Mata de araucárias

Neste tipo de floresta, há um predomínio de um tipo de vegetação denominado de pinheiro-do-paraná

A Mata de Araucária é um dos domínios morfoclimáticos existentes no território brasileiro, segundo a definição de Aziz Ab’Saber, podendo ser considerada também como uma das fitofisionomias florestais presentes no bioma Mata Atlântica, quando adotadas outras definições. A Mata Atlântica é um tipo de vegetação comum nos estados do Sul e Sudeste do Brasil, especificamente em regiões de clima subtropical, sendo que resta apenas uma reduzida porção de sua abrangência original.

O Domínio das Araucárias

Os domínios morfoclimáticos foram definidos pelo geógrafo e professor universitário brasileiro Aziz Ab’Saber. A partir de estudos aprofundados, Ab’Saber dividiu o território brasileiro em grandes agrupamentos, sendo eles: Domínio Equatorial Amazônico, Domínio dos Cerrados, Domínio dos Mares de Morros, Domínio das Caatingas, Domínio das Araucárias, Domínio das Pradarias, além das faixas de transição.

O Domínio das Araucárias ocorre em regiões de clima subtropical e do planalto meridional (Sul) do Brasil, em terrenos sedimentares-basálticos. O relevo de planalto ou chapadas é coberto pelos bosques de araucárias, plantas que são conhecidas por suas características peculiares, sendo que a árvore é utilizada como símbolo de bandeiras e instituições em vários locais nos quais esse tipo de vegetação ocorre.

O relevo de planalto ou chapadas é coberto pelos bosques de araucárias

A árvore é utilizada como símbolo de bandeiras e instituições (Foto: depositphotos)

Geralmente as matas de araucárias se desenvolvem em locais com médias altitudes, onde as elevações variam entre 800 até 1300 metros. Não existem um padrão de solos nos quais se desenvolvem as matas de araucárias, sendo que podem ocorrer em solos com grande fertilidade natural ou ainda em solos ácidos e pobres em relação aos minerais básicos.

Nas regiões de clima subtropical, há uma boa distribuição das chuvas no decorrer do ano, não havendo uma estação predominantemente seca, por isso os rios são perenes, ou seja, não secam em alguns momentos do ano. As matas de araucária não são o único tipo de vegetação que existe no Domínio das Araucárias, se desenvolvendo nestes ambientes também locais com cerrado e campos. 

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Matas das Araucárias

As Matas das Araucárias são também conhecidas como Mata dos Pinhais ou Florestas Pluviais Subtropicais. Neste tipo de floresta, há um predomínio de um tipo de vegetação denominado de pinheiro-do-paraná ou ainda araucária.

A espécie vegetal denominada de Araucária Angustifolia é adaptada a sobreviver em climas com características moderadas até baixas nos invernos e com significativos índices pluviométricos, geralmente acima dos 1000 milímetros anuais. Concomitantemente as Matas das Araucárias, cresce também um outro tipo de planta bastante comum, e que foi importante na economia brasileira em décadas passadas, a chamada erva-mate.

As Matas de Araucária, em suas condições originais, se estendiam por grandes extensões dos planaltos da região Sul do Brasil, bem como em alguns pontos de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, em seus pontos mais elevados, especialmente na Serra da Mantiqueira.

A araucária é a árvore símbolo do estado do Paraná

As matas de araucárias estão presentes no estado do Paraná e Santa Catarina (Imagem: Reprodução)

A Mata das Araucárias ocorre predominantemente na região Sul do Brasil, especialmente nos estados de Santa Catarina e Paraná, começando no primeiro planalto, a Oeste da Serra do Mar, estendendo-se pelos segundos e terceiros planaltos do estado do Paraná. A araucária é a árvore símbolo do estado do Paraná, pela sua exuberância e importância histórica.

As Matas de Araucárias são ambientes nos quais se desenvolvem várias espécies de animais

A gralha-azul é a ave símbolo do estado do Paraná (Foto: depositphotos)

Características das araucárias

As araucárias são árvores que apresentam uma visão imponente, por seu destaque nas paisagens. Em termos gerais, são plantas gimnospermas, ou seja, que possuem sementes não protegidas por frutos. Quando as araucárias são jovens, apresentam características mais cônicas, com formas simétricas.

Já quando estão mais velhas, ficam com aspecto de “guarda-chuva”. As Matas de Araucárias possuem estratos, sendo que o topo das araucárias é chamado de dossel, havendo um estrado intermediário com arbustos e uma rica biodiversidade de espécies de plantas, e ainda, uma camada herbácea, na qual se desenvolvem espécies vegetais e onde estão presentes fungos, bactérias e demais elementos decompositores que auxiliam para manutenção das dinâmicas neste tipo de floresta.

As Matas de Araucárias são ambientes nos quais se desenvolvem várias espécies de animais, sendo que alguns dos representantes da fauna destes locais os bugios, a gralha-azul (ave símbolo do Paraná), o grimpeirinho, o gato mourisco, o serelepe, as caranguejeiras, as jararacas, as cutias, lobo-guará, antas, onças pintadas, dentre outros.

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Problemas na Mata das Araucárias

Assim como outros biomas brasileiros, a Mata das Araucárias também foi historicamente destruída pela ação humana. Estima-se que esse tipo de vegetação tenha ocupado cerca de 40% do território do Paraná, 30% de Santa Catarina e 25% do Rio Grande do Sul.

A Mata das Araucárias foi amplamente devastada por conta da extração da madeira, bem como nos períodos de ocupação humana destes espaços, e pelas atividades como agricultura e pecuária. Um dos problemas atrelados a este tipo de floresta é a atividade da caça, por conta das espécies faunísticas que se desenvolvem nestes.

Embora a caça de animais silvestres seja considerada como crime no Brasil, seja para comercialização ou consumo, ainda assim a captura de animais continua sendo um problema nas áreas de Mata de Araucárias.

Perda da biodiversidade

Há uma evidente perda da biodiversidade nas Mata de Araucárias, por conta da introdução de espécies estranhas ao ambiente, as quais geram um desequilíbrio biológico na região.

Além disso, destacam-se as queimadas e os atropelamentos de animais, bem como o tráfico de animais e plantas. A poluição é outro problema comum neste tipo de bioma, bem como a realização de práticas turísticas não regulamentadas ou acompanhadas por responsáveis. Ainda assim, o desmatamento continua sendo o mais sério problema das Matas de Araucárias, assim como ocorre em outros tipos de biomas.

O Pinhão!

Talvez um dos elementos mais conhecidos acerca das araucárias seja o pinhão, o qual também é um dos símbolos do estado do Paraná. O pinhão é uma semente da Araucária Angustifolia, cujo fruto é a pinha. O pinhão é amplamente utilizado na culinária da região Sul do país, sendo que sua coleta ocorre quando a pinha está madura e cai no chão.

Muitas vezes tenta-se realizar a coleta da pinha quando ainda está verde, na própria araucária, no entanto, isso causa um dano no meio ambiente. As pinhas devem ser recolhidas do chão, e somente então o pinhão deve ser retirado. O pinhão é comum nas festas juninas do Sul do Brasil, pois é justamente nesta época em que as pinhas estão maduras.

Um dos elementos mais conhecidos acerca das araucárias seja o pinhão, também um dos símbolos do Paraná

O pinhão é amplamente utilizado na culinária da região Sul do país (Foto: depositphotos)

Referências

» BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. A Floresta com Araucárias. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/estruturas/202/_arquivos/folder_consulta02.pdf>. Acesso em 12 ago. 2017.

» BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Mata Atlântica: manual de adequação ambiental. Brasília, 2010. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/estruturas/202/_arquivos/adequao_ambiental_publicao_web_202.pdf>. Acesso em 12 ago. 2017.

» PARANÁ. Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos. Série Ecossistemas paranaenses. Floresta com Araucária. Disponível em: < http://www.meioambiente.pr.gov.br/arquivos/File/cobf/V4_Floresta_com_Araucaria.pdf>. Acesso em 12 ago. 2017.

» VESENTINI, José William. Geografia: o mundo em transição. São Paulo: Ática, 2011.

Sobre o autor

Graduada em Geografia pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Especialista em Neuropedagogia pela Faculdade Alfa de Umuarama (FAU) e Mestre em Geografia (Unioeste)