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Aranha viúva negra: curiosidades, características e fotos

Essa espécie de aracnídeo pode ser encontrada em todas as regiões do Brasil

Neste artigo você vai poder conferir informações variadas sobre a aranha viúva negra, suas curiosidades e características. Veja também fotos desse aracnídeo, como se reproduz e cuidados necessários para evitar acidentes. Acompanhe!

As aranhas, assim como os opiliões, escorpiões, ácaros e carrapatos pertencem ao filo dos Artrópodes e a classe dos Aracnídeos. As aranhas apresentam uma ampla distribuição geográfica, havendo cerca de 36 mil espécies descritas em toda Terra, com exceção da Antártida e do Ártico.

Esses invertebrados ocupam tanto o ambiente terrestre como o aquático. A maioria dos seres humanos possuem um certo medo das aranhas, pois elas são venenosas e algumas também possuem toxinas em seus pelos. No entanto, existem espécies das famílias Uloboridae e Holoarchaeidae que não produzem veneno.

Podem viver em teias, buracos naturais no solo, fendas de barrancos, árvores, arbustos, sob troncos podres, cupinzeiros, bromélias, etc. Vivem também em moradias humanas, em depósitos, garagens e em diversas construções feitas pelo homem. As aranhas que constroem teias dependem exclusivamente delas, pois sua visão é muito limitada. No momento que a presa toca a teia da aranha, vibrações são produzidas e captadas através dos pelos sensoriais. As espécies de aranhas respondem a estímulos diferentes e possuem padrões de ataques diversificados.

Curiosidades sobre a aranha viúva negra

As aranhas viúva negra podem ser encontradas em todo território brasileiro. O nome popular “viúva negra” deve-se ao fato de muitas fêmeas terem o hábito de devorarem o macho após a cópula. Após a cópula, a fêmea deposita os ovos num casulo onde poderá nascer dezenas de filhotes. A fêmea tem o abdome de cor preta, com desenhos avermelhados ou corpo esverdeado ou acinzentado com manchas laranjas. Alimentam-se de pequenos insetos que se prendem em sua teia.

Viúva negra fazendo teia

As aranhas pertencem a classe dos aracnídeos (Foto: depositphotos)

As viúvas negras podem ser encontradas em pequenos arbustos em teias construídas de forma irregular. Vivem em climas temperados à quente e normalmente não são agressivas. Esses animais têm preferência por pneus velhos, latas vazias e sapatos. São aranhas venenosas e picam quando se sentem ameaçadas. Seu veneno tem ação neurotóxica, ou seja, a toxina atinge e danifica o sistema nervoso da vítima.

Grande parte dos acidentes provocados pela viúva negra acontece nos meses quentes e chuvosos (entre março e maio). Comumente, os membros inferiores, superiores e a região dorsal são as mais atingidas. No local da picada pode ser observado um orifício, seguido de vermelhidão, inchaço e suor. A dor da picada é intensa, como se fosse um alfinete penetrando na pele com sensações de queimadura.

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Em casos mais graves pode ocorrer dores musculares intensificadas duas a três horas após a picada, aceleração dos batimentos cardíacos, seguidas de diminuição dos batimentos cardíacos, fraqueza, tremores, sensação de morte, arritmias e alterações nos níveis de cálcio e potássio.

Reprodução

As aranhas possuem na parte ventral do abdome as aberturas genitais dos órgãos reprodutores, tanto no macho quanto na fêmea. Nas fêmeas, existem duas aberturas que servem para encaixar os êmbolos (órgãos reprodutores do macho).

Aranha viúva negra

Apesar de não ser agressiva, essa aranha pica quando ameaçada (Foto: depositphotos)

Durante a época reprodutiva, o macho tece uma teia e ejacula uma porção de sêmen. Agora, ele está pronto para procurar a fêmea e acasalar. Ao encontrar a fêmea, ele realizará a famosa “dança do acasalamento”. Através de movimentos, sensações e vibrações na teia, a fêmea reconhecerá o macho para que ambos se identifiquem e então, copulem.

Durante o processo de cópula, algumas substâncias exaladas chamadas de ferormônios auxiliam na identificação entre macho e fêmea. Após a realização da cópula, a fertilização acontece com a postura dos ovos. Os ovos ficam armazenados dentro de uma bolsa de fio de seda e seu número é variável.

Importância das aranhas

As aranhas, de modo geral, apresentam uma grande importância para a manutenção da dinâmica dos ecossistemas. Assim como a viúva negra, boa parte desses animais são carnívoros, alimentando-se principalmente de insetos e outros invertebrados que se prendem pelas teias.

Algumas também saem ativamente atrás de suas presas. As aranhas, que tecem suas teias, dependem diretamente destas para se alimentar e perceber o ambiente a sua volta. Quando a presa é capturada pela teia, as aranhas injetam seu veneno e as enfaixam em fios de seda para imobilizá-las.

Aranha viúva negra capturando presa

A viúva negra prende sua presa nas teias que produz (Foto: depositphotos)

Após o enfaixamento, a ação da saliva sobre a presa juntamente com o veneno, digere os tecidos do animal predado, transformado-os num caldo. Este caldo é sugado e levado ao estômago da aranha, onde é completada a digestão. Algumas espécies abandonam a captura de presas por armadilha e roubam as presas capturadas de outras teias. Os principais predadores das aranhas são os sapos, pássaros e lagartixas.

O ser humano também é considerado um grande inimigo para as aranhas. Muitas tecnologias e usos de agrotóxicos têm destruído o habitat natural destes animais, interferindo assim, nas relações ecológicas.

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Acidentes com viúva negra

Os principais tipos de acidentes peçonhentos são por escorpião, serpentes e aranhas, com respectivamente 39,72%, 30,21% e 19,77%. No Brasil, existem aproximadamente 20 espécies de aranhas, incluídas em três gêneros, que podem causar envenenamentos no ser humano: Latrodectus (viúva negra), Loxosceles (aranha marrom) e Phoneutria (aranha armadeira).

O envenenamento por Latrodectus (viúva negra) provoca dores intensas, contrações musculares, alterações nos batimentos cardíacos e cólicas abdominais violentas. O tratamento correto depende do diagnóstico rápido e preciso do aracnídeo envolvido e a adoção de medidas terapêuticas adequadas. Entre estas, destaca-se a administração de soro específico, principalmente nos acidentes com aranha marrom e a viúva negra.

Estrutura de uma aranha viúva negra

A viúva negra tem a cor preta com apenas um detalhe em vermelho no corpo (Foto: depositphotos)

Quando o indivíduo é picado pela viúva negra denominamos latrodectismo. O primeiro relato de acidentes por viúva negra no Brasil foi feito em 1948 no estado do Rio de Janeiro. Com o decorrer do tempo, novos casos surgiram, sendo na década de 60 nas cidades do Rio de Janeiro e Niterói e mais recentemente na cidade de Agudos em São Paulo e em alguns estados do Nordeste. Os acidentes por viúva negra têm sido relatados com mais freqüência no Nordeste (BA, CE, RN e SE).

O veneno dessa aranha atua sobre as terminações nervosas sensitivas e sobre o sistema nervoso autônomo através da liberação de neurotransmissores.  O tratamento é realizado através da soroterapia com soro antilatrodectus.

Viúva negra nos arbustos

A viúva negra vive em regiões de clima quente e temperado (Foto: depositphotos)

Referências

» DE OLIVEIRA, José S.; CAMPOS, José A.; COSTA, Divino M. Acidentes por animais peçonhentos na infância. Jornal de Pediatria, v. 75, n. Supl 2, p. S251, 1999.

» CHAGAS, Flávia Bernardo et al. Aspectos epidemiológicos dos acidentes por aranhas no Estado do Rio Grande do Sul, Brasil. Evidência-Ciência e Biotecnologia, v. 10, n. 1-2, p. 121-130, 2012.

Sobre o autor

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Natália Duque é Graduada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro.