A origem, significado e características do maracatu

Essa dança folclórica é bastante comum no estado de Pernambuco

Identificada pela forte vibração dos seus tambores, o maracatu é uma dança folclórica de origem afro-brasileira. Esse tipo de manifestação é bastante comum no estado de Pernambuco, sobretudo nas cidades de Olinda, Recife e Nazaré da Mata. Um dos pontos altos do maracatu é o Carnaval, responsável pela animação de muitos foliões.

Indícios históricos apontam que o maracatu surgiu em meados do século XVIII, a partir da miscigenação musical das culturas portuguesa, indígena e africana. Ela se origina da instituição dos Reis Negros, já conhecida nos países da França e Espanha, no século XV e em Portugal, no século XVI.

Já no Estado de Pernambuco, documentos sobre as coroações de soberanos do Congo e de Angola, apontam mais sobre a manifestação desde o ano de 1674. Esses indícios foram encontrados na igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos da Vila de Santo Antônio do Recife.

As figuras do maracatu

O maracatu foi originado da miscigenação musical das culturas portuguesa, indígena e africana

O maracatu é uma dança folclórica de origem afro-brasileira (Foto: Reprodução | Wikimedia Commons)

A partir da importância que a manifestação acabou ganhando, muitos personagens foram surgindo, sendo cada um deles com a sua própria representação. São figuras do maracatu o rei, rainha, dama-de-honra da rainha, dama-de-honra do rei, príncipe, princesa, dama-de-honra do ministro, ministro, dama-de-honra do embaixador e embaixador.

Ainda são identificados na manifestação a figura do duque, duquesa, conde, condessa, quatro vassalos, quatro vassalas, três calungas, três damas-do-paço (responsáveis pelas calungas durante o desfile), porta-estandarte, escravo, figuras do tigre e do elefante, guarda coroa, corneteiro, baliza, secretário, lanceiros, brasabundo, batuqueiros, caboclos e baianas.

Na percussão, a atenção se volta para os grandes tambores, chamados de alfaias que são tocados com talabartes (baquetas especiais para o instrumento). Estes dão o ritmo ou o baque da música e são acompanhados pelos caixas ou taróis, ganzás e um gonguê ou agogô.

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Tipos de maracatu

A manifestação tem um forte apelo religioso. À medida que as irmandades foram perdendo força, os maracatus passaram a fazer suas apresentações durante o Carnaval, principalmente no de Recife.

Além da parte mística, outra característica do maracatu do baque solto é o próprio som que os instrumentos fazem. Eles são tocados com toda efervescência, o que acaba marcando o compasso das apresentações.

Sendo assim, dois tipos de maracatu são identificados: o Maracatu Rural, também conhecido como maracatu de baque solto e Maracatu Nação, também conhecido como maracatu de baque virado.

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Baque solto

Caboclo de lança

O caboclo de lança é uma representação clássica no maracatu do baque solto (Foto: Reprodução | Wikimedia Commons)

 

Distingue-se do Maracatu Nação ou Maracatu de Baque Virado em organização, personagens e ritmo. O cortejo do Maracatu Rural diferencia-se dos outros maracatus por suas características musicais próprias e pela essência de sua origem refletida no sincretismo de seus personagens. A orquestra é formada por instrumentos de percussão e sopro.

Baque virado

Alfaia

Uma marca do maracatu do baque virado são os grandes tambores, chamados de alfaia (Foto: Reprodução | Wikimedia Commons)

É formada por uma percussão que acompanha um cortejo a instituição que compreendia um setor administrativo e outra, festivo, com teatro, música e dança. A parte falada foi sendo eliminada lentamente, resultando em música e dança próprias para homenagear a coroação do rei Congo.

Os Maracatus de Baque Virado sempre começam em ritmo compassado, que depois se acelera, embora jamais alcance um andamento muito rápido. Antes de se ouvir a corneta ou o clarim, que precedem o estandarte da Nação, é a zoada do “baque” que anuncia, ao longe, a chegada do Maracatu.

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Formado em Jornalismo pela UniFavip | Wyden. Já trabalhou como repórter e editor de conteúdo em um site de notícias de Caruaru e em três revistas da região. No Jornal Extra de Pernambuco e Vanguarda de Caruaru exerceu a função de repórter nas editorias de Economia, Cidades, Cultura, Regional e Política. Hoje é assessor de imprensa do Shopping Difusora de Caruaru-PE, Seja Digital (entidade responsável pelo desligamento do sinal analógico no Brasil), editor da revista Total (com circulação em Pernambuco) e redator web do Estudo Prático.