Revolta da Balaiada – Veja suas causas, consequências e líderes

A Revolta da Balaiada foi um movimento que aconteceu no Maranhão em 1838. Confira detalhes da história, como as causas e consequências


No ano de 1838 o estado do Maranhão era dominado pelos ricos aristocratas rurais que dominavam toda a região. Contrário a todo este poder surgiu a Balaiada, movimento que viria a disputar o controle do poder local e tinha como integrantes diversos pobres da região, fugitivos, prisioneiros e escravos.

A província do Maranhão vinha enfrentando uma forte crise econômica no século XIX, e um dos motivos de tal fato era a grande concorrência de algodão que vinha acontecendo no mercado internacional, já que os Estados Unidos vinham se intensificado cada vez mais na exportação do produto. Além dessa crise também havia acabado de ser estabelecida a Lei dos Prefeitos que dava ao Governador o privilegio de decidir quem seriam os prefeitos municipais e nomeá-los para que assumissem seus cargos, o que causou uma grande insatisfação popular e levou a fortes atritos entre o povo e as instituições do governo.

Revolta da Balaiada - Veja suas causas, consequências e líderes

Foto: Reprodução

Como a tensão já começava a se mostrar existente entre o governo e a população, diversos focos de tensão começaram a surgir por vários locais do estado, e o surgimento de três líderes viriam a tornar a balaiada como uma das maiores revoltas da história do Brasil.

Líderes da Balaiada

O primeiro deles, Raimundo Gomes, foi o responsável por mobilizar um grupo de artesãos, vaqueiros e escravos, logo depois de ter seguido ordens de um opositor político de um determinado fazendeiro e libertado um grupo de vaqueiros aprisionados em Vila da Manga. O segundo líder, responsável por dar nome a revolta, um artesão chamado Manoel dos Anjos Ferreira, vulgarmente conhecido como Balaio, iniciou suas lutas contra as autoridades provincianas depois de acusar um dos oficiais, o senhor Antônio Raymundo Guimarães, de ter abusado sexualmente de suas filhas. Esse foi um dos fortes motivos que fez com que Balaio buscasse conseguir vários membros que aderissem a sua causa e junto a esses revoltosos conseguissem obter o controle da cidade de Caxias, que na época era um dos maiores centros comerciais. Esse movimento foi visto como uma forte ameaça àqueles que possuíam certos privilégios econômicos nesse tempo. Para completar o trio de revoltosos, no mesmo ano o negro Cosme Bento de Chagas reuniu 3 mil escravos fugidos e obteve  o apoio de todos eles, o que trouxe a revolta traços raciais que poderiam ser facilmente relacionados a questão de desigualdade existente no local.

Buscando resolver a situação que começava a se mostrar preocupante, o coronel Luiz Alves de Lima e Silva foi nomeado para controlar a atual e tensa situação da província, uma resposta direta aos levantes, na tentativa de acabar de vez com a revolta.

Contando com um forte armamento e um grupo de 8 mil homens, no ano de 1841 Luis Alves conseguiu obter sucesso na contenção desses revoltosos, o que lhe rendeu o título de Conde de Caxias,  mais tarde ele recebeu outros títulos, inclusive o de Duque de Caxias, pelo qual é mais conhecido. Porém sua vitória se deu também devido a desunião ocorrente em volta dos objetivos comuns da revolta, já que começava a surgir traços de desunião entre os membros , facilitando de grande forma a ação opressiva das forças do governo.

Consequências e desfecho da revolta

Durante o movimento de retaliação que ocorreu contra a revolta o líder Manoel Francisco Gomes foi morto, e todos os negros fugidos que receberam acusação de ter participado do movimento tiveram como castigo sua reescravização, voltando a fazer trabalho forçado novamente. O Vaqueiro Raimundo teve a expulsão do Maranhão decretada, e faleceu em uma embarcação a caminho de São Paulo, para onde estava sendo deportado. Cosme Bento, líder dos escravos, foi preso e teve sua condenação a forca decretada, no ano de 1842.

A revolta só veio a ter um final pacífico quando o imperador anistiou os revoltosos sobreviventes, e mesmo assim os maranhenses ainda tiveram que conviver com a miséria em decorrência da crise do algodão.

*Revisado por Allex Albuquerque, graduado em história.


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