Biografia de Dorothy Stang

A biografia de Dorothy Stang retrata ela como sendo uma freira norte-americana naturalizada brasileira. Ela nasceu em Dayton, no estado de Ohio, em 1931. A religiosa adotou o Brasil para viver em 1966 e teve um fim trágico ao ser assassinada no estado do Pará em 2005.

Irmã Dorothy, como era conhecida, foi o pivô de um disputa antiga no Brasil. Ela era defensora da reforma agrária, sustentabilidade e defesa do meio ambiente.

Dorothy lutava bravamente em defesa dos mais empobrecidos e foi esse o motivo que a fez ser vítima brutal dos interesses dos grileiros e fazendeiros do Norte do Brasil.

A história de violência contra Dorothy Stang percorreu o mundo e chocou as pessoas pela forma covarde com que tentaram calar a idosa de 73 anos. Mas o efeito foi ao contrário: o assassinato ecoou ainda mais a luta entre os desiguais desse país.

Conheça a história religiosa de Dorothy Stang

O nome completo da religiosa era Dorothy Mae Stang. Sua congregação era a das Irmãs de Nossa Senhora de Namur. Essa ordem existe em todo o mundo e possui cerca de 2 mil freiras, cuja principal missão é desenvolver trabalho pastoral junto às comunidades.

A palavra pastoral vem de pastor. E o grande pastor para os católicos é Jesus Cristo. Portanto, fazer um trabalho pastoral, significa imitar o que Cristo fez no mundo atual.

Dorothy em prol das pessoas

E era esse o desejo de Dorothy Stang ao escolher seguir a vida religiosa em 1948, com apenas 17 anos. Depois de 8 anos de estudo, aos 24 anos, Dorothy encerrava um ciclo de estudos e dedicação para finalmente fazer seus votos perpétuos.

Na congregação das Irmãs de Nossa Senhora de Namur, os votos perpétuos são: pobreza, obediência e castidade. O primeiro significa que o religioso abre mão dos bens materiais em prol da missão de evangelizar; o segundo é saber abrir mão das suas vontades e se tornar um instrumento do Espírito Santo; já o terceiro é oferecer-se a Deus em sacrifício aos desejos do corpo para ter mais liberdade de afeto.

E foi durante seu exercício religioso que ela descobriu uma de suas paixões: ensinar. Entre os anos de 1951 e 1966, a irmã Dorothy Stang foi professora nas escolas da própria congregação das Irmãs de Nossa Senhora de Namur em diferentes lugares dos Estados Unidos.

A irmã lecionou os valores cristãos em St. Victor School, que fica em Calumet City, no estado de Illinois; em St. Alexander School, na Villa Park, também no estado americano de Illinois e Most Holy Trinity School, na cidade de Phoenix, no estado do Arizona.

Ela ocupou essa função até o ano de 1966 quando decidiu que sua missão seria no Brasil.

Com atividades na região norte do Brasil, Dorothy foi uma importante missionária

Dorothy foi uma importe missionária na região norte do Brasil (Foto: Reprodução | Record TV)

A missão de Dorothy Stang no Brasil

O ano era 1966 e a irmã Dorothy Stang escolheu o Brasil para realizar a sua missão. O destino escolhido foi a cidade maranhense de Coroatá. A proximidade da região com o Norte brasileiro fez com que a religiosa acabasse voltando o seu trabalho para a Amazônia.

Irmã Dorothy estava presente na Amazônia desde a década de setenta junto aos trabalhadores rurais da Região do Xingu.

Sua atividade pastoral e missionária buscava a geração de emprego e renda com projetos de reflorestamento em áreas degradadas, junto aos trabalhadores rurais da Transamazônia.

Esses trabalhadores foram os responsáveis por construir a BR-230 conhecida como Rodovia Transamazônica, iniciada em 1969 por ordem do presidente Médici.

Com 4.223 quilômetros, ela sai do estado da Paraíba até a cidade de Lábrea, no estado do Amazonas. Sua extensão corta 7 estados brasileiros: Amazonas, Pará, Tocantins, Maranhão, Piauí, Ceará e Paraíba.

O papel da irmã Dorothy junto a essas trabalhadores era de extrema importância, pois ela atuava em defesa dos conflitos sociais.

Causas pelas quais a irmã Dorothy Stang lutava

A história da irmã Dorothy se confunde com a de muitos trabalhadores nordestinos. Em uma época difícil para os mais pobres, eles acabaram migrando para o Pará de olho na oferta de trabalho da Transamazônica.

Foi então que a irmã Dorothy também decidiu ir para o Pará em 1982 e se fixou na Vila de Sucupira, no município de Anapu. De acordo com uma amiga e missionária da religiosa Rebeca Spires, em entrevista à Agência Brasil, Stang disse: “nosso povo está migrando para o Pará. Vamos  também. A gente não pode deixar o povo ir embora e ficar aqui”. Foi por esse motivo que viemos”.

Ainda à agência, essa Spire lembrou o pedido que escutou da irmã Dorothy: “você tem que aprender a Bíblia em português, mas tem que aprender o Estatuto da Terra, porque nós trabalhamos com lavradores e eles têm que saber como defender seus direitos. Os direitos que a lei reconhece, a gente tem que conhecer e ensinar o povo para eles saberem como batalhar por si. A gente não vai ficar a vida inteira batalhando por eles, eles que têm que fazer”.

O lema da missionária

E esse era o lema da irmã Dorothy: atuar nos movimentos sociais no Pará e intermediar os conflitos fundiários. Ela fez parte da Comissão Pastoral da Terra ainda na sua fundação e liderava os diálogos entre as lideranças locais, políticas e religiosas.

Durante esse tempo, a religiosa fundou a primeira escola de formação de professores em Anapu, a Escola Brasil Grande.

Por conta do seu trabalho, ela foi ameaçada várias vezes e uma das suas frases mais famosas foi a que falou em relação à essa perseguição: “não vou fugir e nem abandonar a luta desses agricultores que estão desprotegidos no meio da floresta. Eles têm o sagrado direito a uma vida melhor numa terra onde possam viver e produzir com dignidade sem devastar”.

Morta em 2005, Irmã Dorothy teve o corpo enterrado em Anapu

Corpo da Irmã Dorothy foi enterrado em Anapu (PA) (Foto: Wikimedia Commons)

Como foi o assassinato da Irmã Dorothy Stang

A irmã Dorothy Stang foi assassinada em 12 de fevereiro de 2005. Ela foi vítima de uma emboscada quando transitava por um estrada de terra no município de Anapu.

Nesta época, ela trabalhava a favor da implantação do Projeto de Desenvolvimento Sustentável Esperança em comunidades extrativistas da região. Isso ia de encontro com os poderosos da região que por diversas vezes a ameaçaram.

Segundo uma testemunha que viu o crime acontecer, ao ser abordada pela dupla de assassinos, a irmã mostrou a bíblia e disse: “eis a minha arma” e ainda leu alguns trechos do livro sagrado.

Em seguida seu algoz, Rayfran das Neves Sales, lhe matou com seis tiros, sendo um na cabeça e outros no restante do corpo. Tudo isso assistido pelo seu comparsa, também pistoleiro, Clodoaldo Batista.

O corpo da missionária está enterrado no município que ela escolheu para defender “os pobres mais pobres”, como ela mesma se referiu ao pedir autorização do bispo para trabalhar em Anapu, no Pará.

Investigações da morte da Irmã Dorothy Stang

As investigações confirmaram a participação de 5 pessoas no homicídio: dois fazendeiros, dois pistoleiros e um capataz.

Um dos mandantes, o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, foi condenado no primeiro julgamento, em 2007, a 30 anos de prisão. Na época, a lei dizia que qualquer pessoa condenada a mais de 20 anos tinha direito a um segundo julgamento.

E foi durante esse segundo julgamento, em 2008, que o fazendeiro foi inocentado graças a um depoimento do seu capataz Amair Feijoli Cunha, assumindo a culpa. A promotoria não se conformou com o resultado e pediu a anulação do julgamento.

Prisões dos envolvidos na morte de Dorothy

Em 2010, houve um novo julgamento que foi adiado por uma estratégia da defesa do fazendeiro.

Por fim, em 2013, houve o último julgamento de Bida, que foi condenado novamente a 30 anos, mas como já estava preso desde 2005, acabou pegando o semiaberto, apenas 8 anos depois de ter assassinado a irmã Dorothy Stang.

Os demais envolvidos também conseguiram obter uma pena mais branda. O pistoleiro que disparou contra a religiosa Rayfran das Neves Sales foi condenado a 27 anos de prisão, mas acabou passando para prisão domiciliar.

O segundo pistoleiro, Clodoaldo Batista, pegou uma pena de 17 anos e já estava cumprindo o semiaberto quando fugiu em 2011.

Já o capataz que contratou os pistoleiros a mando dos fazendeiros, Amair Feijoli Cunha, chegou a ser condenado a 27 anos de prisão, mas já cumpre prisão domiciliar.

Há ainda outro fazendeiro acusado de envolvimento no assassinato da freira, o Regivaldo Pereira Galvão. Ele foi condenado a 30 anos de prisão, mas foi preso somente em 2017, pois seu direito de aguardar o recurso de 2010 em liberdade foi suspenso. Ele é o único que se encontra preso atualmente.

Sobre o autor

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Jornalista formada pela Universidade Federal da Paraíba com especialização em Comunicação Empresarial. Passagens pelas redações da BandNews e BandSports, TV Jornal e assessoria de imprensa de órgãos públicos.