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O que é o movimento #MeToo?

Em português, a expressão MeToo seria algo como Eu Também. O movimento surgiu em forma de hashtag nas redes sociais, mas logo ganhou notoriedade ao ser adotado por celebridades hollywoodianas. Conheça o que é o movimento #MeToo.

Se você tem acompanhado as premiações do Oscar ou de outros grandes eventos na área do entretenimento deve ter notado que os discursos contra o assédio sexual têm tomado a cena. A expressão MeToo vem do movimento ‘The Silence Breakers’, algo como quebra do silêncio.

O movimento foi tão relevante que foi escolhido como a “personalidade” do ano de 2017 pela revista americana Time, que anualmente escolhe pessoas para figurarem no posto. Em 2016, foi Donald Trump. A publicação afirmou que #MeToo foi usada milhões em mais de 85 países diferentes.

Como surgiu o #MeToo

Apesar de ter tido bastante repercussão no ano de 2017, foi ainda em 1996 que a expressão #MeToo foi pensada pela primeira vez. Foi a ativista Tarana Burke, que luta pelo empoderamento das jovens mulheres negras, que iniciou o movimento.

O movimento #MeToo ajudou a disseminar pelo mundo o combate ao assédio sexual

A ideia de propagar o movimento foi criar empatia entre as vítimas de assédio (Foto: depositphotos)

Depois de escutar o relato de uma criança que sofria abusos sexuais do padastro, Tarana Burke não teve coragem de dizer para ela: Eu também. Esse remorso corroeu a americana, que somente anos depois teve a força para falar ao mundo: me too, ou seja, eu também. A ideia de propagar o movimento foi criar empatia entre as vítimas de assédio.

Como Hollywood adotou o #MeToo

A popularidade da expressão veio com o Twitter, quando a atriz americana Alyssa Milano, de 44 anos, “twittou” o termo. Ela fez isso depois dos escândalos com o produtor Harvey Weinstein.

Harvey Weinstein era um dos maiores produtores de Hollywood, fundador da Miramax e da The Weinstein Co. Ele já venceu o Oscar e produziu grandes sucessos de bilheteria como o Senhor dos Anéis.

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Foi o Jornal The New York Times que abriu as acusações com entrevista da atriz Ashley Judd. Em seguida, apareceram outras e outras narrando as atitudes desprezíveis do poderoso magnata da indústria cinematográfica.

Ao todo, mais de 20 mulheres acusaram Weinstein de assédio sexual, insinuações ou estupro.

O escândalo tomou conta das publicações não só americanas como mundiais. Weinstein se internou em uma clínica de reabilitação, mas as denúncias foram aceitas pelas Polícias de Nova York e Londres. Ele pode cumprir uma pena de 25 anos pelas acusações.

#MeToo pelo mundo

De acordo com o jornal El País, o movimento #MeToo ajudou a disseminar pelo mundo o combate ao assédio sexual. O diário espanhol revelou que a busca pela palavra feminismo no dicionário Merriam-Webster aumentou 70% somente no ano de 2017. “Nunca antes tantas mulheres —e também homens— de diferentes esferas haviam se definido publicamente como feministas, palavra maldita durante anos”, define o El País.

As leis europeias aproveitaram o movimento #metoo para endurecer seus debates contra o assediadores

Muitas mulheres usaram a hashtag para denunciar os abusos sofridos (Foto: depositphotos)

Os países europeus também aproveitaram a tendência para endurecer seus debates contra o assediadores. Na Suécia, foi votado uma lei para deixar claro o que é abuso do que é consentido. Na França, algo parecido também está em discussão.

Os dados oficiais revelam o quanto o abuso é uma constante em todo o mundo. Segundo a Organização das Nações Unidas, a Onu, uma em cada 10 mulheres são assassinadas pelos seus companheiros. O absurdo prossegue: uma em cada 14 mulheres já sofreu algum abuso sexual, segundo a Organização Mundial da Saúde, a OMS.

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O movimento #MeToo também aflora outras questões relacionadas ao sexismo, cujas mulheres também são vítimas. Logo, ele se espalhou também na defesa de outras causas feministas.

Já que não é segredo nenhum que as mulheres ganham menos que os homens para exercer as mesmas funções. Somente na Europa, são 16,3% a menos, percentual muito semelhante ao do Brasil (16%) e Estados Unidos. Além disso, mulheres ocupam somente 20% dos cargos de alto executivo do Brasil, na Europa são 25%.

A importância do #MeToo

O movimento que aflorou nos bastidores dos estúdios de Hollywood tem uma importância gigante para as mulheres que trabalham na indústria do entretenimento, mas também para os outros setores.

Prova disso, é que a ginasta americana McKayla Maroney, campeã olímpica em Lodres-2012, também usou a hashtag para denunciar o abuso que sofreu dentro do mundo esportivo.

Esse foi o ponta-pé inicial para demostrar que o movimento #MeToo vai além do universo do entretenimento, mas pode atingir pessoas de outras áreas, até mesmo aqueles que não têm notoriedade da mídia.

A questão do assédio ganhou os noticiários, capas de revistas, destaque nos jornais e passou a fazer parte de debates em escolas, universidades, centro de convivência e invadiu até mesmo as reuniões familiares.

Outro lado positivo do movimento é que ele também foi adotado por homens, demostrando a preocupação do universo masculino com o respeito e igualdade de tratamento entre os sexos.

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Há alguns que defendem que o #MeToo não passa de um modismo, mas há aqueles que acreditam que o movimento, mesmo que não perdure, já cumpriu um papel muito importante no combate ao assédio e abuso sexual contra as mulheres.

Sobre o autor

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Jornalista formada pela Universidade Federal da Paraíba com especialização em Comunicação Empresarial. Passagens pelas redações da BandNews e BandSports, TV Jornal e assessoria de imprensa de órgãos públicos.