Diretas Já

Durante muitos anos a população brasileira participou de muitos movimentos para lutar pelos seus direitos e pelo que acreditavam ser o mais correto. Nos…


Durante muitos anos a população brasileira participou de muitos movimentos para lutar pelos seus direitos e pelo que acreditavam ser o mais correto. Nos dias atuais ainda presenciamos e as vezes até participamos de movimentos em busca de melhorias, dos nossos direitos e de um país melhor. Um dos maiores movimentos que já ocorreu em nosso país foi o Diretas Já. Veja como esse movimento aconteceu.

O que foi o Diretas Já?

Diretas Já foi um movimento político democrático que teve uma das maiores participações políticas da história do Brasil.  Seu início aconteceu no ano de 1983, no governo de João Batista Figueiredo. Esse movimento apoiava a emenda do deputado Dante de Oliveira, que propunha eleições diretas para o cargo de Presidente da República em nosso país.

Diretas Já

Foto: Reprodução

Os participantes

Esse movimento ganhou o apoio dos partidos PMDB e PDS. Com isso, diversos políticos da época como: Franco Montoro, Fernando Henrique Cardoso, Tancredo Neves, Ulysses Guimarães, José Serra, Mário Covas, Teotônio Vilela, Eduardo Suplicy, Leonel Brizola, Luis Inácio Lula da Silva, Miguel Arraes e muitos outros passaram a participar do Diretas Já.

Mas não foram apenas os políticos que fizeram parte desse movimento, alguns artistas, jogadores de futebol, cantores e religiosos também fizeram parte, além de uma grande parte da população.

As causas do movimento

A última eleição direta havia sido no ano de 1960, o Brasil estava sob regime militar desde 1964. A Ditadura já não iria perdurar por muito tempo. A inflação estava alta, a dívida externa em um valor exorbitante, o desemprego, e muitas outras coisas mostravam como o sistema estava em crise.

Os militares, que ainda estavam no poder, tentavam pregar uma transição democrática lenta, consequentemente passaram a perder o apoio da sociedade, que muito insatisfeita com a situação, queria o fim do regime militar o mais rápido possível.

A próxima eleição para a presidência iria acontecer em 1984, e seria realizada de modo indireto, através do Colégio Eleitoral. E para que a eleição pudesse ocorrer de forma direta, na qual o voto popular valesse, seria necessária a aprovação da emenda constitucional que havia sido proposta pelo deputado do PMDB, Dante de Oliveira.

As manifestações

Foram realizadas inúmeras manifestações durante esse período, a cor amarela era a o símbolo dessa campanha. Os comícios que ocorriam eram marcados pela presença de pessoas que haviam sido perseguidas pela ditadura militar, membros da classe artística, intelectuais e representantes de outros movimentos lutavam pela aprovação do projeto de lei.

As lideranças estudantis como a UNE (União Nacional dos Estudantes) e sindicatos também reforçaram o movimento. Em janeiro de 1984, aproximadamente 300.000 pessoas se reuniram na Praça da Sé, em São Paulo. No dia 10 de abril, um milhão de cidadãos tomou conta do Rio de Janeiro e uma semana depois, cerca de 1,7 milhões de pessoas se mobilizaram novamente na Praça da Sé.

A votação popular e as eleições indiretas

No dia 25 de abril de 1984, o Congresso Nacional se reuniu para votar a emenda que Dante de Oliveira havia proposto. Mesmo após os movimentos e pressão da população, muitos deputados não votaram a favor, por uma diferença de apenas 22 votos e algumas abstenções, o Brasil continuou com o sistema indireto para as eleições de 1985.

Para dar a impressão de que seria uma disputa democrática, o governo da época permitiu que civis concorressem ao pleito. Paulo Maluf (do PDS) e Tancredo Neves (do PMDB) foram os indicados e Tancredo venceu a disputa. Mas antes de assumir o cargo de presidente, ele faleceu devido a uma doença e quem assumiu o cargo foi o vice, José Sarney, que tornou-se o primeiro presidente civil depois do regime da Ditadura Militar.


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