Antologia Poética

‘Antologia Poética’ é uma coletânea que reúne cerca de 30 poemas de Olavo Bilac, mostrando o poeta parnasiano na forma e romântico no conteúdo


O livro intitulado “Antologia Poética” é uma coletânea, organizada por Paulo Hecker Filho, que reúne cerca de 30 poemas do poeta e jornalista brasileiro Olavo Bilac. A ideia da coletânea é mostrar o poeta parnasiano na forma e, ao mesmo tempo, romântico no conteúdo.

De acordo com o próprio organizador, a seleção presente na Antologia Poética pretende fazer justiça à obra poética de Olavo Bilac, considerando a sua musicalidade e plasticidade.

Sobre o autor

Olavo Bilac foi um poeta e jornalista brasileiro, um dos grandes expoentes do Parnasianismo e um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. Nasceu no dia 16 de dezembro de 1865, no Rio de Janeiro, filho do cirurgião militar Brás Martins dos Guimarães e de Delfina Belmira Gomes de Paula.

O poeta estudou Medicina e Direito, porém não conclui nenhum dos cursos, dedicando-se ao jornalismo e à poesia. Durante a sua vida, Olavo Bilac escreveu em vários jornais e revistas, exerceu o cargo de Secretário do Congresso Pan-Americano em Buenos Aires, foi inspetor de instrução de escola pública e membro do Conselho Superior do Departamento Federal.

Sua primeira obra, “Poesias”, foi publicada em 1888 e já continha traços das propostas da Escola Parnasiana Brasileira. A poesia de Bilac apresentava várias temáticas, destacando-se os temas grego-romanos e as descrições da natureza. Inclusive é justamente neste sentido que podemos ver o poeta parnasiano na forma, embora romântico no conteúdo: os temas grego-romanos seguiam uma linha tipicamente parnasiana, já as descrições da natureza indicavam uma herança romântica.

Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac faleceu no dia 28 de dezembro de 1918, na cidade do Rio de Janeiro.

A importância da Antologia Poética

O livro “Antologia Poética” foi lançado em 1997 e reúne alguns dos poemas mais significativos escritos por Olavo Bilac ao longo de sua carreira, dentre os quais se destacam “Via Láctea”, “O Caçador de Esmeraldas”, “Língua Portuguesa” e “Nel mezzo del camin”. Nesta obra também constam alguns dos poemas infantis escritos pelo escritor.

“Via Láctea”, um dos poemas de destaque, é composto por 35 sonetos cuidadosamente escritos que, em um tom intimista, criam um eu-lírico romântico. No poema “Nel mezzo del camin”, Olavo Bilac faz uso da intertextualidade, dialogando com a obra “Divina Comédia”, de Dante Alighieri.

“Antologia Poética” tem o objetivo de reunir a poesia mais popular de Olavo Bilac, privilegiando os sonetos. No livro, também podemos encontrar poemas como “A Alvorada do Amor”, que chamam a atenção pelo erotismo ousada para aquela época.

Com a leitura do livro “Antologia Poética”, torna-se possível conhecer as várias facetas do poeta Olavo Bilac, já que também estão presentes alguns poemas infantis do autor.

Nesta coletânea, observamos que Bilac foi um poeta completo para o século XIX, unindo poesias para crianças (com a preocupação de dar um tom didático), o lirismo, o a subjetividade do romantismo, a musicalidade e os temas nacionais apresentados nas formas fixas e perfeitas.

Resumo do livro Antologia Poética

Foto: Pixabay

Alguns poemas do livro

Confira a seguir alguns poemas que estão presentes na coletânea “Antologia Poética”:

Via Láctea (trecho XIII)

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…

E conversamos toda a noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora! “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.”

Nel mezzo del camin…

Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E alma de sonhos povoada eu tinha…

E paramos de súbito na estrada
Da vida: longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha.

Hoje segues de novo… Na partida
Nem o pranto os teus olhos umedece,
Nem te comove a dor da despedida.

E eu, solitário, volto a face, e tremo,
Vendo o teu vulto que desaparece
Na extrema curva do caminho extremo.

XXX

Ao coração que sofre, separado
Do teu, no exílio em que a chorar me vejo,
Não basta o afeto simples e sagrado
Com que das desventuras me protejo.

Não me basta saber que sou amado,
Nem só desejo o teu amor: desejo
Ter nos braços teu corpo delicado,
Ter na boca a doçura de teu beijo.

E as justas ambições que me consomem
Não me envergonham: pois maior baixeza
Não há que a terra pelo céu trocar;

E mais eleva o coração de um homem
Ser de homem sempre e, na maior pureza,
Ficar na terra e humanamente amar.

*Débora Silva é graduada em Letras (Licenciatura em Língua Portuguesa e suas Literaturas). 


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