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Platelmintos

O nome Platelminto significa “vermes com o corpo achatado dorsoventralmente”, platýs = chato e helmintos = verme. Os platelmintos são animais triblásticos, acelomados, com simetria bilateral, apresentam uma região anterior e uma posterior, uma dorsal e uma ventral. Entre os platelmintos há espécies de vida livre, que são predadoras ou que se alimentam de animais mortos. Estão presentes nos mares, na água doce e em ambientes terrestres úmidos.

Existem também platelmintos que são parasitas de outros animais, inclusive do ser humano. É o caso do Schistosoma mansoni, que causa a esquistossomose (barriga d’água) e da Taenia solium, que causa a teníase e a cisticercose. Há espécies de vermes em que os indivíduos são microscópicos, mas há também espécies em que os indivíduos são muito longos, atingindo cerca de 10 metros de comprimento, como algumas espécies da tênia ou solitária (parasitas intestinais).

Independentemente do comprimento, a espessura do corpo dos platelmintos é muito pequena. Com isso, as células mais internas do corpo não ficam muito distantes da superfície, o que permite a troca de gases respiratórios e a liberação de excretas nitrogenadas (amônia) por difusão através da superfície corporal.

Uma das classes dos Platelmintos são as turbelárias, como a planária

As planárias são platelmintos de água doce (Foto: Reprodução/Wikimedia Commons)

Classes de platelmintos

Classe Turbellaria

Os turbelários são platelmintos de vida livre, como as planárias de água doce. As planárias são animais hermafroditas, com autofecundação rara. Na região anterior do corpo existem dois ocelos, estruturas sensoriais capazes de perceber a luz, mas que não formam imagens. Durante a cópula desses animais, dois indivíduos se unem e trocam espermatozoides e depois se separam. Após a fecundação, um ou mais zigotos ficam protegidos em cápsulas que são liberadas pelo poro genital. Estas fixam-se ao substrato e delas eclodem planárias jovens. As planárias também podem se reproduzir assexuadamente por fissão transversal.

Classe Trematoda

Os trematódeos são platelmintos parasitas que apresentam uma ou duas ventosas usadas na fixação ao corpo do hospedeiro. Quando existem duas ventosas, uma localiza-se ao redor da boca e a outra fica em posição ventral. O revestimento do corpo é modificado e desempenha papel importante na proteção do animal contra substâncias produzidas pelo hospedeiro. Na superfície corpórea há absorção de nutrientes, principalmente aminoácidos, por pinocitose e também ocorrem trocas gasosas e liberação de excretas.

Um exemplo de trematódeo é um parasita humano que se destaca no Brasil chamado Schistosoma mansoni, causador da esquistossomose ou esquistossomíase. Essa espécie é uma das poucas entre os platelmintos que apresentam sexos separados e dimorfismo sexual, ou seja, é possível reconhecer machos e fêmeas pelo aspecto externo do corpo. Durante o ciclo de vida deste parasita há a necessidade de um hospedeiro intermediário, um caramujo do gênero Biomphalaria.

Classe Cestoda

Os cestódeos são platelmintos parasitas, representados principalmente pelas tênias (parasitas intestinais). Eles não têm boca nem demais estruturas do sistema digestório, os nutrientes são obtidos apenas por pinocitose ou por absorção através do revestimento do corpo. Este é modificado com características que possibilitam não só a absorção de nutrientes, como também proteção contra as substâncias produzidas pelo hospedeiro. As espécies mais importantes para o ser humano são: Taenia solium e Taenia saginata. Esses animais podem atingir no intestino humano até 10 m de comprimento. Pelo fato de geralmente existir apenas um indivíduo no corpo do hospedeiro, as tênias são chamadas também de solitárias.

Referências

» Brusca, Richard C., and Gary J. Brusca. Invertebrados. No. Sirsi) i9788448602468. McGraw-Hill, 2005.

» Rey, Luis. “Parasitologia.” Revista do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo 33.2 (1991): 104.

» Ferreira, Daniela, and Fernanda Lúcia Alves Ferreira. “Teniase e Cisticercose.” PUBVET 11 (2016): 103-206.

Sobre o autor

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Natália Duque é Graduada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro.