Quais as diferenças entre candomblé e umbanda? Conheça essas religiões

Enquanto o Candomblé praticado no Brasil atualmente é conhecido como afro-brasileiro, a Umbanda é uma religião genuinamente brasileira. Confira!

Quando se fala em religiões afro-brasileiras, logo vem a mente o Candomblé e a Umbanda, pois são muito conhecidas no Brasil todo. Mas, apesar de serem duas religiões diferentes, é comum que as pessoas tentem englobá-las em uma só doutrinação. Portanto, é necessário estabelecer as inúmeras diferenças que estas crenças possuem, respeitando assim a história e as especificações de cada uma.

Mesmo sendo religiões que cultuam orixás e que fazem uso de atabaques e miçangas, tratam-se de duas vertentes que possuem diversas características diferentes. Neste caso, para entender melhor estas diferenciações é necessário começar pelo surgimento de cada uma delas.

O surgimento destas religiões

O Candomblé é uma religião propriamente africana, mas se instalou no Brasil através da chegada dos negros trazidos para o país na condição de escravos. Os africanos vinham de diferentes regiões da África e por isso possuíam diferentes formas de cultuar suas divindades. Neste sentido, os negros e suas características religiosas e culturais eram divididos por nações, sendo elas: Kêto/Nagô, Jêje e Angola/Congo.

Quais as diferenças entre candomblé e umbanda? Conheça essas religiões

Foto: depositphotos

No Brasil, porém, toda esta diversidade religiosa foi duramente repreendida pelos portugueses que eram predominantemente católicos. Mesmo com a imposição dos brancos, os africanos passaram a adotar certas características católicas para “camuflar” a religião afro. Neste cenário formado por sincretismos surge os diversos tipos de Candomblé no território brasileiro.

Enquanto o Candomblé praticado no Brasil atualmente é conhecido como afro-brasileiro, a Umbanda é uma religião genuinamente brasileira. De acordo com o site Umbanda 24 horas, esta vertente nasceu em 1908 através do Médium Zélio Fernandino de Moraes e de seu guia, o Caboclo das 7 encruzilhadas. Rompendo-se com o espiritismo, a Umbanda carrega consigo elementos desta religião, bem como características dos indígenas, católicos e também africanos.

Candomblé X Umbanda: o que diferencia estas vertentes?

Diante do surgimento destas religiões, é possível estabelecer as principais diferenças entre elas. Por exemplo, enquanto a Umbanda realiza cultos para orixás e falanges (entidades), o Candomblé resume-se aos cultos para orixás. Para o médium e escritor umbandista Noberto Peixoto, na religião brasileira há a incorporação das entidades, momento conhecido como transe mediúnico. Já na de matriz africana, ocorre a manifestação do orixá, quando a divindade aflora e se integra a personalidade da matéria.

Outra grande diferença que existe entre o Candomblé e a Umbanda, ainda levando em consideração a explicação de Noberto, é que nesta primeira vertente há a sacralização dos animais, enquanto que na segunda não há este tipo de procedimento. As cantigas também são diferentes nos cultos, tendo em vista que na maioria das casas candomblecistas as músicas são cantadas de acordo com a língua que seus orixás falam. Na Umbanda, as músicas são em português.

O nome dado a pessoa que comanda o centro de Umbanda ou a casa de Candomblé também são diferentes. Na primeira situação, dá-se o nome de Pai de Santo ou Mãe de Santo, Pai de Terreiro ou Mãe de Terreiro, ou apenas Dirigente. Já no segundo caso, chama-se o sacerdote de Babalorixá ou Babalaô. Contudo, em ambas as religiões é necessário que o religioso passe por um processo de iniciação.

Por fim, mas não menos importante, há diferenças com relação as divindades cultuadas. Segundo o site Umbanda 24 horas, a Umbanda só trabalha com nove orixás, são eles: Ogum, Oxossi, Iemanjá, Iansã, Oxalá, Xangô, Obaluaê/Omulú, Nana Buruquê e Oxum. Enquanto isso, as várias casas de Candomblé podem variar o número de divindades, tendo algumas com 16 e outras que atingem até 72 orixás.