A escrita siddham: sistema oriundo da Índia

Conheça a escrita siddham, sua história e características, e saiba como foi disseminada e usada no Japão, principalmente por monges budistas


Também conhecida como escrita Bonji, a escrita siddham, do sânscrito, aperfeiçoada ou perfeita, é um sistema oriundo da Índia e descendente do grupo de escritas brâmicas – grupo composto por escritas existentes na Índia e arredores. Trata-se de uma escrita usada durante o período aproximado entre os anos de 600 a 1200 de nossa era, ancestral direto do atual sistema de escrita da língua hindi: devanagari.

Características

Pode-se identificar rapidamente as características do sistema, principalmente por aqueles que dominam qualquer outro sistema atual de escrita presente no subcontinente indiano, uma vez que têm a mesma dinâmica, sendo todos silabários, assim como os sistemas de escrita tibetana ou o bengali, que é a língua oficial de Bangladesh, e também o cingalês, que é o idioma principal da ilha de Sri Lanka.

Todos os símbolos referentes a uma determinada sílaba têm aparência bastante similar nos sistemas mencionados, e é, com isso, vista facilmente a semelhança. Essa similaridade entre as escritas pode ser explicada facilmente: quase todos os sistemas foram desenvolvidos inicialmente para representar o idioma sânscrito em suas regiões. Ao Norte da Índia, a escrita predominante por algum tempo foi essa, e era chamada de perfeita ou aperfeiçoada.

História da escrita siddham

O aperfeiçoamento e desenvolvimento do sistema estava próximo, geograficamente falando, à rota da seda, de forma que a escrita foi difundida para outras regiões mais distantes. Essa escrita, realmente como previsto, se espalhou e acabou se desenvolvendo inclusive no Japão Medieval.

A escrita siddham: sistema oriundo da Índia

Foto: Reprodução/ internet

A introdução desses sistema no Japão, em torno de 806, foi creditada ao monge japonês Kukai, que tornou-se conhecido devido às suas habilidades como calígrafo, mas também engenheiro. Foi ele, inclusive, que criou a escrita kana, ou katakana hiragana, que é atualmente o que funciona como um suporte aos caracteres chineses no Japão.

Estudou e viajou por toda a China, o que, na época, foi um feito. Quando chegou na região entre o Tibete, China e Índia, Kukai entrou em contato com a escrita siddham, que se desenvolveu em seu país como uma escrita religiosa budista. Entrou em decadência e deixou de ser usada algum tempo depois, inclusive na Índia.

A escrita siddham foi bem recebida entre os religiosos budistas japoneses, já que a escrita chinesa não se presta eficientemente à pronúncia de tons. Com isso, era-lhes permitido pronunciar os mantras da religião na língua sânscrita.

O Japão, neste período, ainda não possuía um sistema de escrita para sua língua, mas devido à proximidade com a China, os livros e toda forma de texto eram escritos em chinês. Essa escrita, no entanto, sobrevive no Japão em alguns ambientes budistas para a escrita de textos religiosos, embora seja bastante reduzida a sua utilização.


Reportar erro