Convênio de Taubaté

Esse acordo firmado pelos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, visava o controle do preço do café no mercado internacional


No início do século XX o café era considerado o “ouro verde” do Brasil, tendo em vista que era o principal produto da economia brasileira. Seus produtores mais importantes estavam localizados no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, os quais vendiam suas sacas no mercado nacional e internacional.

As vendas de mercadoria segue a regra da oferta e da procura. Em outras palavras, pode-se dizer que quanto se mais procura um produto, mais caro ele é. Em contrapartida, quanto menos se procura, mais barato ele fica. Esse princípio foi responsável não só pelo crescimento da comercialização do café, mas também pela sua queda em 1906. Para superar os prejuízos, os governadores dos três estados mais importantes nessa produção se reuniram em São Paulo e criaram o Convênio de Taubaté, que viria a ser uma fórmula de não sair perdendo dinheiro em meio a crise.

Qual era o objetivo do convênio?

O principal comprador de café do Brasil era os Estados Unidos. Porém, o produto começou a ser desvalorizado no mercado internacional devido a alta oferta. Isto significa dizer que os preços despencaram, e fabricar café estava se tornando caro para o bolso dos agricultores. Para ser mais exato, em 1905 chegavam a 11 milhões as sacas encalhadas nos estoques brasileiros.

Frente a isso, os representantes de SP, RJ e MG elaboraram uma saída para crise que estavam enfrentando. Assim, o Convênio de Taubaté tinha como objetivo pedir ao governo federal que comprassem as produções de café e gerenciasse o comércio internacional, revendendo o produto quando os preços estivessem controlados.

Convênio de Taubaté

Foto: Pixabay

Ao constatado sobre a possível parceria, o então presidente da república, Rodrigues Alves, foi contrário à proposta. Para ele, esse acordo comprometia recursos públicos para a preservação dos interesses de uma minoria. Mesmo com o pedido negado, os governadores dos estados resolveram financiar a proposta e, para isso, pediram empréstimos bancários. Após as eleições presidenciais, Afonso Pena, o novo presidente do Brasil, apoiou o convênio e passou a comprar as sacas de café dos agricultores.

A política de valorização do café passou a ser responsabilidade do governo federal, que também realizava empréstimos em bancos internacionais que começavam a abrir as portas para o Brasil. Todavia, mesmo com as regras de controle de produção adicionadas no acordo de Taubaté, os produtores de café aumentaram o fornecimento, bem como suas rendas. Não para menos, o convênio virou um bola de neve para os cofres públicos.

Queda da Bolsa de Valores e os prejuízos do governo

Em 1929, houve a grande queda da Bolsa de Valores em Nova Iorque. Os Estados Unidos, principal cliente do Brasil, apresentava-se em uma enorme crise. Consequentemente, o Estado brasileiro sofreu com a recessão. O governo federal se viu sem saídas, pois não conseguia mais controlar os valores do seu principal produto de comercialização e estava afundado em dívidas externas. Além disso, outros setores do país, como as indústrias, também sofreram com a depressão, uma vez que não viam investimentos há muitos anos.

Aproveitando o momento de crise, Getúlio Vargas assumiu a presidência em um golpe no ano de 1930. Como ele via no café a fonte de riqueza do Brasil, decidiu não abandonar de vez a política de valorização desse produto. Queimou as sacas que estavam armazenadas e traçou outras metas para cobrir o prejuízo deixado pelos empréstimos internacionais.


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