Colônias de povoamento

As colonizações quase sempre ocorrem com disputas e, até mesmo, conflitos violentos

As colônias são territórios ocupados e administrados por um agrupamento de sujeitos que detém formas de poder, geralmente militar, ou que são representantes do governo de um dado país a que este território não pertencia anteriormente, mas que será colonizado, ou organizado, por este país mais poderoso. Isso aconteceu no caso brasileiro, quando os portugueses transformaram o Brasil em uma colônia sob seus domínios.

A colonização

A colonização é um processo no qual um território com alto poderio, seja ele econômico, militar ou político estabelece novos territórios para seus domínios em áreas que podem ser distantes geograficamente de seus domínios atuais. As colonizações quase sempre ocorrem com disputas e, até mesmo conflitos violentos.

Isso ocorre porque os moradores das novas colônias podem ser desapossados de suas terras, inclusive perdendo seus bens e direitos políticos que até aquele momento haviam conquistado. Um grande exemplo disso são os índios que habitavam o continente americano, os quais foram forçados a deixar os territórios que habitavam no contexto da colonização, os quais foram, inclusive, explorados como mão de obra.

A colonização é um processo no qual um território com alto poderio estabelece novos territórios

Existem vários tipos de colônias, algumas mais voltadas para a questão exploratória (Foto: depositphotos)

A dominação das populações no contexto das colonizações também ocorreu com base na “dominação” cultural, quando aspectos da cultura europeia foram introduzidos nos hábitos culturais dos indígenas, por exemplo.

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Tipos de colônias

Existem vários tipos de colônias, algumas das quais mais voltadas para a questão exploratória, outras para ocupação propriamente dita. Segundo o historiador Arnold Herrmann Ludwing Heeren (1760-1842) podem ser pensados em alguns modelos de colônias, sendo elas:

  • Colônia de povoamento: no escrito original, esse tipo de colônia é denominado de “colônia de agricultores”. Neste caso, os chamados colonos, ou habitantes das colônias, são os agricultores europeus e proprietários de terras. Com o trabalho destes sujeitos, há uma tendência de que esse tipo de colônia consiga sua independência em um momento posterior, podendo chegar a ser uma nação independente do país europeu que o colonizou.
  • Colônia de exploração: a ideia básica da constituição das colônias de exploração é a extração de recursos da natureza, ou seja, obtenção das matérias-primas necessárias para os processos produtivos desenvolvidos nos países europeus colonizadores. Os europeus não têm interesse em trabalhar diretamente na colônia, e a mão de obra escrava negra e indígena foi amplamente utilizada, principalmente no contexto de ocupação da América pelos europeus. Por ser um ambiente de exploração, esse tipo de colônia enfrenta maiores dificuldades para se tornar independente.
  • Colônia de mineração: esse tipo de colonização preza pela obtenção de recursos minerais, como a extração de metais preciosos. Os colonos advindos da Europa podem permanecer na colônia, ocupando-se de atividades mineradoras. Esse tipo de colônia acaba não surtindo um efeito de desenvolvimento, isso porque as atividades ficam muito restritas as questões minerais, deixando as demais atividades em planos secundários. As colônias espanholas na América entrariam neste quesito.
  • Colônia mercantil: esse tipo de colonização tem o interesse de comercialização dos produtos primários existentes na colônia. É parecido com a Colônia de exploração, no entanto, os recursos não são destinados ao país colonizador, para suprir suas carências de matéria-prima, sendo que na Colônia mercantil, os produtos são vendidos e o lucro é gerado neste sentido. Uma forma de atuação deste tipo de colonização, é a venda dos produtos como caça e artesanatos das populações que vivem nas terras da colônia.

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Colônia de povoamento

Segundo o economista Pierre Paul Leroy-Beaulieu, alguns requisitos prévios são necessários para a implantação de uma Colônia de povoamento, sendo eles:

  • As novas terras devem estar vazias ou pouco povoadas: isso decorre da necessidade, ou desejo, de uma intervenção sem se gerar graves conflitos com as populações já residentes. Quando mais organizado socialmente for um território, menor a probabilidade de êxito em caso de uma tentativa por parte de alguma outra nação em tornar esse território em uma colônia.
  • O clima da colônia deve ser semelhante ao da nação colonizadora: as questões climáticas são importantes por conta da escolha das técnicas de produção ou utilização das terras da colônia por parte dos colonizadores. É relevante ainda pela questão de adaptação dos colonizadores nas novas terras. Um exemplo disso é que os alemães se adaptaram muito bem nas terras da região Sul do Brasil, por considerarem o clima mais ameno o mais próximo daquele ao qual estavam adaptados na Europa.
  • A metrópole colonial deve ser mais povoada, o suficiente a ponto de ser capaz de ter emigrantes sem se abalar: no contexto da colonização é necessário que a População Economicamente Ativa (PEA) da nação colonizadora não seja profundamente impactada pela saída de um contingente populacional que irá ocupar a área colonizada. São necessárias pessoas que possam trabalhar e implantar técnicas de produção e organização do espaço na colônia, mas não pode haver uma fragilização da sociedade colonizadora. Algo similar ocorreu quando os alemães e italianos chegaram ao Brasil no século XIX, os quais vieram para trabalhar e tornarem-se proprietários de terras, pois na Alemanha e na Itália, estavam enfrentando desemprego e dificuldades para comprarem propriedades. No Brasil, implantaram técnicas agrícolas consideradas modernas ao contexto, e expandiram sua inserção no país. 

Características importantes para a colonização

As Colônias de povoamento foram estratégias comuns nas colônias da Inglaterra e da França, bem como na América do Norte e na Austrália. A ideia principal das colonizações era a fixação das populações advindas da Europa em terras das colônias, os quais buscavam se inserir naquele ambiente para prosperar através de atividades econômicas, usufruindo dos recursos naturais daquele ambiente.

Diferentemente da Colônia da exploração, os recursos naturais não são destinados ao país colonizador, mas são utilizados pelos europeus para sua própria ascensão econômica. A ideia é constituir um modo de vida muito similar com aquele que os colonizadores já tinham em seu local de origem, por isso as condições climáticas são elementos levados em consideração.

A produção, basicamente, se estabelece em pequenas propriedades, desenvolvendo atividades de policultura, ou seja, não há produção em larga escala de um único grão para exportação, como ocorre com a soja, mas são produzidos quase todos os subsídios alimentares necessários para a sobrevivência dos colonizadores.

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O modo de trabalho utilizado nas colônias é o emprego de força de trabalho familiar, podendo ser assalariado em momentos em que seja julgue necessário (colheita, plantação, etc.). Esse modelo se parece muito com aquele que ainda existe no Sul do Brasil, onde os “colonos” produzem em pequena escala os alimentos dos quais necessitam, e compram nos mercados apenas aquilo que não conseguem produzir. Esse modelo produtivo se torna cada vez mais raro diante da expansão dos latifúndios no país.

Referências

» MONASTERIO, Leonardo; EHRL, Philipp. Colônias de povoamento versus colônias de exploração: de Heeren a Acemoglu. IPEA. Brasília, 2015. Disponível em: < http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/5320/1/td_2119.pdf>. Acesso em 17 ago. 2017. 

Sobre o autor

Graduada em Geografia pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Especialista em Neuropedagogia pela Faculdade Alfa de Umuarama (FAU) e Mestre em Geografia (Unioeste)