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Sistema urinário

O sistema urinário participa do principal mecanismo homeostático dos animais: a excreção. Graças à excreção, o organismo mantem-se em condições de normalidade, especialmente em relação ao equilíbrio de sais e de água, e à eliminação de excretas nitrogenadas.

As excretas nitrogenadas são resultantes do metabolismo de proteínas e de ácidos nucleicos, sendo que o tipo de excreta que o animal predominantemente produz está relacionado com o ambiente onde ele vive. As principais excretas são ácido úrico, ureia e amônia, que apresentam toxicidade e solubilidade em água distintas.

Principais órgãos do sistema urinário

Os principais órgãos do sistema urinário humano são: os rins, os ureteres, a bexiga e a uretra.

Sistema urinário ampliado

O sistema urinário realiza uma das principais funções do organismo, a excreção (Foto: depositphotos)

Excretas Nitrogenadas

Amônia

A amônia é altamente tóxica e muito solúvel em água. Há necessidade de um volume considerável de água para sua eliminação do organismo. É a principal excreta dos animais aquáticos.

Ureia

A ureia é menos tóxica e menos solúvel em água que a amônia, havendo necessidade de um volume menos de água para sua eliminação. É a principal excreta de alguns animais aquáticos e de muitos animais terrestres. Na espécie humana, a principal excreta nitrogenada é a ureia, que é eliminada através da urina.

Ácido úrico

O ácido úrico é atóxico e insolúvel em água, sendo produzido por animais que precisam economizar água ou que não dispõem desse recurso em grande quantidade. O ácido úrico também é produzido por embriões que se desenvolvem no interior de ovos revestidos por cascas.

Por suas características, esse tipo de excreta pode ser armazenado no interior do ovo sem causar prejuízo ao embrião, o que não ocorreria com os outros produtos de excreção nitrogenada.

Formação da urina

Para a urina se formar, ela passa por um processo chamado de excreção. Nesse processo, o sangue é filtrado nos rins, órgãos essenciais do sistema urinário. A unidade fundamental dos rins é o nefro (ou néfron ou ainda, nefrônio).

Cada nefro é formado pelo corpúsculo renal (cápsula e glomérulo) e pelo túbulo néfrico. Este pode ser dividido em três regiões distintas: o túbulo contorcido proximal, a alça néfrica (alça de Henle) e o túbulo contorcido distal.

O sangue ao ser filtrado pelos rins é arterial, trazido pelas artérias renais (direita e esquerda), ramos da artéria aorta. As artérias renais apresentam múltiplas ramificações no interior do rim.

Acompanhando o percurso de uma dessas ramificações, verifica-se que ela sofre redução de diâmetro até formar um capilar muito delgado, que se enovela dando origem ao glomérulo renal (glomérulo de Malpighi). Este fica abrigado pela cápsula renal (cápsula de Bowman) e juntos compõem o corpúsculo renal.

O sangue, ainda arterial, sai do glomérulo por um vaso que o conduz a uma trama de capilares ao redor dos túbulos néfricos. O sangue, agora venoso, é recolhido por um ramo da veia renal e levado até a veia cava.

O sangue chega ao glomérulo sob alta pressão, o que propicia a passagem de elementos do plasma para a cápsula renal. Esse processo denomina-se filtração e forma o filtrado glomerular, que contém principalmente água, ureia, sais (de sódio e de potássio, por exemplo), aminoácidos, glicose e outras substâncias.

O filtrado glomerular tem praticamente a mesma composição do plasma sanguíneo, sem contar, no entanto, com as proteínas demasiadamente volumosas para passar através das paredes dos capilares e da cápsula. Células sanguíneas e plaquetas também não são normalmente encontradas no filtrado glomerular.

Estima-se que em 24 horas sejam filtrados cerca de 180 litros de sangue. Isso indica que o volume total do sangue é filtrado cerca de 60 vezes por dia. Apesar dessa grande filtração ocorrida nos glomérulos e na cápsula, formam-se apenas de 1 a 2 litros de urina por dia, o que significa que aproximadamente 90% a 95% do filtrado glomerular é reabsorvido.

Nos túbulos néfricos ocorre a reabsorção de algumas substâncias, como glicose, aminoácidos e sais, além de grande parte da água. Assim, inicia-se a formação da urina, que vai se modificando ao longo dos túbulos néfricos, ficando mais concentrada.

No ducto coletor (ou túbulo coletor reto) ocorrerá mais reabsorção de água, finalizando a produção da urina. Cada ducto coletor recebe a urina de vários nefros, e numerosos ductos coletores a levam para a pelve renal, que a conduz através do ureter à bexiga urinária, onde fica armazenada até ser eliminada para o meio externo pela uretra.

O ureter de uma pessoa adulta mede aproximadamente 25 cm de comprimento e a bexiga urinária pode armazenar, quando cheia, até mais de meio litro de urina. A partir de 350 ml a pessoa já começa a sentir necessidade de eliminar a urina.

A uretra

A uretra de um indivíduo do sexo masculino adulto mede cerca de 20 cm de comprimento e é um órgão comum aos sistemas urinário e genital. A uretra feminina é exclusiva do sistema urinário e mede cerca de 4 cm de comprimento.

Doenças renais

Acidose e uremia

Uma redução na taxa de filtração causa perda da homeostase com desequilíbrio no teor de água, sais e excretas nitrogenadas do corpo. A retenção de água provoca edema e, à medida que a concentração de íons hidrogênio aumenta, os fluidos corpóreos tornam-se mais ácidos, falando-se em acidose.

Excretas nitrogenadas acumulam-se no sangue e nos tecidos, causando uma condição denominada uremia. Se a acidose e a uremia não forem tratadas, podem levar a pessoa à morte.

Quando os rins deixam de funcionar, é necessário realizar diálise. Uma das formas de diálise é a hemodiálise, em que o sangue do paciente circula em uma máquina que remove as impurezas nele presentes. A hemodiálise dura entre 4 e 6 horas e em geral é feita a cada 3 ou 4 dias. Em alguns casos, o transplante de rim é necessário.

Cálculo renal

O cálculo renal ou pedra no rim é uma doença renal causada por uma estrutura cristalina que se forma nas várias partes do trato urinário. Alguns cálculos podem permanecer assintomáticos.

Entretanto, podem também obstruir e ferir partes do trato urinário ao tentarem passar junto com o fluxo normal da urina, causando dor intensa. Quando um cálculo é muito grande para passar pelo trato urinário, ele pode ser quebrado em partes menores, por exemplo, com ultrassom.

Referências

LOPES, Hélio Vasconcellos; TAVARES, Walter. “Diagnóstico das infecções do trato urinário“. Revista da Associação Médica Brasileira, v. 51, n. 6, p. 306-308, 2005.

TORTORA, Gerard J.; DERRICKSON, Bryan. “Corpo Humano-: Fundamentos de Anatomia e Fisiologia“. Artmed Editora, 2016.