Restinga

a Restinga serve como abrigo para várias espécies faunísticas, fornecendo também alimento e abrigo, como as tartarugas marinhas

O Brasil é um país que possui vários tipos de vegetação, ao longo de seu território, por conta de sua grande extensão com 8.516.000 km². As formações vegetais brasileiras possuem as especificidades das áreas de sua ocorrência, o que confere várias composições vegetativas e faunísticas ao território brasileiro. As Restingas são formações vegetais costeiras, as quais são adaptadas às características próprias das regiões litorâneas, como o relevo, os solos e o clima.

O que são Restingas?

As Restingas podem ser consideradas como faixas arenosas de datação recente e que possuem uma dinâmica instável por sua condição de recente formação, as quais ocorrem na região litorânea de um território.

Essa definição parte do princípio geológico e geomorfológico, sendo que se entende haver uma vegetação escassa cobrindo a área arenosa. No entanto, em termos mais gerais, a Restinga é compreendida como a vegetação costeira, ou seja, são os vários tipos de vegetação que desenvolvem na região da planície costeira. As Restingas são formações que contam em sua composição com arbustos e algumas árvores. São comuns árvores como chapéu-de-sol, coqueiro e goiabeira.

A restinga é uma vegetação costeira escassa que cobre a área arenosa

Nessa vegetação, são comuns árvores como chapéu-de-sol, coqueiro e goiabeira (Foto: depositphotos)

As Restingas não são vegetações homogêneas, e podem variar em conformidade com alguns fatores como a distância em relação ao mar. A proximidade com o mar faz com que as formações vegetais estejam mais suscetíveis aos altos índices de salinidade das águas, assim como a força dos ventos que atingem às plantas é maior quando estão próximas ao mar.

Variações

As temperaturas são mais elevadas também quanto mais próximo do mar, e ainda os solos são mais inconstantes, pois dependem da dinâmica do mar quanto ao encharcamento. Nas áreas mais distantes em relação ao mar, a Restinga se desenvolve com outras condições, podendo haver um adensamento da vegetação e um consequente aumento da matéria orgânica nos solos. Além disso, com esse adensamento das plantas, alteram-se as condições microclimáticas, amenizando as elevadas temperaturas registradas nas zonas costeiras.

(Imagem: Reprodução/UFBA)

Topografia das restingas

É também um fator relevante quanto a composição das Restingas a topografia dos terrenos nos quais ela ocorre, bem como os processos erosivos pelos quais as regiões estão suscetíveis. As características dos solos alteram o desenvolvimento das Restingas, de modo que solos mais secos, onde não há alagamentos, a vegetação será diferente daquela das áreas em que existem alagamentos periódicos.

Os índices de matéria orgânica nos solos também ocasionam diferenças na constituição das Restingas, de modo que nas áreas em que a vegetação se desenvolve mais intensamente, os solos são formados por bastante material orgânico, ficando escuros em suas camadas mais superficiais, constituindo o chamado húmus.

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Dinâmica da vegetação

Outra questão relevante sobre a composição da vegetação das Restingas é que as próprias plantas têm condições de mudar as circunstâncias ambientais em seu local de abrangência, possibilitando o desenvolvimento de novas plantas.

Um exemplo disso são as árvores que estão presentes na Restinga, as quais vão amenizar as temperaturas debaixo de suas copas, possibilitando a germinação e desenvolvimento de outras espécies de plantas. Além disso, o material orgânico produzido pela árvore também poderá servir como substrato para outros tipos de vegetação.

Forma-se assim uma dinâmica de sobrevivência da vegetação das Restingas, por conta das condições adversas ao desenvolvimento de algumas espécies, como as elevadas temperaturas e a salinidade.

Preservação das Restingas

Há uma preocupação muito grande em relação a preservação das Restingas no Brasil, isso porque a existência delas está atrelada a amenização dos efeitos das ressacas do mar no litoral. Além de conferirem uma beleza significativa ao litoral, a vegetação cria microclimas que amenizam o calor nos locais nos quais se desenvolvem.

Mas a principal questão relacionada às Restingas é a importância que elas têm pela sua localização, sendo que a proximidade com o mar faz com que a vegetação da Restinga sirva como uma barreira que ameniza os efeitos ocasionados pelas dinâmicas do mar. Sem a restinga os danos ocasionados pelas ressacas seriam maiores. A existência de vegetação nas areias evita também a formação de dunas, pois estabiliza os solos pelas raízes das plantas.

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Importância para a fauna

Além disso, a Restinga serve como abrigo para várias espécies faunísticas, fornecendo também alimento para estas. As tartarugas marinhas, por exemplo, são animais que necessitam da vegetação das Restingas para sua sobrevivência, pois é nestes ambientes que fazem a desova.

Da mesma forma, várias aves usufruem da presença das Restingas, tanto para seu descanso em processos de migração, quanto para obter alimentos.

O turismo e a especulação imobiliária degradam as restingas

A Restinga serve como abrigo para várias espécies faunísticas (Foto: Reprodução/Ong Cea)

Problemas ambientais nas restingas

Existem vários fatores atrelados aos problemas ambientais nas Restingas, como o avanço da especulação imobiliária nas áreas litorâneas. Ou seja, são vendidas por valores elevadíssimos áreas nas praias, nas quais são construídas casas de alto padrão ou mesmo prédios (verticalização da orla), sendo que consequentemente a vegetação é degradada.

O turismo, sem um trabalho de conscientização da importância de preservação das Restingas, ocasiona um desequilíbrio neste conjunto vivo.

A poluição pelo descarte de lixo e mesmo de efluentes (resíduos residenciais ou mesmo industriais), práticas como caça de animais silvestres e o desmatamento têm ocasionado danos também nas áreas das Restingas, as queimadas são também sérios problemas ambientais, ainda mais em áreas nas quais o calor intenso pode tornar a vegetação mais seca e propícia aos incêndios.

O tráfego de veículos, bem como o estacionamento destes, é um problema para as Restingas, pois afeta o desenvolvimento da vegetação. As espécies exóticas inseridas nas Restingas são sérios problemas que afetam a dinâmica do ambiente, como os caramujos, que não são originários destes locais, e que alteram o ecossistema.

O planejamento para uso das áreas das Restingas, bem como a conscientização social sobre a importância destas áreas, se torna medida necessária para que as Restingas continuem tendo seu pleno desenvolvimento nas regiões de sua ocorrência.

Referências

» AZEVEDO, N.H. (Org.). Ecologia na restinga: uma sequência didática argumentativa. 1ed. São Paulo: Edição dos autores, 2014. Disponível em: http://labtrop.ib.usp.br/lib/exe/fetch.php?media=projetos:restinga:restsul:divulga:apostila:ecologia_na_restinga_cap2p22-41.pdf. Acessado em: 14 de agosto de 2017.

» PARANÁ. Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos. Série Ecossistemas paranaenses. Restinga. Disponível em: < http://www.meioambiente.pr.gov.br/arquivos/File/cobf/V1_Restinga.pdf>. Acessado em: 14 de agosto de 2017.

 » RESTINGA. Universidade Federal da Bahia. Disponível em: http://www.zonacosteira.bio.ufba.br/vrestinga.html. Acessado em: 14 de agosto 2017.

» VESENTINI, José William. Geografia: o mundo em transição. São Paulo: Ática, 2011.

Sobre o autor

Graduada em Geografia pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Especialista em Neuropedagogia pela Faculdade Alfa de Umuarama (FAU) e Mestre em Geografia (Unioeste)