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Comensalismo: o que é e exemplos simples

Quando duas espécies se associam e apenas uma delas se beneficia, sem haver prejuízo para a outra, essa relação ecológica é chamada de comensalismo (do latim cum = com; mensa = mesa; ismo = costume) e se refere aos que comem na mesma mesa.

Os benefícios podem ser:

De ordem alimentar: quando uma espécie usa os restos alimentares da outra;

De transporte: quando uma espécie transporta a outra. Esse caso recebe o nome especial de foresia ou forésia (do grego phoresis = ação de levar)

De abrigo: quando uma espécie usa a outra como abrigo. Essa situação é conhecida como inquilinismo.

De fixação: quando uma planta usa outra como suporte para fixação se chama epifitismo (do grego epi = sobre; phyton = planta); quando se trata de um animal é chamado de epizoísmo (do grego epi = sobre; zoon = animal).

Relações do comensalismo

Interações intraespecíficas e interespecíficas

Os organismos pertencentes a uma mesma comunidade interagem exercendo influências recíprocas que se refletem nas populações envolvidas.

Essas interações podem ocorrer entre indivíduos da mesma população (intraespecíficas) ou entre indivíduos de populações de espécies diferentes (interespecíficas).

Dentro do grupo das interações interespecíficas, tem-se:

  • Harmônicas: mutualismo, protocooperação, inquilinismo.
  • Desarmônicas: amensalismo (ou antibiose), predatismo, parasitismo e competição.

Relações harmônicas e desarmônicas

Quando analisadas isoladamente, as relações podem se revelar harmônicas ou desarmônicas. As interações harmônicas ou positivas são aquelas em que não há prejuízo para nenhuma das populações da interação. Já nas interações desarmônicas ou negativas, pelo menos uma das populações sofre algum tipo de desvantagem.

Entretanto, considerando o total das interações em uma comunidade, verifica-se que mesmo as desarmônicas podem ter efeitos indiretos positivos, pois são importantes para o equilíbrio das populações que interagem.

Classificação das interações

O termo simbiose surgiu em 1879 e refere-se originalmente a toda e qualquer associação estável entre indivíduos de espécies diferentes, seja uma interação positiva ou negativa.

Sendo assim, poderíamos considerar três tipos bem definidos de simbiose: o parasitismo, o mutualismo e o comensalismo. No entanto, a utilização do termo simbiose tem sido ampliada, aplicando-se a qualquer tipo de relação interespecífica.

A classificação das interações ecológicas pode variar muito. Em algumas, o comensalismo inclui o inquilinismo, que deixa de ser uma das categorias. Além disso, há casos em que os limites entre uma categoria e outra não são muito nítidos e há tipos de interações que não se encaixam bem em nenhuma categoria.

Principais tipos de comensalismo

Nas interações ecológicas interespecíficas, costuma-se utilizar sinais para representar o efeito dessa relação sobre as populações envolvidas. O sinal + é usado quando a população cresce, o sinal quando a população diminui e o sinal 0 quando não há crescimento nem redução da população.

No caso específico do comensalismo temos a relação + / 0, ou seja, nesse tipo de associação apenas um dos participantes se beneficia, sem causar prejuízo ao outro.

Exemplos de comensalismo

A relação do comensalismo acontece em função da obtenção de alimento, como exemplo temos a associação do tubarão com o peixe-piloto.

Tubarão e o peixe-piloto

Tubarão cercado de peixes-pilotos

Os peixes-pilotos se alimentam dos restos de comida do tubarão (Foto: depositphotos)

Os peixes-pilotos (chamados comensais) vivem ao redor do tubarão, alimentando-se dos restos de comida que escapam da boca desse predador. Os peixes se beneficiam da comida (+) e para os tubarões não há ganho nem perda (0).

Peixe-palhaço e a anêmona-do-mar

Peixe-palhaço na anêmona

O peixe-palhaço se protege em meio aos tentáculos urticantes da anêmona-do-mar (Foto: depositphotos)

Outro exemplo é o peixe-palhaço e a anêmona-do-mar. Neste caso, o peixe tem o hábito de se esconder entre os tentáculos da anêmona e aproveita os restos de comida deixados por ela.

Os tentáculos urticantes da anêmona não agridem o peixe-palhaço, pois ele possui uma substância mucosa que reveste seu corpo e o protege.

Guepardos e abutres-de-costas-brancas

Abutres comendo carcaça

Os abutres-das-costas-brancas se favorecem dos restos da caça dos guepardos (Foto: depositphotos)

Os guepardos e abutres-de-costas-brancas também apresentam uma relação comensal, os abutres aproveitam os restos da presa deixados pelos guepardos, servindo-se da carne desprezada. 

Rêmora e outros peixes

Rêmora nadando abaixo de tubarão

A rêmora se vincula a outros peixes para se beneficiar na alimentação e transporte (Foto: depositphotos)

A rêmora ou peixe-piolho prende-se ao corpo de outros peixes, como o tubarão, por meio de uma nadadeira dorsal transformada em ventosa de fixação. Com isso obtém restos de comida e um eficiente meio de transporte.

Peixe-agulha e pepino do mar

Pepino-do-mar negro no oceano

O peixe-agulha se refugia no interior do pepino-do-mar (Foto: depositphotos)

Alguns animais aquáticos, como as esponjas e as colônias de corais, servem de abrigo a diversos outros seres, chamados inquilinos.

Estes não prejudicam de nenhum modo o animal que os abriga e têm até mesmo hábitos alimentares diferentes. É o que ocorre com o pepino do mar, um equinodermo, que em cujo interior o peixe agulha, ou fieráster, se refugia.

Epífitas e árvores

Bromélias em tronco de árvore

As bromélias se fixam em outras plantas para conseguir captar luz do sol (Foto: depositphotos)

Entre os vegetais de pequeno porte, a competição pela energia luminosa favorece aqueles que vivem sobre árvores e conseguem, assim, uma posição privilegiada para captar a luz do sol. Essa interação é chamada epifitismo.

As plantas que fazem outras de suporte são chamadas epífitas, como as orquídeas e as bromélias. As epífitas não devem ser confundidas com plantas parasitas, como o cipó chumbo, pois não retiram nenhum alimento das árvores em que vivem.

Comensalismo x mutualismo

Como vimos, na relação de comensalismo entre duas espécies, apenas uma se beneficia e a outra não tem ganho nem perda. Já no mutualismo, o termo pode ser aplicado em sentido amplo para qualquer associação em que os dois organismos de espécies diferentes sejam beneficiados (do latim mutuare = trocar, dar e receber).

O mutualismo também é utilizado no sentido mais estrito para indicar casos em que há grande interdependência entre os organismos associados, envolvendo trocas de alimentos e de produtos do metabolismo com benefícios mútuos. Essa dependência é de tal ordem que a vida em separado se torna impossível.

Exemplos de mutualismo

Líquen em tronco de árvore

O líquen é um caso específico de mutualismo (Foto: depositphotos)

  • Líquen: associação entre certos fungos e algas clorofíceas ou cianobactérias.
  • Micorriza: associação entre plantas e certos fungos.
  • Cupim e protozoários.
  • Leguminosas e bactérias.
Resumo do Conteúdo
Nesse texto você aprendeu que:

  • O comensalismo é quando duas espécies se associam e uma delas se beneficia.
  • Os benefícios do comensalismo pode ser de ordem alimentar, transporte, fixação e abrigo.
  • O comensalismo pode ser intraespecíficas (indivíduos da mesma espécie) ou interespecífica (de espécies diferentes).
  • O comensalismo beneficia uma das espécies sem prejudicar a outra.

Exercícios resolvidos

1- O que é comensalismo?
R: É quando duas espécies se associam e apenas uma delas se beneficia, sem haver prejuízo para a outra.
2- Qual a vantagem do comensalismo?
R: Serve para beneficiar uma das espécies facilitando sua alimentação, transporte, abrigo ou fixação./su_spoiler]
3- Quais os tipos de relações do comensalismo?
R: Intraespecíficas, quando os indivíduos são da mesma espécie, ou interespecífica, quando os indivíduo são de espécies diferentes.
4- O que são as relações harmônicas e desarmônicas?
R: Relação harmônica é quando não oferece prejuízos para nenhuma das partes. Desarmônica é quando existe algum prejuízo.
5- Cite um exemplo de comensalismo.
R: O peixe-palhaço e a anêmona-do-mar. O peixe se esconde em meio aos tentáculos da anêmona para se proteger, pois possuem substância urticante, mas não oferece risco ao peixe.
Referências

» PINTO-COELHO, Ricardo Motta. Fundamentos em ecologia. Artmed Editora, 2009.

» DOCIO, Loyana et al. Interações ecológicas de esponjas marinhas (Animalia, Porifera) segundo pescadores artesanais da Baía de Camamu, Bahia, Brasil. Biotemas, v. 23, n. 3, p. 181-189, 2010.

» SANTOS, Antonio Eduardo Rosendo et al. Estudos do meio com alunos do ensino médio: reconhecimento em campo de interações ecológicas inter e intraespecíficas. Unisanta Humanitas, v. 5, n. 2, p. 199-207, 2016.

Sobre o autor

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Natália Duque é Graduada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro.