Êxodo rural – Causas e consequências

Por Gabriely Araujo

Êxodo rural - Causas e consequências

Imagem: Reprodução

O êxodo rural pode ser caracterizado como a migração de habitantes de uma determinada região para outra do país, em sua maioria em busca de melhores condições de vida, trabalho e serviços como saúde, escola e transporte. Esse fenômeno, que está presente em todo o mundo, também pode se dar a partir da fuga dos retirantes de desastres naturais como seca, enchentes, furacões etc.

Causas do êxodo rural

As causas do êxodo rural são diversas, dentre elas temos a mecanização no processo de agricultura. Com o crescimento econômico de determinadas regiões, os campos modernizam-se e as atividades manuais passam a ser mecanizadas, substituindo a mão de obra por máquinas. O trabalhador rural, em desvantagem perante a modernização do campo, sem trabalho e sustento para a família, vê-se obrigado a migrar para a cidade em busca de emprego e melhores condições de vida.

A capitalização também é um fator determinante para essa transição do campo/cidade. As cidades industrializam-se e com as novas fábricas e empresas aumenta a oferta de trabalho, atraindo os moradores do campo que buscam melhoria de vida e melhores empregos. Contudo, a oferta torna-se escassa devido à quantidade de migrantes que vão surgindo e grande parte dessa população, que se desloca para os centros urbanos, não têm a qualificação adequada para as vagas oferecidas.

O contingente de migrantes no Brasil teve seu ápice na década de 60, no governo de JK (Juscelino Kubitscheck), com a abertura econômica para capital internacional e a instalação de grandes multinacionais e montadoras na região Sudeste do país, a qual recebeu grande investimento do governo. Muitos trabalhadores do Norte e Nordeste também migraram em peso para a região central do Brasil na época da construção de Brasília, em busca de empregos na área da construção civil.

Consequências

As consequências desse processo de migração em massa são inúmeras. Como o número de trabalhadores superava o número de vagas de emprego ofertadas, muitos acabaram instalando-se nas regiões periféricas das cidades, lugares carentes de serviços essenciais como saneamento, saúde, escola e transporte.

Esse crescimento desenfreado da população urbana causou o inchaço das cidades, deixando os trabalhadores amontoados nos morros, cortiços e com isso deu-se o surgimento de inúmeras favelas em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte entre outras. O grande salto no número de habitantes nas áreas carentes fez aumentar a violência e, desempregados, muitos viram como opção o trabalho informal (como vendedores ambulantes). A falta de planejamento urbano junto com o êxodo rural também teve como consequência o aumento de doenças e miséria dentre as classes mais pobres.

Na construção de Brasília não foi diferente; um número extremamente alto de migrantes deslocou-se para a região central do país e instalou-se pelos arredores da capital federal, fazendo surgir cidades que estavam fora do planejamento urbano, hoje chamadas de cidades-satélites.

Os problemas causados pelo crescimento desenfreado e falta de estrutura urbana para receber tal contingente de migrantes são vistos até os dias de hoje, na desigualdade social, violência e cidades com um grande número de favelas.

O êxodo rural, embora em menor percentual, ainda é praticado nos dias atuais e vem transformando a geografia do país. Ações governamentais como incentivo aos trabalhadores rurais, subsídios e melhor planejamento urbano podem ajudar a diminuir esse contingente de migrantes e a manter o homem do campo no campo, para que este não venha a se tornar mais um no percentual geográfico das grandes cidades.