Os ditados populares nordestinos

Eles oferecem sabedoria e conselhos de maneira rápida e incisiva

O ditado popular nordestino “é uma expressão linguística que retrata o fazer e o viver da humanidade. Está inserido na tradição de um povo e pertence-lhe como algo universal, aceito como verdade e como evidência incontestável”.

Essa é a definição do artigo ‘Provérbios Falados no Nordeste: Um Olhar Linguístico e Histórico’ disponível no site no site do Círculo Fluminense de Estudos Filológicos e Linguísticos. Confira a seguir mais informações sobre essa forma de se expressar do povo brasileiro.

Sobre ditados populares nordestinos

De acordo com o autor desse artigo, Tadeu Luciano Andrade, “o que define o provérbio não é a sua forma interna, ou seja, os mecanismos morfossintáticos que o compõem, mas a sua função externa, isto é, o significado que está por trás dele”.

Por isso, Andrade diz que “ditos populares tradicionais que oferecem sabedoria e conselhos de maneira rápida e incisiva”.

O estudioso revela que as propriedades semânticas dos provérbios nordestinos “operam com aspectos básicos da vida – amor, saúde, idade, pobreza, riqueza, trabalho etc. – que não podem ser banais; dizem respeito mais a expressões de opinião geral, mais que da pessoal e implicam em que a sociedade em geral endosse os sentimentos através deles propostos”.

Além disso, os provérbios “podem ser tomados metaforicamente ou literalmente; advogam conselhos e dão estratégias; e estabelecem uma verdade geral em contraste com a especificidade do contexto no qual aparecem referindo”. Conheça agora uma série de ditados populares nordestinos e enriqueça o seu vocabulário.

Veja tambémOs ditados populares antigos

Sobretudo a região Nordeste é o palco principal dos ditados populares

Os ditados populares são típicos principalmente na região Nordeste (Foto: depositphotos)

Confira os ditados populares nordestinos

A César o que é de César, a Deus o que é de Deus.

A amar e a rezar ninguém se pode obrigar.

A bom entendedor meia palavra basta.

Amigos, amigos; negócios, à parte.

Amizade remendada, café requentado.

Amor com amor se paga.

Antes calar que mal falar.

Antes causar inveja que dó.

Antes perder a lã que a ovelha.

Antes só do que mal acompanhado.

Antes tarde do que nunca.

Ao rico não faltes, ao pobre não prometas.

Aqui se faz, aqui se paga.

As paredes têm ouvidos.

As rosas caem os espinhos ficam.

À noite todos gatos são pardos.

Água e conselho só se dão a quem pede.

Água mole em pedra dura tanto bate até que fura.

Águas passadas não movem moinhos.

Beleza não se põe a mesa.

Cada cabeça, cada sentença.

Cada louco com sua mania.

Cada macaco no seu galho.

Cada qual com seu igual.

Cada qual sabe onde lhe doem os calos.

Cada um dá o que tem.

Caiu na rede é peixe.

Cão que ladra não morde.

De boas intenções o inferno está cheio.

De grão em grão a galinha enche o papo.

De janeiro a janeiro o dinheiro é do banqueiro.

De médico, poeta e louco, todo mundo tem um pouco.

De pensar morreu um burro.

De pequenino se torce o pepino.

De tostão em tostão vai-se ao milhão.

Desgraça pouca é bobagem.

Devagar com o andor, que o santo é de barro.

Devagar se vai ao longe.

Diz-me com quem andas dir-te-ei quem és

Dois bicudos não se beijam.

Dos males, o menor.

Em terra de cego, quem tem um olho é rei.

Errando é que se aprende.

É leve o fardo no ombro alheio.

É mais fácil prometer do que dar.

É melhor prevenir do que remediar.

É nos tempos maus que se conhecem os bons amigos.

Faça o bem sem olhar a quem.

Filho de peixe, peixinho é.

Gaivotas em terra tempestade no mar.

Gato escaldado tem medo de água fria.

Homem prevenido vale por dois

Leite de vaca não mata bezerro.

Mais vale um pássaro na mão do que dois voando.

Nada como um dia depois do outro.

Nem tudo o que balança cai.

Nem tudo o que luz é ouro

Ninguém diga: desta água não beberei

Ninguém toca flauta e chupa cana ao mesmo tempo.

Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje.

Não faças aos outros aquilo que não queres que te façam.

O barato sai caro.

O castigo anda a cavalo.

O feitiço costuma virar contra o feiticeiro.

O que os olhos não vêem o coração não sente.

O seguro morreu de velho.

O sol nasce para todos, a lua para quem merece.

Olho por olho dente por dente.

Onde como um, comem dois.

Onde há fumaça, há fogo.

Bara baixo, todos os santos ajudam.

Para bom entendedor meia palavra basta.

Pior cego é o que não quer ver.

Pratica o Bem sem olhar a quem

Primeiro a obrigação, depois a devoção.

Sobre o autor

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Jornalista formada pela Universidade Federal da Paraíba com especialização em Comunicação Empresarial. Passagens pelas redações da BandNews e BandSports, TV Jornal e assessoria de imprensa de órgãos públicos.