Governo de Fernando Collor de Melo

Fernando Collor de Melo foi o primeiro presidente a ser eleito por voto direto depois do regime militar. Veja detalhes do seu governo e o impeachment


Desde o período em que o Brasil passou por uma terrível linha de ditadura, onde os governantes não davam nenhum tipo de escolha em relação ao desejo do povo, que a sociedade em si esperava ansiosa pelo momento em que poderia voltar as urnas e enfim decidir quem julgava estar mais apto a administrar a máquina pública brasileira, a última vez que o Brasil havia tido uma eleição direta foi no ano de 1960, antes de ter início o chamado Regime Militar, elegendo Jânio Quadros a presidente.

Na década de 80 a política nacional já fluía para uma democratização em níveis mais ágeis, porém, ela de fato estaria plenamente consolidada quando o povo retornasse as urnas e percebesse que a partir de então tinham uma real voz na escolha de seus representantes, e foi no fim dessa década que isto veio a acontecer.

Governo de Fernando Collor de Melo

Foto: Reprodução

Carreira política de Collor

Quando no ano de 1989 foram organizadas as eleições presidenciais que elegeriam um candidato através do voto direto, um nome se sobressaiu e acabou por vencer as eleições em um partido desconhecido vencendo um prognóstico pouco favorável a sua vitória.

Fernando Collor de Melo, filiado ao PRN, veio a ser o primeiro presidente eleito de forma direta depois do período militar. Nascido no Rio de Janeiro no ano de 1949, ele já tinha uma família tradicionalmente envolvida na política, tanto é que sua adolescência passou-se em Brasília onde ele se graduou em economia pela UnB. Como sua família possuía negócios no estado de Alagoas,  em 1973 ele mudou-se pra lá onde viria a efetivamente ingressar no mundo da política, vindo a se tornar prefeito em 1979, através do Governo Militar, e deputado federal pelo PDS três anos depois. Buscando ascender ainda mais na carreira, em 1986 ele venceu as eleições para governador de Alagoas, onde conquistou notoriedade nacional ao combater fortemente os funcionários públicos que eram acusados de receber salários astronômicos, que ficaram conhecidos como “marajás”, e consequentemente, 3 anos depois, estaria se tornando Presidente da República.

O novo presidente

No dia 15 de março de 1990 Fernando Collor de Melo era empossado presidente do Brasil,  onde no dia seguinte já viria a anunciar uma série de medidas que tinham como principal objetivo estabilizar a economia nacional, que se encontrava completamente abalada desde o ano anterior, quando a taxa de inflação, por exemplo, chegou a alcançar a marca de 1.764%.

O então presidente deu início ao chamado Plano Brasil Novo, que logo ficou popularmente conhecido como Plano Collor. Elegendo como ministra Zélia Cardoso de Mello, responsável por elaborar e desenvolver o programa, logo ficaram determinados os seguintes pontos:

  • Extinguir o cruzado novo e trazer de volta o cruzeiro como moeda nacional;
  • Bloquear por dezoito meses os depósitos em contas correntes e cadernetas de poupança que ultrapassassem os 50.000 cruzados novos;
  • Congelamento de preços e salários;
  • Dar fim aos subsídios e incentivos fiscais;
  • Lançamento do Programa Nacional de Desestatização;
  • Extinguir vários órgãos do governo, entre eles: Instituto do Açúcar e do Álcool, Instituto Brasileiro do Café, Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste, Departamento Nacional de Obras contra a Seca (DNOCS).
  • Colocar à venda: Imóveis, veículos e aviões do governo.

O novo governo esperava que com essas atitudes fosse possível dar uma enxugada na máquina administrativa do Estado, para que fosse possível então acabar de vez com a alta taxa inflacionária e ainda conseguir modernizar a economia nacional. A primeira vista esse programa causou um grande impacto em toda a população, tanto trabalhista quando empresarial, o resultado não foi tão bom quanto esperado, o que acabou por deixar um pouco de frustração em respeito as expectativas do plano.

Não haviam se passado nem seis meses e o aumento da inflação fez com que o governo se visse obrigado a acabar com o novo pacote, lançando o conhecido Plano Collor II, que assim como o anterior, continuou a desagradar tanto a população em geral quanto os empresários. Este também não obteve nenhum sucesso, vindo também a fracassar.

Seu primeiro ano de mandato não foi exatamente como ele imaginava. O país passava por uma enorme recessão econômica, o que agravava ainda mais os problemas sociais da população. A forma autoritária e exagerada com que o sistema econômico era administrado foram os grandes pecados deste governo, que mesmo com mudanças tão drásticas impostas à nação não conseguiu diminuir a inflação nem muito menos estabilizar a economia.

Para se ter uma ideia, o Produto Interno Bruto (PIB) caiu cerca de 6% só nos três primeiros meses de seu governo.

O impeachment

As coisas não corriam tão bem no governo Collor, e para completar ainda mais a situação desfavorável, em meados de 1991 começaram a surgir denúncias envolvendo pessoas muito próximas ao presidente, nomes que iam desde ministros até amigos mais íntimos e a própria esposa, a primeira dama Rosane Collor. Entre essas denúncias, o ex tesoureiro da campanha, Paulo César Farias, teve seu nome envolvido em um esquema de corrupção denunciado pelo próprio irmão do presidente, Pedro Collor de Melo.

Esses fatos, agregados a muitos outros, causaram uma forte movimentação popular, acarretando na instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, que buscava investigar se o presidente possuía alguma responsabilidade sobre os fatos denunciados.

Com o processo de impeachment sendo aberto pela Câmara dos Deputados, no dia 2 de outubro, que teve o apoio e a presença das grandes massas populares, que saíram as ruas com os rostos pintados em um movimento que recebeu o título de Caras-pintadas, no mês seguinte, em 29 de setembro, a câmara votava o impeachment do presidente, por 441 a 38 votos. Collor então, se antecipa aos fatos e renuncia antes mesmo de ser condenado.

Seu vice, Itamar Franco, torna-se então o novo presidente do Brasil.

*Revisado por Allex Albuquerque, graduado em história.


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