Funções do “se”

Relacionada à morfologia ou à sintaxe, a partícula “se” assume várias funções na língua portuguesa: pode ser um pronome, uma partícula de realce ou…


Relacionada à morfologia ou à sintaxe, a partícula “se” assume várias funções na língua portuguesa: pode ser um pronome, uma partícula de realce ou uma conjunção subordinativa.

É muito comum encontrarmos orações com a presença da palavra “se”, no entanto, o emprego da partícula gera muitas dúvidas justamente pela possibilidade de ser empregado em várias funções morfossintáticas.

O intuito deste artigo é analisar separadamente cada uma das funções do “se”.

1) Pronome

  1. a) Pronome reflexivo: neste caso, a partícula “se” serve para indicar que o sujeito pratica e sofre a ação.

Exemplo: O menino cortou-se.

  1. b) Partícula apassivadora: indica que a frase está na voz passiva, ou seja, o sujeito sofre a ação praticada por outro agente. Relaciona-se a verbos transitivos diretos ou transitivos diretos e indiretos.

Exemplo: Vende-se carro usado. (Na voz passiva analítica: Carro usado é vendido)

Funções do “se”

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  1. c) Índice de indeterminação do sujeito: relaciona-se a verbos intransitivos, transitivos indiretos ou de ligação, conjugados na 3ª pessoa do singular.

Exemplo: Precisa-se de vendedores.

  1. d) Partícula integrante do verbo: integra verbos essencialmente pronominais, que são os que trazem junto de si o pronome oblíquo.

Exemplos: queixar-se, arrepender-se, alegrar-se, zangar-se, indignar-se e outros.

  1. e) Pronome reflexivo recíproco: A ação envolve dois sujeitos, em que ambos praticam e sofrem a ação um sobre o outro.

Exemplo: Laís e Priscila deram-se as mãos.

  1. f) Partícula de realce ou expletiva: Não desempenha nenhuma função sintática, como o próprio nome já indica. Trata-se de uma partícula de realce apenas, podendo ser retirada da oração sem que haja alteração de sentido.

Exemplo: Foi-se o tempo em que não tínhamos preocupações.

2) Conjunção

  1. a) Conjunção subordinativa integrante: introduz orações subordinadas substantivas.

Exemplo: Quero saber se ele virá ao cinema.

  1. b) Conjunção subordinativa condicional: introduz orações subordinadas adverbiais condicionais.

Exemplo: Se tivéssemos saído mais cedo, não pegaríamos fila para comprar os ingressos.

  1. c) Conjunção subordinativa causal: é utilizada na oração subordinada para indicar a causa da oração principal. Relaciona-se a “já que”, “uma vez que”, “visto que”.

Exemplo: Se não tinha as qualificações necessárias, não poderia ter aceitado o emprego.

 

 

*Débora Silva é graduada em Letras (Licenciatura em Língua Portuguesa e suas Literaturas).


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