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Egito Antigo: história e curiosidades

Quando pensamos em Egito antigo logo nos aparece imagens de pirâmides, múmias, faraós e as divindades em formas de animais. Mas como foi formado? Como era a religião no Egito? Quais eram os principais deuses no Egito?

O Egito está localizado no continente africano, numa região entre rios que é conhecida não só como berço da civilização, mas também como berço da vida: o Crescente Fértil.

Essa localidade se estende do Oriente Médio, onde está situado o Rio Tigre e o Eufrates, até o nordeste africano, onde está localizado o Rio Nilo, e fundamental na formação dos povos egípcios.

Esfinge e pirâmide de Giza, no Cairo

Esfinge e pirâmide de Gizé, no Cairo (Foto: depositphotos)

Em milhares de anos de formação, o Egito se tornou uma sociedade rica não só em cultura, mas em engenharia, tendo desenvolvido ferramentas que utilizamos até hoje.

Quando surgiu o Egito antigo

A localização do Egito antigo é o ponto de partida para entendermos a formação dessa sociedade e como ela se construiu tão forte. Há cerca de 10 mil anos, os primeiros grupos humanos chegaram à região onde se formou o Egito, no vale do Rio Nilo, e se estabeleceram por lá.

O Rio Nilo foi muito importante para o desenvolvimento da civilização egípcia, tanto que esses povos o consideravam uma “dádiva dos deuses”.

Pois quando os primeiros grupos humanos começaram a se sedentarizar, isto é, a morar sempre em uma mesma região, eles procuraram as regiões próximas aos rios, como uma forma de conseguir cuidar do plantio o ano todo utilizando a água.

A dádiva do Rio Nilo é exatamente essa, a possibilidade dada aos humanos de se manterem em uma terra com alimentos sempre.

Rio Nilo

Margens do Rio Nilo

Túmulo de nobres nas margens do Rio Nilo (Foto: depositphotos)

O sistema natural do Rio Nilo foi imprescindível ao desenvolvimento do Egito. Regularmente ele tem alagamentos nas suas margens, onde o material orgânico depositado no leito do rio invade os solos laterais, fertilizando esses locais.

Esse sistema é conhecido como cheias. E acontece porque os gelos das montanhas no interior da África derretem no verão e aumentam o volume dos rios.

Foi graças a esse manancial e sua sistemática, que os egípcios elaboraram diques e canais com a finalidade de desviar a água durante as cheias para o cultivo de alimentos em regiões secas e mais afastadas. Técnica de irrigação utilizada ainda nos dias atuais.

Sociedade

No início da civilização egípcia, as sociedades que cresciam às margens do Rio Nilo eram chamadas de Nomos. Não era um grupo unificado, mas a necessidade de trabalharem as cheias dos rios vão fazer com que se juntem para a melhor sobrevivência. Por se desenvolverem na geografia dos rios, eram chamadas de sociedades hidráulicas ou potamográficas.

Por volta de 5 mil a.C., a unificação desses grupos, originou dois grandes reinos:

Reino do baixo Nilo: situado na região do Delta, onde o Rio Nilo deságua no mar Mediterrâneo. Estando bem ao nível do mar, com 0 de altitude.

Reino do alto Nilo: no decorrer do corpo no rio, no interior da África, acima do nível do mar.

Uma estrutura social mais complexa e dividida surge. Por volta de três mil a.C., o reino do baixo Nilo vai conquistar o reino do Alto Nilo, tornando Menés o primeiro faraó do Egito.

Período das Dinastias

Dinastia é quando um poder é repassado hereditariamente para os descendentes dos faraós. Com a posse de Menés começa-se o Egito Clássico e a sucessão do reino será passada para os filhos, netos e bisnetos de Menés.

A formação anterior de aldeias não-unificadas é conhecida como Período Pré-Dinástico.

O Período das Dinastias pode ser dividido em três momentos: o Antigo Império, o Médio Império e o Novo Império.

Antigo Império (3.200 a. C. – 2.100 a. C.)

O Antigo Império se refere ao que Menés unificou e transformou a cidade de Mênfis em capital. O Antigo Império vai até 2.400 a.C. O grande marco desse reinado é a construção das grandes pirâmides de Quéops, Quéfren e Miquerinos.

O sistema que imperava era o de servidão coletiva, onde a coletividade serve a um núcleo palaciano, dirigente, que em nome do divino coordena toda a massa popular.

É sob esse modo de comando que as pirâmides serão construídas, que são nada mais do que túmulos, mas túmulos de um deus-rei. Essa é a grande materialização da ideia de poder. Por isso são tão imponentes.

Quéops, Quéfren e Miquerinos são três gerações de faraós seguidos. Enquanto a produção desses monumentos acontece, uma grande parcela da população se volta apenas para isso, gerando um cansaço enorme e a perda do foco na agricultura.

O grande corte que separa o Antigo Império do Médio Império é o retorno da população para as construções que melhorem a produção de alimentos. Os poderes locais passam a prevalecer e o poder central deixa de ser tão forte.

Médio Império (2.100 a.C. – 1.580 a.C.)

Por volta de 2.100 a.C. o poder é reunificado. Agora Tebas é a grande capital do Egito. A nobreza de Tebas retoma o poder faraônico unificado. E é aqui que vão construir um modo de vida burocrático e administrativo como forma de governo.

Nesse momento a figura do escriba se destaca, ele é o que consegue ler e desenvolver a escrita dos hieróglifos. Eles estavam presentes nas cobranças de impostos, no registro das regiões, no repasse de informação governamental.

No Médio Império aconteceu a invasão dos Hicsos, vindos da Ásia menor. Eles invadiram o Egito por volta de 1.500 a.C. e vão permanecer, por quase 200 anos, até a sua expulsão. Como herança cultural deixaram o uso de cavalos e do metal.

Foi a primeira vez que o território egípcio foi invadido por um povo estrangeiro, as conquistas de poder eram sempre por povos de dentro da região.

Após esse momento, o povo hebreu chega ao Egito e vai viver quase 500 anos na região.

A permanência dos Hicsos no poder não foi pacífica, o tempo todo o povo do Egito tentava retomar a sua soberania, se aperfeiçoando nas táticas de guerra a cada investida. A expulsão dos Hicsos e a retomada de poder central pelos egípcios marca o fim do Médio Império em 1580 a.C.

Novo Império (1.580 a.C. – 715 a.C.)

Agora o povo egípcio é um povo guerreiro e também conquistador. Vão conquistar povos para além do seu território, no corredor palestino e ao sul da África, na região da Núbia.

A implementação da mão de obra escrava só será uma realidade com a tomada de novos povos. Até então o que imperava era a servidão coletiva e não a por obrigação.

Nesse novo império uma reforma religiosa será feita pelo faraó Amenófis IV, depois conhecido como Aquenáton (aquele que agrada a Aton). Ele propõe que sejam abolidos os cultos a todos os deuses, permanecendo apenas um, o deus sol, Aton, mudando inclusive o seu próprio nome em homenagem ao deus.

Isso foi o princípio de um golpe político, porque o faraó se sentia ameaçado pelos sacerdotes de Amon-Rá, o grande deus de Tebas. Colocando apenas um deus a ser adorado, ele seria visto como a única voz do Egito. No entanto, o golpe não se sustentou.

A cultura do culto às divindades permaneceu. A partir daí temos o declínio do império egípcio e a tomada de poder por outros povos, como os persas.

A Escrita Hieroglífica

Escrita hieroglífica em parede

A escrita hieroglífica era composta por mais de 7 mil símbolos (Foto: depositphotos)

Uma das formas mais complexas de comunicação criada pela humanidade é a escrita hieroglífica, desenvolvida por volta de cinco mil anos atrás.

Os hieróglifos eram compostos por cerca de sete mil símbolos que representavam objetos e aproximadamente 20 símbolos representando sons.

No entanto, no Egito Antigo, nem todas as pessoas eram alfabetizadas, poucas obtinham esse direito e passavam a vida desenvolvendo e estudando as suas formas. Essas pessoas eram os sacerdotes, os governantes e escribas.

Os escribas eram muito respeitados, pois eram quem, de fato, sabiam ler. Sendo responsáveis por desenvolver, renovar e manter o conhecimento da prática.

Diferentemente dos povos da Mesopotâmia que desenvolveram a escrita em tábuas de argila, no Egito essa escrita era feita em papiro, um suporte feito de fibras de uma planta de mesmo nome, e o grande princípio do papel como conhecemos hoje.

A religião no Egito Antigo

A religião é o sustentáculo de tudo no Egito Antigo. Todo o seu modelo político e cultural é baseado nisso. Uma característica importante desses povos é que não existia a separação entre divino e terreno, tudo é divino, vontade dos deuses, tudo é reflexo dos deuses.

Teocracia

O modelo político era a teocracia (teo vem de teos, divino em grego) e remete a um modelo de governo em que a vontade de deus é a lei. O governante não é um representante, mas o próprio deus. Não podendo ser questionado.

Essa formação da primeira civilização do Egito se chama Império Teocrático de Regadio.

Politeísmo

Representação dos deuses do Antigo Egito

Deuses do Egito Antigo: Anubis, Seth, Horus e Hathor (Foto: depositphotos)

A religião egípcia era politeísta, ou seja, para eles existiam vários deuses e deusas que deveriam ser cultuados.

Um dos motivos para a manutenção de cultos específicos e para acreditarem em várias divindades era a forma em que viviam. Por ser uma civilização agrícola que dependia das plantações nas margens férteis do Rio Nilo, seus deuses eram representações de elementos da natureza e de animais.

Por isso que é comum associarmos o Egito Antigo com figuras divinas de homens com cabeça de animais, diferente do que estamos habituados no Ocidente.

Cultos

Uma outra forma de entender o culto a essas divindades é que não havia separação moral entre homem e deus. Assim como nós, os deuses egípcios tinham comportamentos carnais, desejos e fome. Então para agradá-los, faziam-se oferendas que continham alimentos, bebidas e presentes que fossem de sua preferência.

Vida após a morte

Sarcófago do Egito Antigo

Os túmulos dos faraós e seus familiares eram suntuosos (Foto: depositphotos)

Uma das coisas mais importantes para a crença egípcia era a vida após a morte. Acreditavam que quando se morria haveria um julgamento sobre as ações feitas em terra, se foram boas ou más. Somente o que tivesse o coração leve e sem culpa teria a chave para a vida eterna.

A perspectiva de vida após a morte é uma fonte de alívio para os egípcios, pois sua expectativa de vida variava entre os 30 a 40 anos.

Livro dos Mortos

O Livro dos Mortos é um conjunto de textos que diz qual é a conduta que levará o ser humano para obtenção da vida após a morte. Um aglomerado de mais de 50 papiros com preces, óleos, vegetais sagrados, e coisas que pudessem auxiliar rituais que ajudassem na passagem entre os mundos.

Eles eram colocados ao lado do cadáver mumificado para que ele lesse depois de morto os ensinamentos para chegar até os deuses. Outros papiros eram dados para a família a fim de que fizessem as preces para que ajudar a alma a ir embora; outros também iriam para os sacerdotes que comandavam os rituais fúnebres.

Deuses

Olho de Horus

O “olho de Horus” era um amuleto de cura (Foto: depositphotos)

Os deuses mais conhecidos são:

– Osíris, o deus da vida vegetal e da vida após a morte. Era ele quem julgava os mortos após terem seu coração pesado em uma balança.

– Ísis, esposa de Osíris, a deusa que continha os poderes de cura, da fertilidade e da maternidade. Com essa forma mais calma e maternal, ela era reconhecida também como a grande cuidadora, a que zelava por todos, fossem senhores ou escravizados.

– Hórus era o deus filho de Osíris e Ísis. A sua representação é feita com o corpo humano, cabeça de falcão e olhos que representavam o sol e a lua. Seu símbolo, o “Olho de Hórus”, tornou-se um amuleto de cura.

Mumificação

Múmia do Egito Antigo

A mumificação levava até 70 dias para ser concluída (Foto: depositphotos)

A crença dos egípcios de que eles voltariam do mundo dos mortos fizeram com que desenvolvessem uma técnica de preservação dos corpos. A mumificação, que é o nome dessa técnica, era exclusividade das pessoas importantes no reino, como faraós, seus familiares e os sacerdotes.

Depois de muito tempo a nobreza teve acesso também. Como era um processo muito caro, a população em geral não poderia pagar por ela.

Para que o cadáver fosse mumificado levava-se 70 dias. O primeiro passo era extração das vísceras, intestinos, pulmões, fígados e estômago. Esses órgãos eram embalsamados, o que quer dizer que eram postos em recipientes com substâncias que evitavam a decomposição. Não eram todos postos juntos, mas distribuídos em quatro potes diferentes chamados canopos.

O coração permanecia no corpo, pois Osíris precisaria pesá-lo na balança. Depois disso, cobria-se o corpo com natrão, uma substância química, como um sal, para desidratá-lo.

Em 40 dias o corpo estava completamente seco, e pronto para o enchimento com tecidos, óleos e resinas. Finalmente, o cadáver era envolvido em faixas, começando pelos dedos das mãos e dos pés, um processo muito demorado e que demandava muito cuidado.

Resumo do Conteúdo
Nesse texto você aprendeu que:

  • O Egito Antigo ficava na África.
  • O Egito Antigo estava situado no Crescente Fértil.
  • O Rio Nilo foi decisivo para essa civilização prosperar.
  • O Egito Antigo surgiu há 10 mil anos.
  • Os egípcios criaram a escrita hieroglífica.
  • A religião era politeísta.
  • O modelo político era a teocracia.

Exercícios resolvidos

1- Onde ficava situado o Antigo Egito?
R: No Crescente Fértil, entre o Oriente Médio e o Nordeste africano.
2- Como são separados os períodos do Antigo Egito?
R: Em Antigo Império, Médio Império e Novo Império.
3- Quem foi o primeiro faraó do Egito?
R: Menés.
4- O que era o Livro dos Mortos?
R: Um conjunto de textos contendo a conduta que levaria o ser humano a obtenção da vida após a morte.
5- Quando ocorreu o declínio do Egito Antigo?
R: Após a invasão dos Persas.
Referências

» MAN, John. A história do alfabeto. Tradução: Edith Zonenschain. Rio de Janeiro: Ediouro, 2002.

» JOHNSON, Paul. O Egito antigo. Rio de Janeiro: Editouro, 2002.

» Revista Mundo Antigo (NEHMAAT-UFF/PUCG), Campos dos Goytacazes (RJ), ano 1, v.1, nº1  pp. 29-54, Junho, 2012.

Sobre o autor

Prof. Larissa Dutra
Historiadora e professora, com formação pela UNESA do Rio de Janeiro. Pós-graduada em edição editorial. Trabalha no ensino básico, cursinhos, ministra oficinas, é revisora e editora de livros. Sua pesquisa central é sobre livros, cinema e ditadura militar na América Latina.