Pampas

O território brasileiro é subdivido em seis grandes biomas, sendo eles Bioma Amazônia, Bioma Cerrado, Bioma Mata Atlântica, Bioma Caatinga, Bioma Pampa e Bioma Pantanal. Estes biomas são conjuntos biológicos que possuem características de similaridade com base nas condições físicas existentes na região de sua abrangência. O Bioma Pampa conta com uma extensão aproximada de 176.496 quilômetros quadrados localizados na região extremo Sul do Brasil.

O que são os Pampas?

Os Pampas são um dos biomas brasileiros, e estão localizados em uma área bastante específica, no extremo Sul do território brasileiro, na fronteira com o Uruguai. Os Pampas podem também ser chamados de “Campos naturais”, os quais são constituídos basicamente por vegetações rasteiras ou herbáceas, com capins de vários tipos.

Os Pampas do sul-americanos são eventualmente tratados como Estepes

Os pampas abrangem o Sul do Brasil, parte do Uruguai e da Argentina (Foto: Reprodução)

Há nos pampas também a ocorrência de áreas alagadas, os chamados banhados, onde se desenvolvem plantas como juncos, gravatás e aguapés, espécies próprias de áreas úmidas. No caso do Brasil, os Pampas estão presentes apenas no estado do Rio Grande do Sul, ocupando 63% do território deste.

Os Pampas do sul-americanos são eventualmente tratados como Estepes, que são formações existentes em outras partes do mundo, sendo que no caso da estepe sul-americana, esta se estende para os territórios do Uruguai e da Argentina também.

Os pampas são constituídos basicamente por vegetações rasteiras ou herbáceas

63% da vegetação do Rio Grande do Sul é composta por pampas (Foto: Pixabay)

Relevo

O relevo dos Pampas é levemente ondulado (coxilhas) e recoberto pelas gramíneas e ervas próprias deste ambiente. Por suas características apropriada para isso, os Pampas são amplamente utilizados para criação de animais desde o século XVI, por serem extensas planícies nas quais o gado pode ser criado solto, alimentando-se das pastagens naturais.

A Campanha Gaúcha foi intensamente ocupada para atividades pastoris durante um bom tempo da história do Brasil, perdendo parte de seu destaque econômico com a industrialização da região metropolitana de Porto Alegre. É nos Pampas que ficou conhecida a figura dos peões, os quais pastoravam o gado com a ajuda de cavalos ao longo da extensão dos Campos.

É nos Pampas que ficou conhecida a figura dos peões

Os peóes pastoram o gado com a ajuda de cavalos ao longo da extensão dos Campos (Foto: Reprodução/Sistur-RS)

Flora e Fauna dos Pampas

Flora

Nos Pampas, apesar da predominância dos campos, há também outros tipos de formação vegetal, como as matas ciliares nas beiras dos rios, as matas de encostas, as formações arbustivas de vários portes, os banhados nos quais há vegetações específicas, as áreas com árvores de Butiás (butiazais), bem como áreas nas quais os afloramentos rochosos não permitem o desenvolvimento de muitas plantas.

Nos Pampas estima-se que existam mais de 450 espécies de gramíneas, bem como cerca de 150 espécies de plantas compostas e leguminosas. Nas partes de afloramento rochoso existem ainda cactáceas que se desenvolvem, somando ao entorno de 3000 espécies vegetais totais que possivelmente vivam nos Pampas.

São algumas das plantas que comumente ocorrem nos Pampas, campim-forquilha, grama-tapete, flechilhas, brabas-de-bode, cabelos de-porco, e ainda babosa-do-campo, o amendoim-nativo e o trevo-nativo, além dos vários tipos de cactáceas. Dentre os arbustos, são significativos o Algarrobo e o Nhandavaí.

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Fauna

Os Pampas não são ricos apenas em relação aos tipos de vegetação, pois possuem igualmente uma fauna com ampla diversidade de espécies, muitas das quais endêmicas, ou seja, que só existem neste bioma. Estima-se que existam nos Pampas cerca de 500 espécies de aves, e ainda mais de 100 espécies de mamíferos.

Dentre as espécies endêmicas estão o tuco-tuco, o beija-flor-de-barba-azul, o sapinho-de-barriga-vermelha, dentre outras. Existem ainda nos Pampas, como em outros biomas brasileiros, espécies que se encontram em extinção, como o veado campeiro, o cervo-do-pantanal, ainda o caboclinho-de-barriga-verde e o picapauzinho-chorão.

Estima-se que vivam nos Pampas 500 espécies de aves, e ainda mais de 100 espécies de mamíferos

O cervo do pantanal compõe a fauna dos Pampas (Foto: depositphotos)

Quais os problemas ambientais nos Pampas?

O Bioma Pampa sofre com a intervenção antrópica em sua área de abrangência, ocasionando uma perda da biodiversidade do bioma, contando, inclusive com espécies em processo de extinção. A exploração dos Pampas tem início com a colonização ibérica na região, com a implantação da pecuária extensiva pelos campos.

Essa atividade se tornou a principal fonte de renda na região, o que aumentou demasiadamente a prática, ocasionando danos no ecossistema do bioma, especialmente em relação aos solos que, por serem muito pisoteados pelos animais, acabam ficando compactados, perdendo sua fertilidade e capacidade produtiva.

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Destacam-se também a implantação das monoculturas e das pastagens com espécies exóticas ao ambiente. As monoculturas ocasionam um uso intenso dos solos, em muitas ocasiões sem permitir que os solos se regenerem entre um plantio e outro, causando, com o passar do tempo, uma degradação deste elemento da paisagem.

A introdução de plantas exóticas no Bioma Pampa ocasiona um desequilíbrio nos processos naturais do ambiente, podendo causar a perda de espécies animais e vegetais. Infelizmente os Pampas não contam com uma adequada atenção por parte dos projetos de preservação, sendo que as áreas protegidas dos Pampas representam apenas 0,4% do total das áreas continentais protegida por unidades de conservação no Brasil, ou seja, é um valor pouco expressivo.

Em muitos casos isso ocorre porque em um primeiro momento a aparência física dos Pampas não demonstra a complexidade do bioma, parecendo um ecossistema bastante simples e, portanto, sem grande relevância ecológica. No entanto, na prática não é isso o que ocorre, pois, os Pampas são sim ambientes ricos em biodiversidade, e que necessitam de políticas específicas para sua manutenção.

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Os maiores riscos em termos ambientais no Bioma Pampa são, dentre outros, a expansão da fronteira agrícola com a prática da monocultura. Essa prática acaba por afastar os animais da região, por conta da própria escassez alimentar ocasionada pela perda da variedade vegetativa na região.

O pastoreio intensivo nos Pampas, especialmente pela compactação ocasionada pela passada dos animais, também é uma ameaça a preservação do bioma, bem como as queimadas para renovação das pastagens, as quais podem danificar a capacidade de rebrotar das plantas, quando feitas de forma inadequada. Atividades como caça e pesca predatória fragilizam o bioma, pois podem ocasionar a extinção ou diminuição da variedade de espécies na região abrangida pelo bioma. 

Curiosidade

  • O Bioma Pampa tem um dia em sua homenagem, o chamado “Dia Nacional do Pampa” ocorre no dia 17 de dezembro. A data é uma maneira de lembrar a importância histórica deste bioma, bem como sobre a necessidade de preservação do mesmo.

(Imagem: Reprodução/ICMBio)

 

Referências

» BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Pampa. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/biomas/pampa>. Acesso em 14 ago. 2017.

» BRASIL. Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira. Pampa. Disponível em: < http://www.sibbr.gov.br/areas/biodiversidade/biomas/pampa.html>. Acesso em 14 ago. 2017.

» MOREIRA, João Carlos; SENE, Eustáquio de. Geografia. São Paulo: Scipione, 2011.

» VESENTINI, José William. Geografia: o mundo em transição. São Paulo: Ática, 2011.

Sobre o autor

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Mestre em Geografia e Graduada em Geografia pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Especialista em Neuropedagogia pela Faculdade Alfa de Umuarama (FAU) e em Educação Profissional e Tecnológica (São Braz).