Luto: o que significa e sintomas

Você já se perguntou alguma vez qual é o significado real de luto? Ou ainda quais são os principais sintomas desse processo? Pensando nisso, o Estudo Prático preparou esse artigo, com as respostas para essas e outras perguntas a respeito do luto.

Isso porque, ele é um processo comum, individual e que esteve presente em todos os estágios do desenvolvimento humano. Nesse texto, você também vai descobrir qual a importância dessa fase para a superação de uma perda, o que significa o luto patológico e quando o processo pode ser prejudicial para a saúde.

Além de saber quais são os símbolos adotados para representar este período e porque é tão necessário falar sobre esse tema. Tudo isso para que você possa compreender ainda mais esse processo e aprender a lidar com ele.

Qual é o significado do luto?

De acordo com o dicionário Oxford, que é o mais importante da língua inglesa, o termo luto significa “a expressão de tristeza, ou pesar, pela morte de alguém”. A palavra em português tem origem no termo em latim luctu, que também era usado para representar a dor e tristeza pela perda de algo ou alguém.

Sendo assim, luto está relacionado aos sentimentos de extrema tristeza, angústia e saudades provocados pela perda de alguma coisa ou alguém importante. Sem que a perda esteja necessariamente ligada à morte.

Laço de fita preta em fundo branco

O laço com fita preta é um dos símbolos do luto (Foto: depositphotos)

Isso significa dizer que o luto é uma expressão individual que apresenta uma série de sintomas e está relacionado com o sentimento de perda. Desse modo, ele pode aparecer em uma situação de divórcio, desemprego ou com a morte de uma pessoa próxima ou animal de estimação.

Por tudo isso, o luto é um processo comum dos seres humanos e está presente em todas as culturas. No entanto, sempre apresentando características e simbologias diferentes, que ajudam a superar o período.

No entanto, é importante ressaltar que o luto não é considerado um transtorno mental ou doença. Por isso, não necessita de tratamento, a menos que os sintomas comecem a interferir diretamente na vida do enlutado.

Principais símbolos do luto

Como já foi dito, o luto é um processo individual e por isso está ligado aos aspectos culturais e ritualísticos de um povo. Dessa maneira, o que é considerado uma simbologia para o luto no Brasil, não significa a mesma coisa em outros países. Por exemplo, no Ocidente a maioria dos países adota a cor preta para simbolizar este período. No entanto, na China e no Japão o luto é representado pela cor branca.

Dessa maneira, esse tópico irá mostrar os símbolos mais usados no Brasil como uma representação da tristeza pela perda. O primeiro e mais conhecido deles é a fita preta, que aparece em fotos de perfis e roupas de pessoas enlutadas.

No Ocidente, a fita em forma de laço representa a consciência. Enquanto que o preto é a cor usada para simbolizar a tristeza. Da mesma forma acontece com as roupas pretas, costume que ainda hoje é adotado por muitos povos.

Geralmente, as peças de vestuário dessa tonalidade são usadas durante a cerimônia do velório ou por algumas semanas após a perda. Contudo, algumas pessoas estendem o período como uma forma de externalizar o sentimento de tristeza. Um exemplo disso foi a rainha Vitória, que usou roupas pretas durante 40 anos após a morte do esposo, que aconteceu em 1861.

Por fim, outro símbolo tradicional no Brasil é a bandeira a meio mastro. Ou seja, quando as bandeiras de repartições públicas não são hasteadas completamente. Na verdade, esse é um protocolo governamental para indicar a morte de alguém que integrava o governo ou que possuía alguma importância para o país.

Fases do luto de acordo com a psicologia

Em 1969, a psiquiatra suíça Elisabeth Kübler-Ross publicou o que foi chamado de modelo de kübler-ross. Esse modelo divide o processo de perda ou tragédia em cinco etapas diferentes, sendo chamado também de “Os cinco estágios do Luto”.

Esse modelo foi proposto após um estudo com pacientes em estado terminal, que segundo Kübler-Ross, tinham reações semelhantes as apresentadas por um enlutado. Essas fases são:

  • Negação e isolamento
  • Raiva
  • Barganha
  • Depressão
  • Aceitação

No entanto, esses estágios não são fixos ou e não apresentam uma ordem pré-definida. Assim, algumas pessoas podem apresentar todos os sintomas sem que eles se apresentem em uma ordem lógica.

Dessa maneira, é possível passar pela fase de aceitação e voltar para o período de negação e isolamento. Contudo, todos tendem a apresentar pelo menos dois desses sintomas ao vivenciar a perda de algo importante. Confira a seguir a descrição de cada uma das etapas do luto e o que é apresentado em cada uma delas.

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Negação e isolamento

A primeira fase analisada pela psiquiatra foi a de negação. Esse estágio aparece geralmente logo após a notícia sobre a morte e é um tipo de defesa da mente. Ou seja, é uma forma de não lidar com o problema, negando a sua existência.

Senhora vestida de preto com o aspeto de tristeza

É comum o enlutado reagir com profunda tristeza e isolamento após a notícia da perda (Foto: depositphotos)

Nesse estágio é muito comum que o enlutado se isole e evite falar sobre o assunto. Para Kübler-Ross, a negação seria uma espécie de pára-choque, oferecendo o tempo necessário para que a pessoa se recupere da notícia e possa digerir os fatos.

Raiva

O segundo estágio é a raiva. Aqui, o enlutado para de negar os acontecimentos, mas não os aceita. É bastante comum que nesta fase surja a pergunta “Por que eu? Não é justo.” Essa fase seria repleta de ressentimentos, quase como a de uma criança que sente raiva por ter sido abandonada.

Homem com as mãos na cabeça

A raiva pode surgir como parte do processo de luto (Foto: depositphotos)

Barganha

A fase seguinte é chamada de barganha. Aqui é comum haver um forte apelo religioso de que se pedir com fé, a perda será desfeita. Para isso, são feitas inúmeras promessas a Deus. Essa fase tende a ser um pouco desconhecida e ignorada, mas é frequentemente vista em pessoas em luto ou pacientes de doenças terminais.

Mãos segurando um terço

No luto, a fé é utilizada como refúgio (Foto: depositphotos)

Depressão

A fase da depressão é chamada por alguns profissionais de desorganização. Nesse estágio, o indivíduo toma consciência de que não há nenhuma solução ou retorno para a perda e, por isso, se afunda em tristeza.

Homem sentado em praça chorando

A depressão é uma das fases do processo de luto (Foto: depositphotos)

Portanto, é bastante comum que as pessoas se isolem e apresentem até mesmo um desejo de morte. Também é comum tentar se desfazer de qualquer coisa que lembre o que foi perdido, por causa da sensação de tristeza de lembrar até mesmo de momentos felizes.

Veja também: Depressão

Aceitação

A aceitação é o último estágio do processo. Nessa fase o enlutado consegue enxergar e aceitar a realidade dos acontecimentos. Dessa maneira, se torna mais forte e consegue encarar a perda.

Homem triste em cemitério

A aceitação é o último estágio do luto (Foto: depositphotos)

Contudo, o luto é considerado um processo gradual. Sendo assim, é possível que mesmo estando na fase de aceitação o enlutado volte para as outras em qualquer momento.

O que significa o termo luto patológico?

O luto é processo para o qual existe início, meio e fim. Sendo que isso pode ser observado pelos estágios em que a pessoa se encontra. No entanto, quando esse processo é interrompido ou até mesmo não iniciado, ocorre o que é chamado de luto patológico.

O luto como uma patologia crônica pode ser derivado da negação da morte. Ou seja, quando uma pessoa se recusa a aceitar que um ente querido morreu e evita falar sobre o assunto a ponto de falar como se ela ainda estivesse viva.

Com o tempo isso pode gerar inúmeros problemas e se transformar no que é chamado de melancolia. Esse termo apareceu na obra “Luto e Melancolia”, de Sigmund Freud, publicada pela primeira vez em 1917.

No livro, o psicanalista descreve esse processo como sendo uma tristeza extrema e sem motivos aparentes. A causa pode ser uma reação tardia ao processo de perda. Mas como diferenciar o luto normal do patológico? De acordo com especialistas, existem algumas características próprias da patologia e que podem ser tratadas.

As principais são alucinações em que o enlutado enxerga a pessoa falecida como se ela ainda estivesse viva, seguidas de períodos de intensa tristeza. Podendo acarretar crises de choro em público ou isolamento. Além disso, podem estar presentes um desejo recorrente de que a pessoa esteja viva e a negação constante do episódio de morte.

Qual o impacto disso para a vida das pessoas?

O luto patológico pode acarretar diversos problemas na vida do enlutado. Isso porque, ele não é considerado um processo normal e pode afetar os relacionamentos e atividades cotidianas.

Um dos principais impactos é o isolamento, que pode durar longos períodos. Além disso, ele pode acarretar em depressão, outros problemas psicológicos graves e até mesmo insônia. Por isso, pode ser necessário um acompanhamento psicológico que irá identificar as causas dos sintomas e tentar amenizá-los.

Quais os sintomas mais presentes?

Existem alguns sintomas que podem estar presentes nas fases do luto. Contudo, eles não indicam que o processo faça parte de uma doença ou prejudicam a vida da pessoa que está passando por esse período.

Os principais são crises de raiva e melancolia, insônia e desânimo em exercer atividades cotidianas consideradas normais. Isso inclui trabalhar, estudar ou cuidar de si mesmo.

Em casos mais severos, o luto pode ser acompanhado de crises ansiosas e de estresse, além de episódios intensos de choro. No entanto, esses sintomas tendem a aparecer pouco tempo após a perda e não trazem prejuízos significativos para o dia a dia a longo prazo.

Quanto tempo eles tendem a durar?

Não existe um período determinado de duração para o luto. Ou seja, cada pessoa irá vivenciar a experiência por um tempo diferente, que pode ser de algumas semanas até alguns meses.

Principalmente pelo fato de que os estágios do luto podem se misturar e não seguir uma ordem determinada de acontecimento. Sendo assim, ele é um processo demorado e único para cada pessoa.

Porém, é preciso saber a partir de que momento o processo deixa de ser algo normal e se transforma em uma patologia. Já que esse último pode trazer consequências graves.

Existe licença para o luto?

Sim, no Brasil ela é chamada de “Licença nojo”. De acordo com a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), todo trabalhador com registro na CLT terá direito a dois dias de licença após a morte de um familiar direto ou dependente, sem que tenha qualquer desconto no salário.

Desta maneira, contando após o dia do falecimento, o empregado tem direito a dois dias de licença remunerada. Por isso, não poderá ser cobrado pela falta, uma vez qye esse é um direito previsto em lei, no artigo 473 da CLT.

Mulher em escritório com as mãos na cabeça

A licença do profissional para viver o luto é chamada no Brasil de Licença Nojo (Foto: depositphotos)

O parágrafo 1º do artigo diz que o empregado tem o direito de se ausentar do serviço por “até 2 (dois) dias consecutivos, em caso de falecimento do cônjuge, ascendente, descendente, irmão ou pessoa que, declarada em sua carteira de trabalho e previdência social, viva sob sua dependência econômica.”

O dia do falecimento não aparece como regra da licença. Contudo, muitas empresas liberam o funcionário, sem qualquer prejuízo, em um sinal de respeito.

Os servidores públicos federais possuem a garantia de oito dias de licença remunerada em caso de falecimento do companheiro, filhos, pais, enteados e até mesmo irmãos. Enquanto os professores tem o direito a 9 dias de faltas remuneradas em caso de falecimento do cônjuge, pais ou filhos.

Qual a importância de falar sobre isso?

De acordo com especialistas em luto, é importante falar sobre esse processo porque esse é um fator indispensável para a recuperação. Ou seja, ao falar sobre o luto a pessoa que sofreu com a perda consegue assimilar melhor os acontecimentos e passar por todos os estágios do processo.

Além disso, é necessário saber ouvir a pessoa que sofre com o luto. Dessa maneira, o mais indicado é que o indivíduo que sofreu com o falecimento de alguém próximo não seja deixado sozinho e tenha seus lamentos ouvidos. Dessa maneira, o processo até o estágio de aceitação é menos doloroso e mais rápido.

Referências

»ALMEIDA, Bruno. As 5 fases do luto (ou sobre a morte) de Elisabeth Kubler-Ross. Disponível em:http://www.psicologiamsn.com/2014/09/as-5-fases-do-luto-ou-sobre-a-morte-de-elisabeth-kubler-ross.html.

»GUIMARÃES, Fabiana. O que é o luto patológico? Disponível em:http://blog.drafabianaguimaraes.com.br/o-que-e-o-luto-patologico/.

»ALMEIDA, Cynthia. Quando o luto termina? Disponível em:http://vamosfalarsobreoluto.com.br/post_helping_others/quando-o-luto-termina/.

»JUS. Licença Nojo. Disponível em: https://jus.com.br/artigos/34106/licenca-nojo. Acesso em: 7 de novembro de 2018.

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Jornalista (MTB-PE: 6770) com formação completa no curso de Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo (UniFavip-DeVry). Experiência prática de dois anos em produção jornalística para TV e rádio.