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Pteridófitas

Os representantes dessa categoria de plantas não possuem sementes nem flores. Conheça

As plantas podem ser agrupadas em dois grandes grupos: criptógamas e fanerógamas. No grupo das criptógamas temos as algas, as briófitas e as pteridófitas. As pteridófitas foram as primeiras criptógamas a apresentarem um sistema de vasos condutores, formada por xilema e floema.

Devido a presença de xilema e floema, as pteridófitas e todas as fanerógamas são chamadas de plantas vasculares ou traqueófitas. Já as briófitas, que não têm esses tecidos, são chamadas atraqueófitas. As fanerógamas são plantas de maior porte. Exemplos de pteridófitas: samambaias, avencas, xaxins e cavalinhas.

O surgimento de xilema possibilitou o transporte rápido de água e sais minerais do solo até as folhas, e o floema possibilitou o transporte de água e produtos da fotossíntese das folhas para as demais partes da planta. Dotadas de um transporte de substâncias mais eficiente, adquiriram um porte maior do que as briófitas.

Algumas espécies de pteridófitas, como as samambaias, podem atingir cerca de 15 metros de comprimento. As pteridófitas também têm tecidos de sustentação, o que permitiu que se mantivessem eretas. Elas apresentam raízes, caule e folhas.

O que são as pteridófitas?

O termo pteridófita, já consagrado, pode se referir ao conjunto de todas as traqueófitas sem sementes ou apenas ao Filo Pteridophyta ou Pterophyta. Do grego pteridon = feto; phyton = planta.

Samambaia

A samambaia é um exemplo de pteridófitas (Foto: depositphotos)

Características

As pteridófitas possuem raízes, caule e folhas. Na escala evolutiva, foram as precursoras dos vasos condutores de seiva (xilema e floema). São plantas sem sementes, ou seja, são criptógamas. Os vasos condutores possibilitaram melhor desenvolvimento do porte da planta, chegando a alcançar alguns metros de altura, como o samambaiaçu (de onde se extrai o xaxim) e também contribuiu para a adaptação ao ambiente terrestre.

Classificação

As plantas coletivamente chamadas pteridófitas são atualmente classificadas em dois filos: Pteridophyta e Lycopodiophyta.

  • Pteridophyta ou Pterophyra (pteridófitas ou pterófitas): os principais representantes são as samambaias e as avencas (ambas filicíneas), que são plantas comuns em regiões tropicais. As folhas jovens das filicíneas formam os báculos (folha jovem em forma de gancho, designação que decorre da semelhança com bastões altos de extremidade recurvada). Os esporângios ficam localizados em soros. O caule das samambaias é subterrâneo, com desenvolvimento na horizontal e por isso são chamados de rizomas. As samambaias arborescentes podem apresentar, na base de seus troncos eretos, uma trama de raízes adventícias (raízes que partem do caule), que pode alcançar grande volume. Essa trama é conhecida popularmente por xaxim, muito utilizado antigamente na fabricação de vasos para algumas plantas ornamentais. O uso irracional desse recurso natural provocou a diminuição das populações naturais de espécies formadoras de xaxim e, por isso, o uso do xaxim está proibido.
  • Lycopodiophyta ou Lycophyta: agrupa os gêneros Lycopodium e Selaginella. As do gênero Lycopodium compreende várias espécies com propriedades medicinais. As espécies do gênero Lycopodium ocorrem desde as regiões árticas até as tropicais, e as do gênero Selaginella são muito comuns em matas tropicais, mas também ocorrem em regiões áridas e semiáridas, como desertos e caatingas. Nesses locais, os indivíduos permanecem em estado latente, só se reproduzindo quando há aumento na umidade do ar ou em épocas de chuva. Em função dessa característica, essas espécies de Selaginella são chamadas plantas revivescentes. Os esporângios das plantas desse filo ficam reunidos em estróbilos.

Veja tambémReprodução das plantas

Estrutura das Pteridófitas

As pteridófitas são plantas vasculares, ou seja, apresentam xilema e floema, são dotadas de raiz, caule e folhas. São indivíduos que não possuem sementes nem flores.

Reprodução

Algumas espécies se reproduzem assexuadamente por fragmentação ou brotamento (pedaços do caule). Mas o principal tipo de reprodução é sexuada por metagênese ou alternância de gerações.

Nas pteridófitas, os gametófitos são reduzidos e os esporófitos são a fase predominante do ciclo de vida. Nos esporófitos, os esporângios podem ficar reunidos em estruturas especiais chamadas soros. Cada soro corresponde a vários esporângios inseridos na face inferior das folhas. Pteridófitas do grupo das selaginelas possuem os esporângios reunidos em estróbilos (ou cones), ramos curtos com pequenas folhas férteis.

Na face inferior das folhas férteis localizam-se os esporângios. Os esporângios são pequenas bolsas no interior das quais são encontradas as células-mãe de esporos (2n) e que por meiose produziram esporos (n). O esporângio possui na epiderme um espaçamento formado por uma camada de células que o envolve, deixando um pedaço de epiderme sem proteção.

O esporângio perde água, tornando-se ressecado. A região sem proteção, rompe-se e os esporos são liberados. Caindo em ambiente favorável, germinam, originando o protalo. O protalo é hermafrodita ou monoico, ou seja, possui anterídeos (gametângios masculinos) e arquegônios (gametângios femininos), nos quais se formam os gametas. A abertura do anterídeo ocorre pela presença de água que provém de respingos da chuva ou de orvalho.

Com a presença de água, os anterozoides são liberados. Atingindo o arquegônio, nadam até a oosfera, fecundando-a e formando o zigoto (2n) que, ao se desenvolver, origina o esporófito. Na face inicial de desenvolvimento, o esporófito alimenta-se do gametófito, depois passa a ter vida independente, e o gametófito regride e desaparece.

Ciclo de vida das samambaias

No ciclo de vida das samambaias, os esporos (n) são liberados e, ao germinar, dão origem ao gametófito, que nesse grupo é denominado protalo. Em um mesmo protalo desenvolvem-se gametângios femininos e masculinos. Depois da fecundação da oosfera pelo anterozoide, forma-se o embrião que dará origem ao esporófito, reiniciando o ciclo de vida.

Habitat

São vegetais mais bem adaptados à vida terrestre que as briófitas, mas ainda dependem da água para a reprodução, o que limita seu espaço a ambientes úmidos e sombrios. Algumas espécies vivem em ambientes de água doce. Outras espécies são epífitas, ou seja, usam outra planta como suporte sem parasitá-la.

Referências

» PACIENCIA, Mateus LB; PRADO, JEFFERSON. Efeitos de borda sobre a comunidade de pteridófitas na Mata Atlântica da região de Una, sul da Bahia, Brasil. Revista Brasileira de Botânica, v. 27, n. 4, p. 641-653, 2004.

» PIETROBOM, Marcio Roberto; BARROS, Iva Carneiro Leão. Associações entre as espécies de pteridófitas em dois fragmentos de Floresta Atlântica do Nordeste Brasileiro. Biotemas, v. 19, n. 3, p. 15-26, 2006.

» FERNANDES, Rozijane Santos et al. Samambaias e licófitas do município de Caxias, Maranhão, Brasil. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi Ciências Naturais, v. 5, n. 3, p. 345-356, 2010.

Sobre o autor

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Natália Duque é Graduada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro.