grãos de pólen são esporos produzidos pelo estróbilo masculino, e o estróbilo feminino produz o óvulo onde, quando maduro, surge um grande esporo.

Os estróbilos masculinos, quando se abrem, liberam grãos de pólen em grande quantidade e, por meio do vento, se espalham no ambiente podendo chegar até o estróbilo feminino. Quando isso acontece, o grão de pólen forma um tipo de um tubo – tubo polínico – onde é gerado o núcleo espermático – gameta masculino. Esse tubo cresce de forma a alcançar o óvulo onde introduz o núcleo espermático.

Quando dentro do óvulo, o núcleo espermático fecunda a oosfera, que é abrigada pelo grande esporo desenvolvido – gameta feminino. Ao ocorrer a fecundação, é formado o zigoto que se desenvolve e origina um embrião que, à medida que se transforma, faz com que o óvulo transforme-se em uma semente para protegê-lo. Todo o processo pode ser simplificado na imagem abaixo.                                                                                                                                                                 

Para entender melhor, nesse processo, as sementes são conhecidas como pinhões, e o cone feminino, ao serem formadas as sementes, é chamado de pinha. Quando caem ao chão, as pinhas desmontam-se podendo germinar.

Habitat

Pertencentes ao reino Plantae, as gimnospermas compõe uma subdivisão desse reino e preferem climas frios ou temperados para viver, são plantas bem adaptadas ao ambiente terrestre.

Referências

» RAVEN, Peter H.; EVERT, Ray Franklin; EICHHORN, Susan E. Biología de las plantas. Reverté, 1992.

Sobre o autor

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Natália Duque é Graduada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro.