Planalto Central

Como Planalto Central são entendidos dois elementos brasileiros, primeiramente uma porção do relevo do Brasil, cujos pesquisadores da área denominam de Planalto Central, e também a região que concentra as atividades políticas em nível Federal no Brasil, com ênfase em Brasília, a capital brasileira, onde estão contidos os elementos materiais da polícia brasileira, como o próprio Palácio do Planalto, ambiente de trabalho do Presidente do Brasil.

O que são Planaltos?

Os chamados “Planaltos” são formações do relevo que estão presentes no território brasileiro. Os Planaltos podem apresentar altitudes variadas, e geralmente são delimitados por escarpas (formações geológicas íngremes, contendo mais de 48º de elevação), as quais podem se apresentar como serras, chapadas, ou mesmo morros ondulados.

Os Planaltos são áreas de grande atividade erosiva, fornecendo uma grande quantidade de material intemperizados para as áreas subjacentes, podendo ser elas depressões ou planícies. Existem três grandes pesquisas sobre o relevo brasileiro, as quais possuem diferenciações substanciais entre si, sendo que a parte da ciência que estuda as formas do relevo é denominada de “Geomorfologia”.

Planaltos Brasileiros

No caso do Brasil, os Planaltos geralmente aparecem com formas de chapadas, apresentando também escarpas em suas caracterizações. As chapadas são relevos tabulares com elevações íngremes de topo plano, sendo que um dos mais expressivos exemplos no território brasileiro é a Chapada dos Guimarães no estado do Mato Grosso.

Chapada dos Guimarães no estado do Mato Grosso

A Chapada dos Guimarães é um dos mais expressivos exemplos no território brasileiro (Foto: Reprodução/Wikimedia Commons)

As escarpas podem estar presentes nas bordas dos Planaltos, formando uma espécie de degrau. As escarpas são formações bastante íngremes, apresentando significativa verticalidade em relação ao solo. As escarpas são comumente chamadas de serras, e um exemplo disso é a Serra do Mar. Os Planaltos brasileiros apresentam intensos processos erosivos, e por conta de suas grandes extensões no território brasileiro, há a formação de paisagens variadas, com morros, serras, chapadas e ainda vales.

Estudos sobre o relevo brasileiro

O primeiro grande estudo sobre o relevo brasileiro foi promovido por Aroldo de Azevedo, quando em 1940 é criada a primeira classificação dos compartimentos do relevo brasileiro. Para Aroldo de Azevedo, os planaltos seriam terrenos levemente acidentados, com mais de 200 metros de altitude.

A delimitação do pesquisador divide o território brasileiro em oito unidades de relevo, sendo que os Planaltos ocupam 59% do total deste. A classificação de Aroldo de Azevedo divide o Brasil em: Planalto das Guianas, Planície Amazônica, Planalto Central, Planície do Pantanal, Planalto Atlântico, Planície Costeira, Planalto Meridional e a Planície do Pampa.

Classificação de relevo de Aroldo Azevedo

Território brasileiro em oito unidades de relevo

Um segundo estudo de grande importância quanto ao relevo brasileiro foi efetuado por Aziz Ab’Saber, o qual em 1958 apresentou novas evidências e explicações sobre o relevo brasileiro a partir de suas pesquisas. Para Aziz Ab’Saber, os planaltos não deveriam ser caracterizados apenas por uma altitude acima dos 200 metros, mas seriam áreas onde os processos de erosão superariam os processos de sedimentação.

Neste sentido, são apresentadas dez compartimentações do território brasileiro, e os planaltos seriam responsáveis por 75% da superfície. São as compartimentações do relevo para Aziz Ab’Saber: Planalto das Guianas, Planície e Terras Baixas Amazônicas, Planalto do Maranhão-Piauí, Planalto Nordestino, Planalto Central, Planalto Brasileiro, Planícies e Terras Baixas Costeiras, Planície do Pantanal, Serras e Planaltos do Leste e Sudeste, Planalto Meridional e Planalto Uruguaio Sul-Rio-Grandense.

Classificação de relevo de Aziz Ab`Saber

Dez compartimentações do território brasileiro

E ainda, mais recentemente e com melhores condições tecnológicas, no ano de 1989 é apresentada uma nova compartimentação do relevo brasileiro, desta vez constituída pelas pesquisas de Jurandyr Ross com base no Projeto Radambrasil (1970-1985). Para Jurandyr Ross, o relevo brasileiro é composto por planaltos de dois tipos, sendo eles os de Bacias Sedimentares e os de Estruturas Cristalinas e Dobradas Antigas.

A grande novidade da pesquisa de Jurandyr Ross em relação às anteriores é o acréscimo da categoria de “Depressões” também entre as formas de relevo brasileiro, além das já referenciadas Planaltos e Planícies, já presentes nas pesquisas anteriores. Na ocasião, Jurandyr Ross compartimentou o território brasileiro em 28 partes, conforme imagem abaixo:

Classificação relevo do Brasil de Jurandyr Ross

Especialista compartimentou o território brasileiro em 28 partes

O Planalto Central do Brasil

De modo geral, o Planalto Central brasileiro está localizado bem na região central do território brasileiro, e abrange áreas dos estados de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Tocantins e Goiás.

Nos estudos de Aroldo de Azevedo e de Aziz Ab’Saber sobre a compartimentação do relevo brasileiro, a denominação de “Planalto Central” ainda está presente, no entanto, nos estudos de Jurandyr Ross, ele é diluído em compartimentações menores segundo características mais especializadas. Basicamente, o Planalto Central envolve a região Centro-Oeste brasileira, se estendendo também para o Tocantins e para Minas Gerais.

A região de abrangência do Planalto Central hoje é mais conhecida pelas delimitações do relevo propostas por Jurandyr Ross, por ter sido uma pesquisa com base tecnológica e mais recente, o que forneceu uma visão mais especializada sobre a compartimentação do relevo.

Importantes planaltos brasileiros

Assim, na região estão presentes importantes Planaltos brasileiros, como o Planalto e Chapada dos Parecis, os Planaltos e Chapadas da Bacia do Paraná, os Planaltos e Serras de Goiás-Minas, as Serras Residuais do Alto Paraguai e os Planaltos Residuais Sul-Amazônicos.

Na região do Planalto Central brasileiro estão ainda importantes rios da região, sendo comum a ocorrência das chamadas “águas emendadas”, porque os Planaltos não apresentam a separação dos rios. Assim, em um mesmo ponto surgem nascentes de rios de duas bacias hidrográficas diferentes, os quais correm para direções diferentes.

Hidrografia do Planalto Central

Estão presentes na região do Planalto Central, três importantes regiões hidrográficas brasileiras, sendo elas a Região Hidrográfica Amazônica, a Região Hidrográfica Tocantins-Araguaia e a Região Hidrográfica Paraguai. São importantes rios que constituem estas regiões hidrográficas o Rio Xingu e o Rio Tapajós (Amazônica), o Rio Araguaia e o Rio Tocantins (Tocantins-Araguaia) e ainda o Rio Paraguai, na Região Hidrográfica Paraguai.

O clima na região do Planalto Central é marcado por características de tropicalidade, por ser uma região localizada na região intertropical. São registradas duas estações bem definidas, uma chuvosa (outubro a março) e outra seca (abril a setembro).

Vegetação do Planalto Central

A vegetação original da região do Planalto Central é o Cerrado, onde estão presentes árvores de pequeno porte, com características retorcidas, clássicas de locais com solos pobres. Além das árvores, estão presentes gramíneas, amplamente utilizadas como pastagens. Em locais onde os solos são mais férteis, pode se desenvolver uma vegetação mais vistosa, constituindo os chamados “Cerradões”.

Nas áreas mais úmidas dos Cerrados podem se formar ainda as matas galerias ou matas ciliares, nas áreas próximas aos cursos de água. Um dos mais sérios problemas em relação aos Cerrados é a questão das queimadas, justamente pelo tipo de vegetação presente aliado ao calor nos períodos de seca.

Na vegetação do cerrado estão presentes árvores de pequeno porte, com características retorcidas

A vegetação original da região do Planalto Central é o Cerrado (Foto: Reprodução/Instituto Chico Mendes)

 

Referências

» MARTINEZ, Rogério; GARCIA, Wanessa. Novo Olhar: Geografia. São Paulo: FTD, 2013.

» MOREIRA, João Carlos; SENE, Eustáquio de. Geografia. São Paulo: Scipione, 2011.

» MOREIRA, Igor. Mundo da Geografia. Curitiba: Positivo, 2012.

» VESENTINI, José William. Geografia: o mundo em transição. São Paulo: Ática, 2011.

Sobre o autor

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Mestre em Geografia e Graduada em Geografia pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Especialista em Neuropedagogia pela Faculdade Alfa de Umuarama (FAU) e em Educação Profissional e Tecnológica (São Braz).