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Mortalidade infantil

A mortalidade infantil representa as crianças que morrem antes de completar um ano. Entenda os fatores que influenciam essa taxa e como é calculada

O conceito de mortalidade infantil está intimamente ligado às condições de vida da população, especialmente o acesso aos recursos de saúde e alimentação. São contabilizados os óbitos de crianças até o primeiro ano de vida, e estas taxas alteraram-se primeiramente nos países desenvolvidos no mundo, e vem reduzindo expressivamente nos países em desenvolvimento, enquanto ainda são elevadas nos países subdesenvolvidos. 

O que é a Taxa de Mortalidade?

Este índice se refere ao número de crianças que morrem antes de completar um ano de idade. Os altos índices de mortalidade infantil estão relacionados com alguns fatores: rendimentos familiares, alimentação, condições higiênicas e sanitárias, condições de habitação. Esse índice varia muito com as condições econômicas da família. Mesmo em regiões pobres, eles variam entre as famílias com melhores condições.

Portanto, o índice de mortalidade equivale à relação entre o número de óbitos em determinado ano e a população total neste ano. Multiplica-se o resultado por mil. Da mesma forma calcula-se a mortalidade infantil, com base nos nascidos vivos. O cálculo se faz em crianças com menos de um ano de idade. Fatores que interferem nos índices de mortalidade: salários, superexploração do trabalho, fatores socioeconômicos, sanitários, progressos da medicina, assepsia, anestésicos, bactericidas, quimioterapia, controle de doenças infectocontagiosas, saneamento, nível de vida, vacinas. Não há uma homogeneidade na morte, ela é diferencial.

 Histórico da mortalidade no mundo

Até a Revolução Industrial havia um crescimento lento da população mundial, ou seja, as taxas de natalidade e mortalidade mantinham-se razoavelmente equilibradas. A Revolução Industrial (XVIII) foi a principal responsável pela queda nas taxas de mortalidade, começando pela Europa Ocidental. No século XIX essa queda nas taxas ainda ficava estrita aos países líderes da Revolução Industrial. Já no século XX atingiu também os países subdesenvolvidos. Com a queda das taxas de mortalidade, as taxas de natalidade mantiveram-se altas durante algum tempo, o que explica a aceleração demográfica a partir do final do século XVIII.

A relação entre a industrialização e a redução das taxas de mortalidade se explica pelo fenômeno de urbanização que ocorreu concomitantemente.

A aplicação de novas técnicas sanitárias e higiênicas também contribuiu para diminuição das referidas taxas. Com a urbanização, a população se concentrou no espaço urbano, ficando mais fácil a realização de obras de saneamento, bem como das campanhas de vacinação.

Nos países desenvolvidos pode haver um processo de aumento da mortalidade. Isso ocorre porque há um envelhecimento populacional (alta expectativa de vida). A população idosa não irá ter uma taxa representativa de natalidade. Assim, as taxas de mortalidade podem ficar maiores do que as de natalidade (morrem mais pessoas do que nascem). Portanto, nem sempre um aumento nas taxas de mortalidade representa uma piora nas condições de vida da população, mas por vezes, é um reflexo da diminuição das taxas de fecundidade e natalidade.

Já nos países subdesenvolvidos a queda dos índices de mortalidade começou apenas na metade do século XX. Em países como Argentina, Brasil, Chile, Cuba, Venezuela e Coreia do Sul a queda dos índices de mortalidade foi bastante abrupta (industrialização, urbanização, saneamento, alimentação, medicina). Já alguns países ainda apresentam altas taxas de mortalidade, como os da África Subsaariana (abaixo do deserto do Saara, África negra), o que se deve especialmente às altas taxas de Aids e outras doenças. As mudanças nos perfis populacionais ocorrem primeiramente nos países desenvolvidos, e depois nos em desenvolvimento e subdesenvolvidos, pela própria evolução social destes.

Mortalidade infantil

Foto: depositphotos

Mortalidade Infantil

Para se saber as taxas de mortalidade infantil de uma dada sociedade, são calculadas a partir dos índices de crianças que morrem antes de completar um ano de idade. Foi um índice que interferiu muito na configuração da mortalidade da população em geral, uma vez que em variados períodos históricos houve uma alta mortalidade de crianças nesta faixa etária, ocasionadas pela escassez de acompanhamento das gestantes no período pré-natal, bem como a falta de recursos para acompanhar gestantes de alto risco no parto, e ainda, precárias condições sanitárias no pós-parto, desnutrição, dentre outros.

A alta mortalidade infantil justificava em parte o fato das famílias terem muitos filhos. Assim, como já se sabia que a mortalidade infantil era elevada, as famílias acabavam tendo mais filhos, pois principalmente em um contexto rural, a necessidade de mão-de-obra familiar era fundamental. A expansão das vacinas e antibióticos auxiliou para redução deste índice. Bem como o aumento da higiene pública (descoberta dos riscos dos microrganismos para saúde). Melhorias alimentares atreladas ao aumento do poder de compra das famílias também interferiram nestes índices. Há uma predominância de populações jovens em países subdesenvolvidos, o que significa que as taxas de fecundidade e natalidade ainda se encontram altas.

 Mortalidade infantil no Brasil

No Brasil, a mortalidade infantil teve uma redução bastante significativa, especialmente nas últimas duas décadas. Ainda na década de 1990 este índice era muito elevado, quando mais de 50 crianças morriam antes de completar seu primeiro ano de vida, em cada mil nascidos no período de um ano. Os índices de mortalidade infantil estão relacionados com as condições de vida da população, sendo que historicamente a principal causa das mortes de crianças foi a desnutrição. A segunda maior causadora dos óbitos foi a diarreia, ocasionada pela péssima qualidade da alimentação e da água.

Diversos fatores têm influenciado para a melhoria das taxas, como o aumento do acesso ao saneamento básico, o que possibilita que as pessoas tenham água de melhor qualidade, além de deixarem de estar tão expostas aos perigos do esgoto a céu aberto. As quedas nas taxas de fecundidade e natalidade também são dados expressivos que explicam o decréscimo da mortalidade infantil. O grau de instrução das pessoas, bem como a inserção das mulheres no mercado de trabalho também contribuem para redução das mortes. Da mesma forma, os avanços no campo da Medicina, o acesso aos métodos contraceptivos, o acompanhamento das gestantes e recém-nascidos são fatores relevantes para contornar as altas taxas de mortes infantis.

No Brasil, os índices de mortalidade infantil têm melhorado muito, mas em diversos outros países as taxas continuam elevadas, como mostra o gráfico abaixo, comparando os dados da década de 1990 e do ano de 2008:

Mortalidade infantil

Foto: Reprodução/The State of the Word`s Children

No Brasil, as maiores taxas de mortalidade infantil são registradas na região Nordeste. As recentes políticas governamentais possibilitaram a redução dos índices, embora eles continuem ainda elevados em relação aos padrões ditos aceitáveis pela ONU (Organização das Nações Unidas). Os estados brasileiros com maiores taxas de mortalidade infantil são Alagoas e Maranhão. Enquanto as menores taxas são registradas nos estados do Sul.

No caso específico do Brasil, são elementos relevantes para redução das taxas de mortalidade infantil aspectos como a vacinação de gestantes e crianças, bem como as instruções para evitar possíveis doenças. A conscientização sobre o aleitamento materno e a correta nutrição infantil são medidas também relevantes. Vários programas do Governo têm como meta a redução dos óbitos infantis, e medidas estão sendo adotadas para alcançar as metas propostas.

Curiosidade

Dentre as propostas da ONU para os “Objetivos do Milênio”, uma das medidas é a redução da taxa de mortalidade infantil.

Mortalidade infantil

Foto: Reprodução/ONU

Referências

» DAMIANI, Amélia. População e Geografia. 10ª Ed. São Paulo: Contexto, 2015.

» VESENTINI, José William. Geografia: o mundo em transição. São Paulo: Ática, 2011.

Sobre o autor

Graduada em Geografia pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Especialista em Neuropedagogia pela Faculdade Alfa de Umuarama (FAU) e Mestre em Geografia (Unioeste)