Literatura de catequese

A literatura de catequese marcou os primeiros anos de produção literária seguintes à descoberta do Brasil e o início da colonização portuguesa. O tipo…


A literatura de catequese marcou os primeiros anos de produção literária seguintes à descoberta do Brasil e o início da colonização portuguesa. O tipo de literatura que abrangia essa denominação vigorou durante todo o período do Brasil colônia e tinha um caráter religioso, objetivando catequizar os nativos brasileiros por meio das palavras de padres jesuítas. As principais consequências desse movimento foram o processo de modificação da cultura dos índios literários e da criação literária.

Literatura de catequese

Foto: Reprodução

Objetivos e características

Com cunho religioso, esse tipo de produção literária buscava a preservação das conquistas portuguesas por meio da espiritualidade, além da conquista de novas almas para a Igreja Católica. Os textos defendiam a fé católica e eram didáticos, de fácil entendimento e possuíam construções simples. Era composta de teatro pedagógico com base em textos extraídos da bíblia que objetivavam a pregação da moral religiosa aos indígenas.

Além disso, alguns escritos dentro da literatura de catequese buscavam retratar, produzidos pelos viajantes, as descobertas terrestres e marítimas, além de conquistas de novas terras, da colonização e nas conseqüências econômicas, políticas e morais que esses feitos trariam para a metrópole portuguesa. As conquistas, de acordo com esses textos, eram realizadas não para buscar materiais e riquezas para o país, mas para trazer mais almas para o ambiente religioso, realizando a catequização.

Suas dramaturgias eram produzidas na métrica antiga e misturavam preceitos do catolicismo e ingredientes do universo cultural indígena, buscando transmitir de forma gradativa os dogmas católicos.

Principais autores e obras do período

As figuras mais evidentes desse período literário de catequização são os padres Manuel da Nóbrega, Fernão Cardim e José de Anchieta. Nóbrega chegou ao Brasil no ano de 1549 e escreveu a obra “Diálogo sobre a conversão do gentio”, “Caso de consciência sobre a liberdade dos índios”, “Informação das coisas da terra e necessidade que há para bem proceder nela” e “Tratado contra a antropofagia”. Cardim, por sua vez, escreveu entre diversas outras obras, “Do clima e da terra do Brasil e de algumas coisas notáveis que se acham assim na terra como no mar”, “Do princípio e origem dos índios do Brasil e de seus costumes, adoração e cerimônias” e “Narrativa epistolar de uma viagem e missão jesuítica”. E por fim, Anchieta, que se destacou como figura principal produzindo obras de intenção pedagógica geralmente sob a forma de poemas e peças de teatro. Entre elas estão “Os feitos de Mem de Sá”, “Arte de gramática da língua mais usada na costa do Brasil”, “Poema à Virgem”, “A cartilha dos nativos” (gramática Tupi-Guarani) e “Carta da Companhia”.


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