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Pré-modernismo

Os escritores do Pré-Modernismo no Brasil exploraram temáticas históricas, políticas e econômicas

O período sincrético histórico-literário brasileiro denominado Pré-modernismo marca, durante as duas primeiras décadas do século XX, a transição entre o Simbolismo e o Modernismo.

É importante ressaltar que o referido movimento não corresponde a uma escola literária, mas a um conjunto de escritores que apresentaram características comuns em suas obras.

Em sua obra “História Concisa da Literatura Brasileira, o crítico literário Alfredo Bosi afirma que é possível chamar pré-modernista tudo o que, nas primeiras décadas do século XX, problematiza a realidade social e cultural do Brasil.

Contexto histórico do Pré-modernismo

No Brasil, o fim do século XIX e o início do século XX foram marcados por importantes mudanças políticas, econômicas e sociais.

Obra "Os Operários"

Tarsila do Amaral foi uma das artistas plásticas do movimento Pré-modernismo (Foto: Reprodução | Site Tarsila do Amaral)

Em 1984, o primeiro presidente civil do país, Prudente de Morais, tomou posse, dando início à chamada República do café-com-leite, onde a economia era dominada pelos grandes cafeicultores de São Paulo e dos pecuaristas de Minas Gerais.

Além disso, outros fatores contribuíram para acentuar os contrastes da realidade brasileira, incluindo o auge da produção agropecuária na região Sudeste, o crescente processo de urbanização de São Paulo e o declínio da cultura canavieira do Nordeste.

Diante desse cenário, ideologias entraram em choque e deram início a diversos conflitos sociais isolados, tais como a Revolta de Canudos, no sertão nordestino; o caso do Padre Cícero, em Juazeiro (Ceará); o fenômeno do cangaço; as Revoltas da Vacina e da Chibata, no Rio de Janeiro; as greves operárias em São Paulo; e a Guerra do Contestado, na fronteira entre os estados do Paraná e Santa Catarina.

Características pré-modernistas

Para diversos estudiosos, o Pré-Modernismo no Brasil não deve ser considerado uma escola literária, uma vez que apresenta produções artísticas e literárias com características neorrealistas, neoparnasianas e neossimbolistas.

É possível compreender a fase como um termo genérico para designar a produção de alguns autores que, embora ainda não sejam considerados modernos, já promoviam rupturas com o passado.

Entre as principais características do movimento pré-modernista estão a ruptura com a linguagem acadêmica e artificial dos parnasianos, a problematização e denúncia da realidade sócio-cultural brasileira, o regionalismo e o nacionalismo, e a exposição de personagens como o operário suburbano, o mulato, o caipira interiorano e o imigrante.

Ao retratarem as figuras desses tipos humanos, os escritores buscavam mostrar um novo regionalismo, mostrando uma terra diferente da revelada durante os períodos do Romantismo e Realismo-Naturalismo.

Não raro, as temáticas envolviam fatos históricos, políticos, econômicos e sociais contemporâneos, aproximando, assim, a realidade da ficção.

Autores e obras

Os escritores do Pré-Modernismo no Brasil romperam com a linguagem formal e exploraram temáticas históricas, políticas e econômicas, analisando o período vivido pelo país nas primeiras décadas do século XX.

Considera-se que as obras “Os Sertões”, de Euclides da Cunha, e “Canaã”, de Graça Aranha, publicados em 1902, marcam o início do período pré-modernista.

Os Sertões, de Euclides da Cunha

“Os Sertões”, publicado em 1902, trata da Guerra de Canudos (1896-1897), no interior da Bahia. Dividida em três partes (A Terra, O Homem e A Luta), a obra de Euclides da Cunha faz uma análise completa da terra e do sertanejo nordestino.

O escritor presenciou parte da guerra como correspondente do jornal O Estado de S. Paulo, e a obra pertence, ao mesmo tempo, à prosa científica e à prosa artística.

Em “História Concisa da Literatura Brasileira”, o professor Alfredo Bosi afirma que “Os Sertões são um livro de ciência e de paixão, de análise e de protesto”.

Canaã, de Graça Aranha

Em “Canaã”, também publicado no ano de 1902, o escritor Graça Aranha documenta a imigração alemã no estado do Espírito Santo, por meio do conflito entre dois personagens principais, Milkau e Lentz, representantes de distintas linhas filosóficas.

O romance aborda temas como opressão feminina, militarismo, imperialismo germânico, ostracismo, dentre outros.

Outros autores

Além de Euclides da Cunha e Graça Aranha, outros importantes autores abrem caminho para o Modernismo, incluindo Lima Barreto, Monteiro Lobato e Augusto dos Anjos.

Referências

BOSI, Alfredo. “História Concisa da Literatura Brasileira“. Editora Cultrix. Edição: 47ª (25 de maio de 2015).

Universidade de São Paulo (USP). “Pré-modernismo“. Disponível em: nilc.icmc.usp.br/nilc/literatura/pr..modernismo1.htm. Acesso em 9 de maio de 2018.

Sobre o autor

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Formada em Letras (Licenciatura em Língua Portuguesa e suas Literaturas) pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), com certificado DELE (Diploma de Español como Lengua Extranjera), outorgado pelo Instituto Cervantes. Produz conteúdo web, abrangendo diversos temas, e realiza trabalhos de tradução e versão em Português-Espanhol.