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Roma Antiga: resumo completo de toda a história

Uma civilização forte culturalmente se desenvolveu e se estabeleceu na região do Mar Mediterrâneo, a civilização romana. Na antiguidade, os romanos começaram com a política expansionista, assim como os gregos, o que possibilitou não só trocas comerciais e conquistas de terras, mas o intenso intercâmbio cultural.

Roma assimilou todas as culturas que encontrou e as transformou. O resultado disso são costumes, práticas, políticas e legislações que influenciaram e influenciam diversos povos até os dias de hoje.

Origem de Roma

A civilização romana foi formada na Península Itálica por diferentes povos, entre eles os lígures, nativos da região.

Os lígures ocuparam a Península Itálica no século X a.C., mas a região central foi habitada por povos de diferentes origens, entre os quais se destacavam os italiotas, constituído pelos latinos, sabinos e saminitas, além dos etruscos. Além deles, havia ainda ao sul os gregos e os cartagineses, que fundaram colônias e disputavam o domínio das rotas comerciais no mar Mediterrâneo.

Coliseu

O Coliseu é o grande símbolo da Roma Antiga (Foto: depositphotos)

Fundação da cidade

Acredita-se que a fundação da cidade de Roma ocorreu por volta de 753 a.C., às margens do rio Tibre, com a unificação de aldeias latinas e sabinas. Por conta do solo fértil, ideal para o cultivo, a região era muito atraente para a agricultura, além de ser de fácil acesso, permitindo a navegação pelo rio Tibre e o mar Tirreno.

Sua geografia também favorecia a segurança das aldeias, seu relevo era montanhoso e fechado. A cidade recebeu os povos gregos durante o período de expansão e os povos etruscos que conseguiram conquistar Roma e dominaram a região até 509 a.C.

Organização política de Roma

Entre 753 a.C. e 509 a.C., Roma teve sete reis, sendo os quatro primeiros latinos ou sabinos e os últimos três, etruscos.

O monarca, ou seja, o rei estabelecido hereditariamente, tinha poderes militares, podia escolher e nomear pessoas para cargos públicos, controlava a elaboração e a execução das leis e era uma autoridade religiosa, considerado um mediador dos deuses, o único acesso dos súditos ao divino.

O rei controlava sozinho os poderes, mas tinha o auxilio de dois grupos políticos: o senado e a assembleia Curiata.

  • Senado: formado por patrícios com mais de 60 anos, que tinham o poder de assegurar a coroação do rei ou vetar as propostas feitas por ele.
  • Assembleia Curiata: formada por patrícios de diferentes origens e tinha função consultiva, sem direito a veto.

A república de Roma

A monarquia vigorou em Roma até 509 a.C., quando o rei, que buscava ampliar ainda mais seus poderes, tentou enfraquecer o senado e acabou sendo deposto por um grupo de patrícios. Foi nesse momento que o senado assumiu o governo, derrubando a monarquia e implantando a república.

Estrutura social

Era comum nas sociedades da antiguidade que a organização social fosse desigual e com pouca ou nenhuma mobilidade. A participação política era restrita, e poucos eram considerados cidadãos. A estrutura da Roma antiga era basicamente formado pelos seguintes grupos:

  • Patrícios: considerados descendentes dos fundadores de Roma. Eram proprietários de terra e os únicos que participavam das decisões políticas;
  • Clientes: eram plebeus que viviam sob a proteção física, econômica e jurídica de um patrício, ao qual deviam fidelidade, e também para quem trabalhavam;
  • Plebeus: homens livres que formavam a massa de trabalhadores, como: artesões, agricultores, comerciantes e pequenos proprietários. Não tinham direito à participação política;
  • Escravos: eram plebeus endividados ou prisioneiros de guerra. Eram considerados bens patrimoniais. Também não tinham direito político.

Instituições republicanas

Com o fim da monarquia foi instaurado o governo de duas pessoas, eles eram os cônsules. Os cônsules tinham um mandato de um ano e eram controlados por outras instituições que foram criadas para organizar a governabilidade: o senado, a assembleia do povo e a magistratura.

Senado

O senado era formado por patrícios, assim como era na monarquia, e seus cargos eram vitalícios. Eles tinham grande influência em todos os assuntos, assessoravam os magistrados na organização dos cultos públicos, no controle das finanças e na administração das províncias romanas. Também eram responsáveis por sancionar a assembleia do povo.

Assembleia do povo

A assembleia do povo era composta pelos patrícios e pelos plebeus enriquecidos. Eles tinham representantes na assembleia Curiata (que tratava de assuntos religiosos); nas tribos que dominavam os territórios urbanos e rurais; e nas centúrias (as forças armadas). Essa assembleia aprovava leis, administrava a justiça penal e elegia os membros para a magistratura.

Magistratura

A magistratura era composta por um corpo de funcionários administrativos que exercia o cargo por um ano. Era integrada por:

  • Cônsules: que faziam executar as leis e comandavam o exército;
  • Pretores: encarregados das funções judiciárias;
  • Edis: cuidavam da manutenção da cidade;
  • Questores: dirigiam as finanças;
  • Censores: ex-cônsules eleitos a cada cinco anos, responsáveis pela vigilância e preservação dos costumes e tradições e pelo censo (contagem da população e organização dela de acordo com a renda).

A política expansionista da Roma Antiga

Soldado romano

A política de expansão fez roma entrar em guerra com diversos povos (Foto: depositphtoos)

Em meio a consolidação da civilização romana deu-se o início a uma política de expansão territorial. Esse movimento foi importante para o crescimento da sociedade romana. Entre 300 a.C. e 270 a.C., Roma investiu em conquistas militares, ganhando sucessivas guerras contra sabinos, samnitas, etruscos, celtas, gauleses, gregos, entre outros povos, até conquistar toda a Península Itálica.

Guerras Púnicas

A política expansionista romana se chocou com o crescimento do poderio de outras civilizações, a exemplo dos Cartagos.

Esse povo do norte africano, também era chamado de púnicos, e dominava as rotas comerciais no Mediterrâneo. Por terem interesses semelhantes, Roma e Cartago entraram em conflito, que se estendeu por mais de 100 anos, intercalando guerras com períodos de paz.

Ao total, foram três batalhas. A primeira ocorreu entre 264 a.C. e 241 a.C.; a segunda, entre 218 a.C. e 202 a.C.; e a terceira, entre 149 a.C. e 146 a.C. Ao final das guerras púnicas, Cartago foi dominada pelos romanos.

Consequência

O expansionismo romano teve profundas consequências sociais devido as guerras consecutivas. Os pequenos proprietários rurais foram convocados para lutar nas guerras e, como estavam em guerra e não podiam cultivar suas terras, acabavam se endividando.

Para que pudessem pagar as dívidas, muitos dos proprietários rurais entregavam suas terras aos homens ricos. As propriedades rurais passaram a se concentrar nas mãos de poucas pessoas, o que favoreceu a formação de latifúndios.

Muitas famílias plebeias camponesas migraram do campo para as cidades de Roma em busca de trabalho, dando início a um processo de êxodo rural. Na cidade, os migrantes encontraram dificuldade para conseguir trabalho, pois havia um expressivo número de escravos.

Escravidão

Uma das principais consequências do expansionismo romano foi o aumento do número de escravos, já que a escravidão estava condicionada a dívida ou a prisão dos povos conquistados. A mão-de-obra escrava passou a estar presente em quase todos os lugares, como na agricultura, na construção de obras públicas, na pecuária, no comércio e nas minas.

Gladiadores

Os escravos também lutavam como gladiadores na arena para divertir os romanos. A maioria deles eram escravos, criminosos e prisioneiros de guerra forçados a treinar e lutar contra animais selvagens ou uns contra os outros até a morte.

Tribunato da Plebe

Com o aumento do endividamento da plebe e as constantes promessas de melhorias nas condições econômicas e jurídicas feitas pelos patrícios, que não as cumpria, os plebeus se organizaram para reivindicar medidas governamentais que aumentassem sua participação política e, consequentemente, melhorar as suas condições de vida.

Foram inúmeras lutas que pressionaram os patrícios a aprovar medidas e leis que beneficiassem as classes mais baixas como o Tribunato da Plebe, onde aconteceu uma seleção de um grupo de plebeus que tinham o poder de convocar e presidir a Assembleia do povo, convocar reuniões do senado, propor novas leis, intervir em nome dos plebeus em assuntos legais e vetar ações de magistrados para proteger os interesse da classe.

Leis que beneficiaram a plebe:

  • Lei Canuleia: permitia o casamento entre patrícios e plebeus.
  • Lei Licínia: abolia a escravidão por dívidas e determinava que um dos cônsules eleitos deveria ser plebeu.
  • Lei Ogúlnia: permitia que plebeus se tornassem sacerdotes.
  • Lei Hortência: determinava que as decisões da assembleia do povo se tornassem lei por meio de votação, conhecido como plebiscito.

Reforma agrária

Os irmãos Tibério e Caio Graco, eleitos tribunos da plebe, promoveram outras tentativas de solucionar os problemas sociais da época gerados pela concentração de terra nas mãos dos mais ricos.

Tibério criou um projeto de lei para limitar o direito de ocupação das terras públicas, que deveriam ser divididas e distribuídas aos cidadãos, reduzindo a concentração delas.

Caio Graco, por sua vez, conseguiu aprovar a Lei Frumentária, pela qual o trigo, principal alimento dos pobres, deveria ser vendido à população mais pobre por preços abaixo do mercado. Apesar da aprovação da lei, suas outras propostas foram recusadas, de modo que a reforma agrária nunca aconteceu e os patrícios continuaram mantendo seus privilégios.

O fim da república da Roma Antiga

Em quatro séculos de conflitos entre plebeus e patrícios, as agitações sociais passaram a ser tão intensas que geraram uma crise nas instituições políticas, afetando a governabilidade em Roma.

Os generais, que haviam ganhado popularidade graças às vitórias obtidas nas guerras de conquista, passaram a ter o respeito e o apoio de grande parte da população, o que possibilitou a alguns deles chegar ao poder.

No poder, os militares passaram a questionar constantemente o senado, não aceitando as determinações e desrespeitando as normas legais. Um desses militares foi o general Caio Mário (157 a. C. a 86 a. C.) que, após ser eleito cônsul, reduziu o poder do senado e promoveu a profissionalização do exército. Os soldados profissionais, em retribuição, passaram a ter maior fidelidade ao general do que ao senado, gerando uma série de conflitos.

Em 82 a. C., o general Sila, de origem patrícia, foi nomeado ditador pelo senado romano. Ele realizou reformas que provocaram profundas consequências para a república romana, como a devolução do poder do senado à aristocracia e a proibição dos tribunos de participar da assembleia do povo.

O caráter autoritário dos militares contribuiu para que eles não entrassem em acordo com os próprios líderes de governo, fazendo com que houvesse trocas constantes de governantes até 31 a.C., quando o general Otávio derrotou seus concorrentes, assumiu sozinho o poder e tornou-se o primeiro imperador de Roma.

O império romano

Na Roma antiga o império era governado pelo imperador, título que indicava que uma pessoa era detentora de todos os poderes civis e militares e podia exigir obediência dos cidadãos. Quando Otávio se tornou imperador (63 a.C. a 14 a.C.) ele procurou assegurar a hegemonia romana.

Otávio manteve em funcionamento as instituições republicanas, como o senado e a magistratura, mas estabeleceu uma forma de governo, o principado.

Durante seu governo, o imperador procurou amenizar os problemas e tensões sociais e políticas por intermédio da manutenção do projeto de expansão, da construção de obras públicas, do estímulo ao comércio, do patrocínio a artistas e do intercâmbio entre diferentes regiões do império.

Havia também um programa chamado Pax Romana, que promovia a pacificação interna por meio da repressão às províncias rebeldes e da política do “pão e circo”, que consistia em oferecer à plebe trigo a preços baixos e espetáculos como lutas de gladiadores e corridas de cavalos.

Em 117, o império romano atingiu a sua extensão máxima com uma relativa paz social e expressivo crescimento econômico.

As mulheres de Roma

As mulheres romanas, como em muitas sociedades antigas, não podiam participar da vida política nem pública. Não podiam se eleger, muito menos ocupar cargos no Estado. Estavam submetidas ao poder dos patrícios (nas famílias mais ricas) ou aos chefes de família (nas famílias plebeias).

As mulheres patrícias podiam caminhar pelas ruas acompanhadas de suas damas de companhia e de suas escravas. Se casavam, em média, com 14 anos de idade, e sempre com casamentos arranjados pelos pais. Em seu tempo livre podiam ter diversas atividades como a leitura e o estudo. No casamento, as mulheres mantinham suas riquezas sem transmiti-las aos maridos, podiam elaborar testamento, solicitar o divórcio e casar novamente.

E por mais que não pudessem assumir cargos públicos, as mulheres patrícias podiam participar das eleições apoiando candidatos, organizando eventos como reuniões e banquetes, além de possuírem propriedades.

As mulheres plebeias tinham maior autonomia em alguns aspectos. Podiam, por exemplo, andas pelas ruas e tinham liberdade de casar com quem quisessem. Podiam trabalhar, o que possibilitava o contato com diferentes pessoas e o acesso a outros ambientes.

Resumo do Conteúdo
Nesse texto você aprendeu que:

  • A civilização romana se estabeleceu na região do mar Mediterrâneo, na Península Itálica.
  • A Roma antiga foi o berço do poderoso império romano.
  • Os lígures eram os povos nativos da Península Itálica.
  • As classes sociais eram divididas em Patrícios, Clientes, Plebeus e Escravos.
  • A república de Roma era administrada pelo Senado, pela Assembleia do Povo e pela Magistratura.
  • A política de expansão fez Roma dominar todo o território da Península Itálica.
  • A disputa entre plebeus e patrícios pôs fim a república de Roma.
  • Otávio se intitulou imperador, dando início ao império romano.

Exercícios resolvidos

1) Quando Roma foi fundada?
R: Estima-se que ocorreu por volta de 753 a.C.
2) Quais povos formaram os romanos?
R: Lígures, italiotas, sabinos e saminitas, etruscos, gregos e cartagineses.
3) Quem eram os patrícios?
R: Descendentes dos fundadores de Roma. Eram proprietários de terra e os únicos que participavam das decisões políticas.
4) Por quem era integrada a Magistratura?
R: Por Cônsules, Pretores, Edis, Questores e Censores.
5) Quem foi o primeiro imperador de Roma?
R: Otávio.
Referências

» MACHADO, Carlos Augusto Ribeiro. Roma e seu império. São Paulo: Saraiva, 2009.

» MENDES, Norma Musco. Roma republicana. São Paulo: Ática, 1989.

» ROSS, Stewart. Roma antiga. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

Sobre o autor

Prof. Larissa Dutra
Historiadora e professora, com formação pela UNESA do Rio de Janeiro. Pós-graduada em edição editorial. Trabalha no ensino básico, cursinhos, ministra oficinas, é revisora e editora de livros. Sua pesquisa central é sobre livros, cinema e ditadura militar na América Latina.