Anatomia,Biologia

Sistema Esquelético

O sistema esquelético é formado pelo conjunto de ossos do nosso corpo. Ele tem consistência rígida e sua principal função é de sustentação. Sua rigidez deve-se ao acúmulo de sais de cálcio e magnésio (fosfato e carbonato) nos espaços intercelulares.

Os ossos são órgãos ricos em vasos sanguíneos e apresentam, além de tecido ósseo, tecido reticular, adiposo, cartilaginoso e nervoso.

O indivíduo adulto tem cerca de 206 ossos formando seu esqueleto, porém, um bebê recém-nascido tem muito mais, em torno de 300. No decorrer do crescimento, alguns ossos vão se fundindo através de um processo chamado ossificação, principalmente os ossos do crânio (conhecidos como “moleiras”), sacro e quadril.

Funções do sistema esquelético

As funções do sistema esquelético são: sustentação e movimentação do corpo, proteção de órgãos internos [1] (coração, pulmões e cérebro), armazenamento de minerais e íons, e produção de células sanguíneas.

Esqueleto

Uma das funções do sistema esquelético é a proteção dos órgãos internos (Foto: depositphotos)

Componentes do sistema

Além do esqueleto, o sistema esquelético é composto por cartilagens [2], tendões e ligamentos.

No sistema esquelético de um adulto, a matriz óssea é formada por aproximadamente 50% de material inorgânico, o mais abundante é o fosfato de cálcio. Dentre os orgânicos, 95% correspondem às fibras colágenas.

As células do tecido esquelético são: osteoblastos, osteócitos e osteoclastos.

Osteoblastos

Os osteoblastos são células [3] jovens, com muitos prolongamentos e que possuem intensa atividade metabólica. São responsáveis pela produção da parte orgânica da matriz, parecendo exercer influência na incorporação de minerais.

Osteócitos

Durante a formação dos ossos [4], à medida que ocorre a mineralização da matriz, os osteoblastos acabam ficando em lacunas, diminuem a atividade metabólica e passam a se chamar osteócitos.

Nos espaços ocupados pelos prolongamentos dos osteoblastos, formam-se canalículos, que permitem a comunicação entre os osteócitos e os vasos sanguíneos que os alimentam. Os osteócitos atuam na manutenção dos constituintes da matriz.

Osteoclastos

Os osteoclastos estão relacionados com a reabsorção da matriz óssea, pois liberam enzimas que digerem a parte orgânica propiciando a volta dos minerais para a corrente sanguínea. Eles também estão relacionados com processos de regeneração e remodelação do tecido ósseo.

Os osteoclastos apresentam grande mobilidade e muitos núcleos. Originam-se de monócitos do sangue que se fundem após atravessarem as paredes dos capilares. Assim, cada osteoclasto é resultante da fusão de vários monócitos.

Divisão do sistema esquelético

Como vimos, o principal componente do sistema esquelético são os ossos. Esse sistema pode ser dividido em duas categorias: esqueleto axial e esqueleto apendicular. O esqueleto axial é aquele formado pelos ossos da cabeça, pescoço e tronco, ou seja, pelo eixo central do corpo.

Já o esqueleto apendicular é aquele formado pelos ossos dos membros inferiores e superiores. A união do esqueleto axial ao esqueleto apendicular se dá através das cinturas escapular e pélvica.

Formação dos ossos

De acordo com a origem embriológica, há dois processos envolvidos na formação dos ossos: ossificação intramembranosa e ossificação endocondral.

Ossificação intramembranosa

A ossificação intramembranosa inicia-se em uma membrana do tecido conjuntivo [5] embrionário e origina os ossos chatos do corpo, como os ossos do crânio. Nessa membrana conjuntiva surgem centros de ossificação mesenquimatosos em osteoblastos, que produzem grande quantidade de fibras colágenas.

Esses centros vão aumentando, dando início à deposição de sais inorgânicos. À medida que isso acontece, os osteoblastos ficam em lacunas, transformando-se em osteócitos.

As fontanelas (“moleiras”) encontradas na caixa craniana dos recém-nascidos representam pontos que não sofreram ossificação. Isso é importante, pois permite o crescimento da caixa craniana.

Esse aumento também é possível graças à ação dos osteoclastos, que reabsorvem a matriz óssea, e dos osteoblastos que depositam nova matriz.

Ossificação endocondral

A ossificação endocondral é o processo mais comum de formação dos ossos. Ele se caracteriza pela substituição de cartilagem hialina por tecido ósseo [6].

Um exemplo desse tipo de ossificação é a formação do fêmur, um osso longo localizado na coxa. A ossificação começa no centro e ao redor do molde cartilaginoso e dirige-se para as extremidades, onde também tem início a formação de centros de ossificação.

Nos processos de ossificação, algumas regiões de cartilagem permanecem no interior dos ossos longos, formando os discos epifisários. Esses discos mantêm a capacidade de crescimento longitudinal do osso até por volta dos 20 anos de idade. Depois disso, o osso não cresce mais. Portanto, a estatura atingida até essa idade será a definitiva.

Quando um médico quer avaliar se, ou quanto, um jovem tem possibilidade de crescer, solicita radiografia de um osso longo e verifica se há disco epifisário. Se houver, ainda pode ocorrer aumento de estatura.

Estrutura dos ossos

Os ossos são revestidos externa e internamente por membranas conjuntivas denominadas periósteo e endósteo, respectivamente. Ambas as membranas são vascularizadas e suas células transformam-se em osteoblastos.

Portanto, são importantes na nutrição das células do tecido ósseo e como fonte de osteoblastos para o crescimento dos ossos e a reparação de fraturas.

Quando um osso é serrado para vermos sua estrutura macroscópica interna, percebe-se que ele é formado por duas partes: uma sem cavidades, chamada osso compacto, e outra com muitas cavidades que se comunicam, chamada osso esponjoso.

Essas regiões apresentam os mesmos tipos de célula e de substância intercelular, diferindo entre si apenas na disposição de seus elementos e na quantidade de espaços que delimitam.

O que existe dentro dos ossos?

No interior dos ossos está a medula óssea, que pode ser: vermelha, formadora de células do sangue; e amarela, constituída por tecido adiposo e que não produz células do sangue.

No recém-nascido, toda a medula óssea é vermelha. Já no adulto, a medula vermelha fica restrita ao esterno, às vértebras, às costelas, aos ossos do crânio e às epífises do fêmur e do úmero.

Com o passar dos anos, a medula óssea vermelha presente no fêmur e no úmero transforma-se em amarela. Em alguns casos, a medula amarela pode se transformar novamente em vermelha.

Os alimentos e os ossos

Na infância e adolescência, quando os ossos estão crescendo juntamente com todo o corpo, é muito importante a ingestão de alimentos ricos em cálcio, fósforo, vitaminas D, A e C e proteínas [7].

O cálcio e o fósforo fazem parte da matriz óssea. A vitamina D (calciferol) promove principalmente a absorção intestinal do cálcio. Por isso, a falta dessa vitamina e de cálcio na infância pode causar o raquitismo.

A vitamina D está presente em maior quantidade em alimentos como o óleo de fígado de bacalhau. Além disso, a pele humana possui uma substância precursora dessa vitamina, que, sob a ação dos raios UVB, transforma-se em vitamina D, propiciando a formação de ossos e evitando a osteoporose.

Referências 

TORTORA, Gerard J.; DERRICKSON, Bryan. “Corpo Humano: Fundamentos de Anatomia e Fisiologia“. Artmed Editora, 2016.

DAVID, L; SALLE, B. “Raquitismo“. EMC-Pediatrics , v. 42, n. 4, p. 1-25, 2007.