Calvinismo e Anglicanismo

Por Camila Albuquerque

Calvinismo e Anglicanismo

Martinho Lutero, o precursor das reformas religiosas. | Imagem: Reprodução

A reforma protestante

Para entender o que é Calvinismo e Anglicanismo, é necessário saber, ao menos, o que foi a reforma protestante. Iniciada no século XVI, pelo sacerdote católico agostiniano Martinho Lutero, a reforma protestante foi um movimento que pedia por uma reforma na doutrina da Igreja Católica Romana – que havia seguido rumos considerados controversos, já que deveria pregar o contrário daquilo que vinha fazendo. Além de questões religiosas, os protestantes também tinham razões políticas e sociais para pedirem por uma reforma. Enquanto na Alemanha (e posteriormente em outros países próximos) a Reforma Protestante seguia com o Luteranismo (por causa de Martinho Lutero, que era alemão), na França ela seguiu com o Calvinismo e na Inglaterra, o Anglicanismo.

João Calvino e o Calvinismo

O Luteranismo só crescia na Alemanha, mas na França, que era fortemente católica, as ideias reformistas foram consideradas hereges e os católicos entraram em choque. É aí que entra João Calvino, um francês que estudou Teologia, Direito e Humanidades, e que teve acesso às obras de Lutero, Santo Agostinho e livres estudos da Bíblia. Após ter suas ideias consideradas de extrema heresia, Calvino foi para a Suíça, onde iniciou o movimento que receberia seu sobrenome. Ele acreditava e defendia que a fé era uma dádiva divina, a qual apenas os “eleitos divinos” poderiam usufruir – estes eram escolhidos porque manifestavam multiplicarem os bens materiais recebidos, por meio do acúmulo de capitais e severidade. Suas ideias possuíam um tom capitalista que acabou ajudando Calvino dando-lhe uma aliança com os burgueses, o que facilitou a propagação do Calvinismo por outros países da Europa. Esse desdobramento da reforma luterana marcou a segunda fase da Reforma Protestante.

A relutante Inglaterra e o Anglicanismo

A Inglaterra, durante a Reforma Protestante, foi um dos países que permaneceu ao lado da Igreja Católica na luta contra os reformadores. O Anglicanismo só começou porque o rei da Inglaterra, Henrique VIII, viu na religião um modo de acabar com a influência do papa e do Sacro Império Romano-Germânico sobre seu reinado – ou seja, só o criou por causa das questões que envolviam os interesses da monarquia. Desde 1527 que o rei e o papa possuíam uma relação pouco harmoniosa e no ano de 1534, inconformado com o papa e a igreja, Henrique VIII obrigou o Parlamento britânico a votar em várias leis que deixavam a Igreja sob o controle do Estado. Neste mesmo ano veio o Ato de Supremacia que criou a Igreja Anglicana. Nesta Igreja, o rei teria o poder de nomear os seus cargos e era considerado o principal mandatário religioso. Só durante o governo de Elizabeth I que mais traços do protestantismo foram “adicionados” ao Anglicanismo, contudo, a Igreja Anglicana ainda se assemelhava bastante à Católica.