Ceticismo e dogmatismo na filosofia

O ceticismo e o dogmatismo são dois opostos de uma mesma moeda. Enquanto que o ceticismo é uma filosofia que tem como fundamento o…


O ceticismo e o dogmatismo são dois opostos de uma mesma moeda. Enquanto que o ceticismo é uma filosofia que tem como fundamento o fato de não acreditar em absolutamente nada do que é “mostrado”, buscando sempre por novas respostas partindo do pressuposto de que não existe nenhuma verdade absoluta, o dogmatismo é fundamentado em cima da capacidade do homem de conseguir essa verdade absoluta que os céticos desconhecem. Ele está ligado a expressas verdades que não precisam de nenhuma revisão ou crítica para que possa vir a ser entendida.

O que é o dogmatismo?

O dogmatismo é algo natural, é a forma como o homem percebe as coisas que estão ao seu redor, usa de sua percepção, e assim passa a acreditar na existência dessas coisas, sem ter nenhuma dúvida lhe afligindo. Esse conhecimento sobre dogmas tem exercido uma grande influência sobre as práticas religiosas com o passar dos tempos. Antigamente esse termo era usado como o significado de aparência, vindo do grego ele era ligado ao fato de expressar a opinião, crença ou algo que parecia ser, mas desde esses tempos já existiam filósofos adeptos do dogmatismo, como Parmênides, Platão  e Aristóteles, que se recusavam a crer nas verdades estabelecidas.

Platão

Platão, um dos filósofos do dogmatismo. | Foto: Reprodução

O Ceticismo

O ceticismo é uma atitude completamente pessimista, ela se agarra a probabilidade de que não se pode alcançar nenhum conhecimento verdadeiro, negando a capacidade do sujeito de conhecer algo verdadeiramente, o que faz com que a situação acabe por se tornar algo complicada, difícil de lhe dar, e porquê não dizer, insustentável e contraditória. Pois ao mesmo tempo que o sujeito afirma que é impossível adquirir um conhecimento verdadeiro, ele está supondo que isto seja uma verdade, o que significa que no fundo, quando ele diz que não existe verdade nenhuma ele também alega uma verdade, a de que não existe essa verdade. É algo que pode se parecer difícil de entender, mas que no fundo tem uma ligação com o fato de não crer em nada.

Criado na Grécia Antiga por Pirro de Éliz, um filósofo grego, é desde esses tempos que o ceticismo defende essa ideia da impossibilidade de conhecer a verdade, rejeitando piamente qualquer tipo de dogma, já que o dogma em si é a afirmação considerada verdadeira sem que seja necessário nenhuma comprovação.

Os céticos acreditam que todo conhecimento depende da realidade do ser que está envolvido nela, e também das condições que estas coisas estão acontecendo, assim, através da análise desse conjunto de fatos, podemos então confirmar que todo conhecimento é relativo. Os céticos são neutros em todas as questões e julgamentos, defendendo a indiferença, afirmando que não existe lado bom nem mau.

Já o dogma filosófico nos traz a possibilidade de se entender os fatos e conhecer a verdade, a se submeter a esses dados e a acreditar nessas informações sem nenhuma preocupação, sem questionar. Simplesmente crer. Nele não existe motivo para discussão, porque as pessoas estão decididas em aprender a verdade absoluta, já que suas crenças são inquestionáveis, e nada nem ninguém vai fazer com que elas deixem de acreditar naquilo que lhes foi ensinado.


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