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Império Bizantino: resumo do que foi e como acabou

O Império Bizantino foi uma importante e duradoura organização política, e sua característica mais marcante foi o seu caráter expansionista, tendo em vista que ele abarcou um pedaço da Ásia, da África e quase toda a Europa.

Ele se formou a partir da divisão do Império Romano em dois: Império Romano do Ocidente e Império Romano do Oriente.

O Império Bizantino teve sua permanência e consolidação no governo de Justiniano I, que em 476 subiu ao trono. Ele era um imperador reverenciado e conhecido pelas suas obras públicas, que demonstrava o poder do império.

Mesquita em Istambul, na Turquia

Basílica de Santa Sofia em Istambul (Foto: Wikimedia Commons)

Uma das maiores obras de Justiniano I que existe até hoje é a Basílica de Santa Sofia, em Istambul. Ele também criou o código de direito civil, que promove a força legal do império. Vamos entender como tudo isso aconteceu.

Resumo do que foi o Império Bizantino

A formação do Império Bizantino foi gradual e longa, e teve seu começo mais acentuado no governo de Constantino, no Império Romano.

Durante o governo de Constantino, o Império Romano atingiu um tamanho territorial que despertou grande interesse de diversos povos. Justamente por isso, o império vivia sendo atacado, principalmente pelos bárbaros.

Depois de Constantino, o imperador que assumiu o trono do Império Romano foi Teodósio, que manteve diversas ideias de Constantino.

Quando Teodósio morreu, essas batalhas estavam em profunda tensão, e a solução foi dividir o Império Romano em Império Romano do Ocidente e Império Romano do Oriente. Quem assumiu o poder de cada império foram os filhos de Teodósio: Honório e Arcádio.

Os ataques também implicaram numa realocação da sua capital, que antes era Roma, para Bizâncio (uma colônia grega fundada em 657 a.C.). Essa mudança visava a proteção do seu poder e a manutenção de um forte comércio marítimo.

Quando o Império Romano se dividiu em dois, o Império Romano do Oriente também era chamado de Império Bizantino, porque a sua capital, Constantinopla, foi erguida sobre a antiga cidade de Bizâncio.

Constantinopla era uma cidade portuária que tinha acesso aos mares que iam para Europa e para o Oriente, e tinha como fortificação uma muralha que existe até hoje, que foi construída ente 400 e 450 d.C., com mais de 2 metros de largura, que circundava toda a capital do Império.

Muralha de Constantinopla atualmente

Antiga muralha de Constantinopla atualmente (Foto: Wikimedia Commons)

O seu entorno era povoado pelos povos árabes, que depois da morte do líder religioso Maomé, começou um processo intenso de expansão do território islâmico.

Conquistar Constantinopla fazia parte desse processo de expansão, e durante mais de 50 dias, os mulçumanos atacaram, sem interrupção, a muralha de Constantinopla, que resistiu sem grandes alterações.

Em maio de 1453 os árabes protagonizaram o evento que chamamos de Grande Cerco contra a capital do Império Bizantino, e essa foi invadida e derrubada pelos turco otomanos.

Império Bizantino e mundo árabe

Durante a expansão mulçumana, os povos árabes se unificaram no islamismo, e começaram a conquistar todo o território que estava próximo, tomando grande parte do que era o Império Bizantino.

A região que hoje está localizada a atual Istambul, na Turquia, carrega uma forte cultura e história dessa época. A relação entre o mundo árabe e o Império Bizantino até hoje pode ser vista através das grandes construções na capital turca.

Política e religião

Durante o processo de consolidação do Império Bizantino, a religião católica foi misturada ao poder imperial, sendo fortificada e oficializada, assim como no Império Romano do Ocidente.

No entanto, o cristianismo praticado em Bizâncio sempre foi completamente diferente do praticado em Roma. A principal diferença, além da língua, eram os rituais.

Em 1054 houve então o evento que chamamos de Cisma do Oriente, quando a Igreja Católica se dividiu em duas: Igreja Apostólica Romana e Igreja Católica Ortodoxa.

Isso aconteceu, principalmente por causa da crise da Iconoclastia, que vamos entender agora:

A Crise da Iconoclastia

Os iconoclastas acreditavam que a adoração às imagens dos santos, praticado pela Igreja Católica, era uma heresia e que, portanto, ela não deveria manter esse costume.

Na intenção de manter um relacionamento imperial com outros povos, que tinham outras religiões, o Império Bizantino concordou com os iconoclastas e acatou a proibição de adorar imagens (as religiões predominantes no entorno de Bizâncio eram as mulçumanas e as judaicas, e ambas abominam a materialização de Deus em ícones).

O concílio que aboliu a utilização de ícones foi formado apenas pelos iconoclastas, sem a participação papal, e isso gerou muita revolta em toda a igreja, e consequentemente nos fiéis, intensificando as diferenças de crenças e fazendo com que a Igreja se separasse em duas.

A Igreja Ortodoxa, ou Igreja Católica do Oriente, tinha sede em Constantinopla, e a Igreja Católica Romana tinha sede em Roma.

A Igreja Católica Romana passou toda a história tentando reaver a Igreja Ortodoxa, tanto que muitos séculos depois, com as Cruzadas, promovidas pelos católicos romanos, Constantinopla foi atacada e colocaram a Igreja Romana dentro do Império Bizantino.

O fim do Império Bizantino

Embora o Império Bizantino fosse rico o suficiente para comprar a sua proteção contratando mercenários, as ameaças sofridas constantemente faziam com que isso não fosse mais suficiente.

Império Bizantino, Constantinopla sendo atacada e invadida

Constantinopla sendo atacada e invadida (Foto: Wikimedia Commons)

Com o entorno dominado pelos mulçumanos, o Império Bizantino começou a sofrer ameaças o tempo inteiro, principalmente dos povos árabes Otomanos e Turcos Seljúcidas.

O imperador Miguel Paleólogo, ou Miguel VIII, foi o governante que mais sofreu com os ataques dos árabes, e que tentou impedir esse ataque militar, fortificando o Império Bizantino.

Uma das medidas tomadas pelo imperador Miguel para fortificar o Império Bizantino contra as ameaças de invasão foi o aumento na cobrança de impostos à população, principalmente dos camponeses, para conseguir evoluir o exército imperial.

Essa medida prejudicou a sua relação com os habitantes de Bizâncio, que além de ameaçados por povos externos, se sentiram explorados pelo imperador.

Outra ação que ele tomou foi a tentativa de unificação da Igreja Romana com a Igreja Ortodoxa, a fim de manter uma unidade contra qualquer estrangeiro.

Isso também prejudicou a sua imagem com os bizantinos, que já não aceitavam mais essa unificação.

A cultura de contratação de mercenários para a proteção do império fez com que diversos deles se estabelecessem dentro de Bizâncio, o que se tornou uma ameaça, uma vez que a maior parte desses homens eram Turco Otomanos, principais oponentes nesse momento.

Como já mencionado, o Império Bizantino teve o seu fim com a queda da muralha de Constantinopla e a tomada da cidade em maio de 1453. Esse também é o evento que coloca fim à Idade Média e inicio para a Idade Moderna.

Língua e arte no Império Bizantino

Em Roma, a língua falada era o latim e a cultura era completamente latina. No Império Bizantino a língua falada era a grega, e a cultura era fortemente caracterizada pela grega.

A arte no Império Bizantino foi carregada com os traços árabes, e até hoje é facilmente reconhecida nos vitrais das grandes construções, nas esculturas, e muito na arquitetura de Istambul.

Resumo do conteúdo

Nesse texto você aprendeu que:
  • O Império Bizantino foi durante muito tempo território do maior império existente: o Império Romano
  • A formação do Império Bizantino foi gradual e longa, e teve seu começo mais acentuado no governo de Constantino no Império Romano
  • O Império Bizantino é comumente chamado de Império Romano do Oriente
  • No Império Bizantino a língua falada era a grega, e a cultura era fortemente caracterizada pela grega
  • A arte no Império Bizantino foi carregada com os traços árabes, e até hoje é facilmente reconhecida na arquitetura de Istambul
  • O entorno do Império Bizantino era povoado pelos povos árabes, que depois da morte do líder religioso Maomé, começou um processo intenso de expansão do território islâmico
  • O Império teve o seu fim com a queda da muralha de Constantinopla, e a tomada da cidade pelos Turco Otomanos em maio de 1453.

Exercícios resolvidos

1- Quando surgiu o Império Bizantino?
R: Ele se formou a partir da divisão do Império Romano em dois: Império Romano do Ocidente e Império Romano do Oriente.
2- Cite uma característica do Império Bizantino
R: Ele tinha uma cultura muito aberta aos povos vizinhos, como os mulçumanos, asiáticos e europeus.
3- O que foi a crise da Iconoclastia?
R: Essa foi uma das maiores crises religiosas da Idade Média, onde por diversas razões, a Igreja Católica se dividiu em duas: Igreja Apostólica Romana e Igreja Católica Ortodoxa.
4- O que significou o Império Bizantino?
R: Ele foi a máxima do poder romano em terras orientais. Um território vasto e forte que conseguia manter o comercio marítimo intacto durantes guerras.
5- Como acabou o Império Bizantino?
R: Ele teve o seu fim com a queda da muralha de Constantinopla e a tomada da cidade em maio de 1453.
Referências

ANGOLD, Michael. Bizâncio: a ponte da Antiguidade para a Idade Média. Tradução: Alda Porto Santos. Rio de Janeiro: Imago, 2002. BESANÇON,

Alain. A imagem proibida. Uma história intelectual da Iconoclastia. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1997. JUNIOR, Hilário Franco; e FILHO, Ruy de

Oliveira Andrade. O Império Bizantino. 3ª Edição. São Paulo: Brasiliense, 1985. Coleção “Tudo é História”.

Sobre o autor

Prof. Larissa Dutra
Historiadora e professora, com formação pela UNESA do Rio de Janeiro. Pós-graduada em edição editorial. Trabalha no ensino básico, cursinhos, ministra oficinas, é revisora e editora de livros. Sua pesquisa central é sobre livros, cinema e ditadura militar na América Latina.