Roubo de cargas no Brasil

Segundo pesquisa, o Brasil é o 6º país mais potencialmente perigoso para as transportadoras de carga

O roubo de cargas no Brasil coloca o nosso país como um dos mais perigosos do mundo. A conclusão é da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, a Firjan, que elaborou um estudo sobre o setor.

Somente no ano de 2015, foram quase 20 mil ocorrências de roubo de cargas no Brasil. A região Sudeste lidera com os casos com 85,8% das ações criminosas, sendo 33,54% no Rio de Janeiro e 48,47% em São Paulo.

Os crimes nos demais estados estão na proporção de: Nordeste 6,56%, Sul 4,87%, Centro-Oeste 2,11% e Norte 1,15%. Todas essas ocorrências geram um prejuízo de mais de seis bilhões ao mercado.

Esse estudo revelou também um crescimento das investidas dos bandidos nos últimos anos. Em 2011, os casos eram 50% menores.

Características do roubo de cargas no Brasil

O roubo de cargas no Brasil tem crescido, em 2015 foram mais de 20 mil casos

As cargas de produtos alimentícios são as mais visadas pelos bandidos (Foto: depositphotos)

Um levantamento da FreightWatch International indica que 37% dos assaltos ocorrem pela manhã e 20% durante a madrugada. A maioria das ocorrências acontecem em vias urbanas com 75% e os 25% restante em rodovias.

As mercadorias mais roubadas por ordem de interesse são: produtos alimentícios, cigarros, eletrodomésticos, produtos farmacêuticos, produtos químicos e autopeças.

O aumento dos roubos de cargas no Brasil deve-se, sobretudo, ao número reduzido de agentes da Polícia Rodoviária Federal no Brasil. Além disso, a falta de leis mais rígidas acaba funcionando como um incentivo para que mais pessoas se envolvam com a receptação e armazenamento de mercadorias roubadas.

Veja também: Quais as maiores fraudes já ocorridas no mundo

Soma-se a isso a forte atuação do crime organizado nas grandes cidades, principalmente no Rio de Janeiro e São Paulo, onde ocorre a maioria dos roubos de cargas.

Brasil: 6º país mais perigoso do mundo

Outra pesquisa divulgada pelo comitê de transporte de cargas do Reino Unido, o Joint Cargo Committee, colocou o Brasil em 6º lugar no ranking de lugares mais potencialmente perigosos para as transportadoras de carga.

Foram 57 países elencados e a posição do Brasil só perde para países que estão em conflito como a Síria, Líbia e Afeganistão, Iraque e Somália. Se retirarmos essas nações, o Brasil ocupa o primeiro lugar absoluto.

Os números são tão alarmantes que a quantidade de ocorrências no Brasil levou 44 dias para superar o registro roubos de cargas em mais de 20 países europeus, além de Estados Unidos e Canadá.

Por ordem de periculosidade, o Joint Cargo Committee organizou: Síria, Líbia, Iêmen, Afeganistão, Sudão do Sul, Brasil, Iraque, Somália, República Centro-Africana e República do Mali.

O que fazer para  evitar o roubo de cargas no Brasil

Para evitar o roubo de carga, algumas empresas estão deixando de cobrir rotas consideradas mais perigosas

O rastreamento é um dos investimentos mais comuns para ter menos perdas (Foto: depositphotos)

O cenário de alta periculosidade brasileiro leva as empresas de transporte e cargas a tomarem decisões radicais para preservar o seu patrimônio. Muitas delas chegam a cobrar um preço superior quando é para circular em regiões arriscadas, como Rio de Janeiro e São Paulo.

Veja também: Polícia do Rio de Janeiro é a mais corrupta? Descubra!

Outras medidas protetivas fazem parte das ações das companhias que incluem programas de proteção e regras rígidas sobre circulação. Veja algumas medidas adotadas:

Serviço de rastreamento

A tecnologia tem um papel importante para localizar os veículos roubados. O rastreamento é um dos investimentos mais comuns que as empresas fazem para ter menos perdas. Infelizmente, o rastreamento não atua diretamente na prevenção aos incidentes, mas auxilia para que os veículos sejam localizadas mais rapidamente depois de roubados.

Isca de rastreamento

Essa estratégia é bem inteligente e simples. Consiste em colocar uma isca de rastreamento em meio às cargas. O que quer dizer que mesmo que o bandido se livre do caminhão que é rastreado, ainda terá entre os itens roubados um pequeno rastreador que vai determinar a sua localização.

Serviços de monitoramento

Apesar de muita gente achar que é a mesma coisa, o serviço de monitoramento não é a mesma coisa que rastreamento. O primeiro acontece quando o veículo é monitorado por uma central. A partir disso, o gestor de logística tem controle de onde o caminhão está e percebe logo que ele sai da sua rota, o que é bem comum em abordagens de bandidos.

Veja também: 8 lugares secretos no mundo onde é proibido humano entrar

Treinamento de motoristas

Os motoristas também passam por um severo treinamento de segurança. Eles aprendem a como se comportar em situações de estresse extremo e quais as medidas a serem tomadas se forem roubados.

Mudança de logística

Acredite se quiser, mas há empresas abandonando as rodovias nacionais por conta dos prejuízos dos roubos de cargas. Prova disso são os fabricantes de remédios e celulares que estão recorrendo ao transporte aéreo, ao invés de terrestre.

Escolta

A escolta é um recurso antigo e bem dispendioso para a empresa, mas ainda assim bastante utilizado. As empresas que transportam valores altos, chegam a disponibilizar escolta dupla para realizar o transporte de carga no Brasil.

Cancelamento de rotas

Essa é uma decisão radical, mas que muitas empresas optaram por fazer. Em determinados trechos de São Paulo e do Rio, as transportadoras estão cancelando as rotas e deixando de atender a região por conta dos constantes roubos de cargas e veículos que ocorrem nos locais.

Veja também: Já houve intervenção federal no Brasil?

Sobre o autor

Avatar
Jornalista formada pela Universidade Federal da Paraíba com especialização em Comunicação Empresarial. Passagens pelas redações da BandNews e BandSports, TV Jornal e assessoria de imprensa de órgãos públicos.