Pensamento cristão

O pensamento ou filosofia cristã é todo aquele que se distingue do helênico – grego – e dos chineses, hindus, entre outros, graças à…


O pensamento ou filosofia cristã é todo aquele que se distingue do helênico – grego – e dos chineses, hindus, entre outros, graças à orientação da “verdade revelada” por Jesus Cristo. Essas ideias foram iniciadas pelos seguidores de Cristo no século II e vêm se seguindo até os dias atuais.

Apesar de não se contrapor aos dogmas, a filosofia cristã parte de evidências racionais para alcançar explicações plausíveis sobre Deus e o mundo. Pode-se dizer que a fé é, para os filósofos cristãos, um apoio para que a realidade seja melhor compreendida, evitando erros ou desvios.

Objetivo

Com intuito de unir a ciência e a fé, a filosofia cristã se desenvolveu a partir das explicações racionais naturais, mas com auxílio da revelação cristã. Isso porque pensadores acreditavam haver uma relação harmônica entre a ciência e a fé, mas outros ainda afirmavam ter contradição. A discussão era, então, iniciada no campo da filosofia.

Alguns filósofos, inclusive, questionam a existência dessa filosofia, pois afirmam não haver alguma originalidade nesse pensamento, sendo que os conceitos são herdados da filosofia grega – relacionando os dois pensamentos, por fim.

Boehner e Gilson, no entanto, afirmaram que, embora devam à ciência grega os conhecimentos que foram elaborados por Platão, Aristóteles e Neoplatônicos, os pensamentos da filosofia cristã não são repetição da filosofia grega antiga. Para exemplificar, é como se os mestres gregos fossem uma espécie de pedagogos para os pensadores cristãos.

O principal objetivo, portanto, é tentar harmonizar, ou elucidar, a fé por meio da razão. Mas essa relação sempre foi bastante conflituosa no decorrer dos anos, mesmo dentro do grupo desses filósofos.

Pensamento cristão

Foto: Reprodução

História

O cristianismo se propagou por meio de diversos povos diante de um contexto de guerras, desorganização política, econômica e social do ocidente, diminuindo a atividade cultural. Isso fez com que o homem fosse dominado por crenças e superstições.

O Império Romano do Ocidente sofreu com ataques constantes dos povos bárbaros e, disso, a civilização romana que já estava em decadência acabou se transformando em uma nova estrutura da Europa, remodelando a vida social, política e econômica. Com isso surgiu o período medieval.

A igreja católica foi a instituição que conseguiu manter-se mais organizada diante de todo esse turbilhão e acabou consolidando sua estrutura e difundindo o cristianismo entre os povos bárbaros.

Com uma crescente influência, o cristianismo acabou dominando um importante papel nessa sociedade medieval. Teve em suas mãos a função de órgão supranacional e conciliador das elites dominantes, sendo responsável por contornar os problemas da fragmentação política, assim como das rivalidades internas da nobreza.

Conquistou também territórios – cerca de um terço das áreas cultiváveis da Europa Ocidental pertencia à igreja em tempos em que a terra era a principal base de riqueza – e manteve seu manto de poder, estendendo-se para outras regiões.

Fé e saber – O pensamento cristão

A igreja traçou um quadro intelectual em que a sua fé cristã era pressuposto fundamental para a sabedoria efetiva. Essa fé era a crença irrestrita, a adesão incondicional às verdades de Deus, reveladas ao homem. Ou seja, aceitando as verdades da igreja, você alcançaria a sabedoria efetiva.

A fé era, para a igreja e para o cristianismo, a maior verdade e a maior fonte de verdades reveladas, principalmente quando relacionadas à essência do homem e sua salvação.

A filosofia e a ciência, portanto, não deveriam, em momento algum, contrariar verdades da fé, de forma que não era necessária a busca pela verdade, mas sim a demonstração dessas verdades da fé trazidas ao homem por Jesus Cristo.

Todo conhecimento seria proveniente da palavra de Jesus que, nada mais seria, do que o Deus encarnado. E nada além disso precisaria ser dito ou sabido por parte dos homens. A filosofia somente apresentaria o estudo racional das provas da existência de Deus.

A fuga

Apesar de muitos dispensarem as comprovações científicas acreditando piamente em tudo que era declarado pela igreja, alguns pensadores cristãos defendiam também o conhecimento adquirido da filosofia grega – essa, considerada por muitos, como algo pagão. Esta passou a ser estudada por alguns em conciliação com a fé cristã, permitindo que os descrentes fossem enfrentados pela razão e, depois, fazer com que aceitassem a fé e os mistérios divinos.

Filósofos cristãos medievais

Os grandes nomes dessa filosofia envolvem Agostinho e Tomás de Aquino, responsáveis pelo resgate cristão de pensamentos filosóficos de Platão e Aristóteles.

“Tomai cuidado para que ninguém vos escravize por vãs e enganadoras especulações da “filosofia”, segundo a tradição dos homens, segundo os elementos do mundo, e não segundo Cristo.” (São Paulo).

Divisão

Os aspectos, segundo a estrutura da obra de T. Adão Lara, são divididos entre três características da filosofia cristã da idade média. A primeira, filosofia medieval em gestação, chamada Patrística (séc. II-VII); a segunda, no período da constituição e de maior riqueza conceitual, chamada Escolástica (séc. IX-XIII); e, por fim, a terceira, filosofia medieval em processo de mutação e superação, chamados de pré-modernos (séc. XIV-XV).


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