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Sistema nervoso: o que é e como funciona

O sistema nervoso é o responsável pela maioria das funções de controle do organismo, pois ele coordena e regula as atividades corporais.

A unidade estrutural e funcional do sistema nervoso é o neurônio. Ele apresenta três funções básicas:

  • Sensitiva: os nervos sensitivos captam informações dos meios interno e externo do corpo e as levam ao Sistema Nervoso Central.
  • Integradora: a informação Sensitiva que foi levada ao Sistema Nervoso Central é processada ou interpretada.
  • Motora: os nervos motores conduzem a informação do Sistema Nervoso Central.

O sistema nervoso, que é exclusivo dos animais, vale-se de mensagens elétricas que caminham pelos nervos mais rapidamente do que os hormônios através do sangue.

Além de coordenar as diversas funções do organismo, contribuindo para seu equilíbrio, esse sistema permite que os animais reajam rapidamente aos estímulos do meio ambiente.

Como age o neurônio no sistema nervoso?

Neurônios e sinapses

É através dos neurônios que os impulsos se propagam (Foto: depositphotos)

Os neurônios comunicam-se entre si ou com outras células efetuadoras através de sinapses (pontos de contato entre neurônios) e através deles, os impulsos nervosos se propagam. O neurônio é formado por dendrito, corpo celular e axônio.

A transmissão dos impulsos nervosos ocorre no sentido do dendrito ao axônio. O neurônio tem a função básica de receber, processar e enviar informações. São três os tipos: sensitivo, motor e interneurônio.

Divisão do Sistema Nervoso

O sistema nervoso é dividido em Sistema Nervoso Central (SNC) e Sistema Nervoso Periférico (SNP).

Sistema Nervoso Central

O nosso sistema nervoso central, formado principalmente pela medula espinhal e encéfalo (conjunto de cérebro, cerebelo e tronco cerebral), está protegido por ossos (a coluna vertebral e o crânio) e por três membranas (as meninges), responsáveis pela proteção do sistema nervoso central.

Entre as membranas e no interior das cavidades do sistema nervoso, circula o líquido cerebrospinal ou cefalorraquidiano, que proporciona proteção adicional, amortecendo eventuais choques.

Medula espinhal

A medula espinhal é uma massa de tecido nervoso situado dentro do canal vertebral. É o centro dos arcos reflexos e é organizada em segmentos (região cervical, lombar, sacral, caudal, raiz dorsal e ventral). É uma estrutura subordinada ao cérebro, mas pode agir independente dele.

A medula espinhal ou espinal está situada no interior da coluna vertebral. Assim como o encéfalo, a medula é constituída de uma substância branca – formada pelas fibras nervosas (feixes de axônios; a mielina destes é responsável pela cor branca) – e uma substância cinzenta – formada pela concentração de corpos celulares de neurônios e a parte inicial de seus prolongamentos. Mas a disposição da substância branca e cinzenta é diferente na medula.

Enquanto no encéfalo a região externa (córtex) é constituída de substância cinzenta (com exceção do bulbo), na medula esta substância está presente no interior do órgão e a substância branca na parte externa. Pela raiz ventral da medula saem prolongamentos dos neurônios motores.

Na raiz dorsal há prolongamentos dos neurônios sensitivos, cujos corpos celulares estão no interior dos gânglios nervosos.

Lesões na raiz dorsal provocam perda de sensibilidade da parte correspondente do corpo, pois o estímulo não chega à medula e é impedido de ir ao cérebro. Na medula também ocorrem diversas sinapses entre os neurônios que chegam e os que saem do sistema nervoso central.

Encéfalo

O encéfalo é constituído por diferentes regiões, com funções diversas. Os bulbos olfatórios são duas protuberâncias que recebem nervos do nariz; os hemisférios cerebrais são duas dilatações que, ligadas por um feixe de fibras nervosas (o corpo caloso), constituem o cérebro.

Outras regiões do encéfalo, com diferentes funções, são o cerebelo, a ponte, o mesencéfalo, o tálamo, o hipotálamo e a medula oblonga ou bulbo raquidiano. Essas regiões não estão isoladas entre si, ao contrário, muitas funções dependem do trabalho conjunto de mais de uma delas.

O encéfalo recebe informações dos órgãos sensoriais; integra e relaciona as diversas mensagens de órgãos diferentes, comparando-as com informações armazenadas na memória; envia mensagens para os órgãos efetores (músculos e glândulas), controlando as reações do organismo ao ambiente externo e ao próprio organismo.

O encéfalo é responsável também pelas emoções e pela capacidade de imaginar, prever, resolver problemas e de responder por todas as formas de pensamento abstrato.

Cérebro

O cérebro está dividido em dois hemisférios, que se ligam pelo corpo caloso. Cada hemisfério cerebral se divide em quatro lobos, separados por sulcos ou pregas que recebem os nomes dos ossos que os envolvem: frontal, occipital, temporal e parietal. O cérebro é protegido pelas meninges pia-máter, dura-máter e aracnoide.

No ser humano, como nos demais mamíferos, a camada mais externa, o córtex cerebral (do latim cortex = casca), é muito desenvolvida. O córtex apresenta inúmeras dobras que aumentam sua área, sendo formado por numerosos corpos celulares de neurônios, o que lhe confere cor cinzenta. A camada inferior é branca, formada pelos prolongamentos dos neurônios que saem ou chegam ao córtex.

Junto com outras partes do encéfalo, o córtex controla a percepção, as emoções (a região envolvida é a amígdala) e os atos voluntários. Essa região do encéfalo recebe e processa as informações dos órgãos dos sentidos, sendo também a sede do pensamento, da aprendizagem, da linguagem, da consciência, da memória (da qual participa o hipocampo) e da inteligência.

Como você acaba de ver, o encéfalo controla muitos órgãos e funções do corpo. Por isso, os acidentes com lesões no cérebro, ainda que não provoquem a morte da pessoa acidentada, podem comprometer ou afetar muito sua vida.

É fácil entender, portanto, a importância de usar capacetes no exercício de determinadas atividades profissionais, como motocicletas, bicicletas e skates, ou muito velozes, como os carros de corrida.

Bulbo

Sua função é relacionada à respiração, aos reflexos cardiovasculares e transmissão de informações sensoriais e motoras.

Ponte

Transmissão das informações da medula e do bulbo até o córtex cerebral e conecta-se com centros hierarquicamente superiores.

Cerebelo

Situado dorsalmente ao bulbo e à ponte, é responsável pelo controle motor. Pesquisas recentes sugerem que a principal função do cerebelo seja a coordenação sensorial. Difere do cérebro por funcionar sempre em nível involuntário e inconsciente.

Sistema Nervoso Periférico

Este sistema é formado pelos gânglios nervosos, pelos nervos cranianos (que saem do encéfalo) e pelos nervos espinais (que saem da medula espinal).

Na espécie humana há doze pares de nervos cranianos (o mesmo número encontrado em répteis, aves e mamíferos, enquanto nos peixes e anfíbios há dez pares) e 31 pares de nervos espinais (o mesmo número nos outros mamíferos).

Os nervos cranianos fazem a conexão com os órgãos dos sentidos e com músculos esqueléticos da face; o nervo vago faz a conexão com o coração e alguns órgãos digestórios e respiratórios. Cada nervo é formado por dezenas e até centenas de prolongamentos de neurônios, as neurofibrilas (ou fibras nervosas), envolvidos por tecido conjuntivo.

No sistema nervoso periférico encontram-se:

  • Nervos sensitivos: que recolhem informações dos órgãos dos sentidos e dos órgãos internos;
  • Nervos motores: que levam mensagens do sistema nervoso central para os músculos e para as glândulas;
  • Nervos mistos: com fibras nervosas sensitivas e motoras.

Lesões na medula espinal podem causar a paralisia. Dependendo do local da lesão e da intensidade do dano, pode ocorrer a paraplegia, que é a paralisia dos membros inferiores, ou a tetraplegia, que é a paralisia dos membros superiores e inferiores.

O Sistema Nervoso Periférico é dividido em sistema nervoso somático e sistema nervoso autônomo ou visceral:

  • Sistema nervoso somático – está relacionado aos movimentos voluntários, no entanto, muitas respostas ocorrem de modo involuntário. É o caso dos atos reflexos, em que as respostas voltam pela medula antes de ir para o cérebro. Dizemos, então, que o sistema nervoso somático controla a relação com o ambiente. A informação do sistema nervoso central é levada pelos neurônios aos músculos esqueléticos, estimulando-os diretamente.
  • Sistema nervoso autônomo – está relacionado aos movimentos involuntários dos músculos como os não-estriado e estriado cardíaco, sistema endócrino e respiratório. É dividido em simpático e parassimpático. Estes exercem função antagônica sobre o outro e são controlados pelo sistema nervoso central, principalmente pelo hipotálamo.

Divisão do sistema nervoso autônomo

O sistema nervoso autônomo divide-se em simpático e parassimpático.

  • Nervos simpáticos originam-se na região mediana da medula;
  • Nervos parassimpáticos saem do bulbo e da extremidade final da medula.

Tanto o sistema nervoso simpático quanto o parassimpático possuem gânglios situados próximos à medula espinal ou aos órgãos que inervam.

Problemas no sistema nervoso

Diversos fatores podem provocar danos ao sistema nervoso. A meningite, por exemplo, é uma doença causada por vírus ou bactérias que invadem as meninges. Os sintomas da meningite são febre, dor de cabeça muito forte e rigidez na musculatura da nuca, que impede a pessoa de encostar o queixo no peito. Essa infecção pode se espalhar pelo sistema nervoso e, por isso, é necessário pronto atendimento médico.

O sistema nervoso pode ser afetado também por problemas circulatórios. A hipertensão e a aterosclerose podem levar ao rompimento ou à obstrução de um vaso sanguíneo, resultando na morte da parte do cérebro irrigada por esse vaso e perda da função que essa parte controlava (algum sentido, movimento de uma área do corpo), ou até mesmo resultar na morte da pessoa.

Até certo ponto é possível recuperar os danos ocorridos no cérebro. Por meio de exercícios especiais, outras porções do cérebro são estimuladas e podem assumir, pelo menos em parte, as funções que as áreas destruídas exerciam.

Referências

» BEAR, Mark F.; CONNORS, Barry W.; PARADISO, Michael A. Neurociências: desvendando o sistema nervoso. Artmed Editora, 2002.

» IRIGOYEN, Maria Cláudia; CONSOLIM-COLOMBO, Fernanda M.; KRIEGER, Eduardo Moacyr. Controle cardiovascular: regulação reflexa e papel do sistema nervoso simpático. Rev Bras Hipertens, v. 8, n. 1, p. 55-62, 2001.

Sobre o autor

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Natália Duque é Graduada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro.