A Ucrânia e a geopolítica da Rússia. Como esse assunto pode cair no Enem

Antes de começar a debater o assunto, é importante que você saiba que a crise no leste europeu envolve a Ucrânia, Rússia e a União Europeia


Para quem está se preparando para as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), um dos assuntos mais recorrentes diz respeito a Geografia, principalmente no âmbito da geopolítica. Para ajudar na preparação, o professor Mateus Godoi, do canal no YouTube Zoom Poliedro, esclarece pontos e, principalmente, tira possíveis dúvidas sobre a crise no leste europeu.

Antes de começar a debater o assunto, é importante que você saiba que a crise no leste europeu envolve a Ucrânia, Rússia e a União Europeia. Sendo assim é importante que você comece a conhecer um pouco mais sobre esses territórios.

Ucrânia

A Ucrânia é um país localizado na Europa, sendo o segundo país em relação a território, perdendo apenas para a Rússia. Ele possui uma área de 603 mil km² e população média estimada em 45 milhões de pessoas. A capital desse país é Kiev. No que diz respeito a crise, o fator étnico é um dos motes, onde 77% é ucraniana e 17% russa. Os russos se concentram, em grande maioria, nas regiões de Donetsk, Luhansk e Crimeia.

A Ucrânia e a geopolítica da Rússia. Como isso pode virar assunto no Enem

Foto: depositphotos

Os interesses que ligam Ucrânia e a Rússia diz respeito ao gás natural, onde 80% do produto que chaga à Europa, passa pelo território ucraniano. O produto é usado em larga escala pela União Europeia, sobretudo no fator econômico que representa 30% desse total. Além disso, Moscou paga a Kiev royalties pelo uso da rede de gasoduto do país.

Conflitos na Ucrânia

Baseado na riqueza do país, outros territórios estão de olho para poder aproveitar tudo da melhor forma, sobretudo os Estados Unidos e a União Europeia. Para o primeiro país, o interesse é não permitir essa forte ascensão da Rússia no que diz respeito a economia e política.

Esses conflitos surgem também a partir da tentativa da Europa em integrar a Ucrânia a União Europeia e também da tentativa da Rússia de manter o país sob a sua zona de influência. No final de 2013, a União Europeia fez uma proposta de livre comércio ao presidente Víktor Yanukovich (pró-Rússia), oferecendo 610 milhões de euros, além da entrada no bloco europeu.

Na forma de lutar pelos próprios interesses, a Rússia não deixou isso barato, fazendo uma contra-proposta. A Rússia ofereceu preços de gás inferiores aos praticados no momento e a validação de um empréstimo de 15 bilhões de dólares. Esse valor contrapõe com os 610 milhões de euros oferecidos pela Europa.

Dessa forma o presidente Vladimir Putin conseguiu que a Ucrânia não desse sequência com o acordo de integrar o grupo da União Europeia, mantendo o país sobre a órbita russa. Sendo assim, o governo ucraniano voltou atrás e se afastou da Europa. No momento que o acordo com a União Europeia foi recusado, a maior parte da população ucraniana se rebelou contra o fato. Essa parte da história ficou conhecida como Euromaidan, com início em 24 de novembro de 2013.

O surgimento dos ideais separatistas

Essas revoltas são encabeçadas por grupos sociais, bem amparados por outros grupos mais conservadores, beirando os neonazistas e fascistas, que fizeram questão de se mostrar contra o cancelamento de acordo com a UE. Vale ressaltar que a ideologia dos grupos são bem radicais. Isso acabou dando origem a movimentos separatistas.

Em 22 de fevereiro de 2014, por pressão popular, o Parlamento ucraniano destitui o presidente Viktor Yanukovich do poder, alegando que ele não tem habilidade para ocupar o cargo. O poder do país foi assumido pelo próprio Parlamento. A decisão foi apoiada pela EU, que tinha grande interesse, já que viu na possibilidade uma reavaliação da oferta.

A Crimeia

A Crimeia é o primeiro dos conflitos ocorridos a partir do que aconteceu nas manifestações Euromaidan. Historicamente falando, a Crimeia era um território que pertencia a Rússia, sendo presenteada, ainda no período da Guerra Fria, pelo próprio Nikita Khrushchev, passando a fazer parte do território ucraniano. Esse fato garante que o território tenha grande maioria russa.

Essa divergência de interesses acabou gerando na população um sentimento de reanexação à Rússia. Em 17 de março de 2014, um referendo foi realizado para saber a opinião da população em relação a essa reanexação. No fato, 96,8% das população aprovou a adesão da região à Federação Russa. Um fato que chamou bem atenção em relação a esse referendo é que ele só foi realizado na Crimeia, não levando em consideração a opinião de todos os ucranianos.

O resultado foi aceito como legítimo pela Rússia, culminando na reanexação do território à ela. Houve pouca resistência a aprovação do ocidente, mas nada que gerasse maiores revoltas. O fato do território já ter pertencido à Rússia acabou facilitando o processo.

A Guerra Civil no Leste

No Leste Europeu, a anexação da Crimeia ao território Russo ainda não está tão clara. No que diz respeito aos conflitos, nem mesmo a própria Rússia assume que está participando dos conflitos diretamente. Isso implicaria em um conflito entre dois estados nações diferentes. Nesse caso, a Rússia não pode questionar a soberania e o território ucraniano.

Na região de Donetsk e Luhansk, uma maioria russa vive nas áreas que são grandes produtoras de gás. Essa região se revoltou contra eleição do novo presidente depois que um empresário ucraniano, ligado ao setor de chocolates, assumiu o poder com fortes ligações aos ideais europeus. A população do leste se revoltou, alegando que não queria mais fazer parte da Ucrânia por não concordar com a orientação do presidente.

Com o episódio, os rebeldes da região proclamam a independência da área, produzindo uma guerra civil contra o exército ucraniano. Essa realidade fez com que a Ucrânia passasse a ser vista como instável.

Assista ao vídeo da aula na íntegra aqui:


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