Desmatamento no Brasil

Essa prática gera profundas consequências negativas tanto em âmbito social, quanto em relação ao ambiente físico

Um dos mais sérios problemas socioambientais brasileiros é o do desmatamento, o qual foi uma prática comum em vários momentos histórico do país, desde sua colonização, os processos de expansão ao Oeste do território nacional e para as áreas pouco habitadas, atividades madeireiras e, mais recentemente, com o crescimento da pecuária e a da agricultura mecanizada. O desmatamento gera um desequilíbrio nos ecossistemas, com a perda da biodiversidade de fauna e flora nos biomas brasileiros.

O que é desmatamento?

O desmatamento é também conhecimento como desflorestação ou desflorestamento, e consiste em uma prática de remoção das árvores e vegetação de um espaço florestal, promovendo a destruição intensiva de habitats florestais.

Esse processo tem sido uma prática comum em toda história do Brasil, quando já no contexto da colonização ibérica retiravam-se árvores para exploração da madeira, como é o caso do famoso Pau-Brasil. Durante os processos de ocupação do território brasileiro, as áreas florestais foram derrubadas para dar espaço às atividades econômicas mais importantes da época, como no caso da agricultura e da pecuária, bem como pelo próprio processo da industrialização.

As florestas, além de sua função de reguladoras do clima, ainda são o ambiente no qual vivem inúmeras espécies da flora e da fauna brasileira, as quais são profundamente afetadas quando há o desmatamento.

O desmatamento foi uma das formas utilizadas pelos produtores para geração de áreas de pastagens

Os locais onde hoje encontram-se as cidades, eram compostos por florestas (Foto: depositphotos)

Causas do desmatamento

Existem variadas causas para o desmatamento nos biomas florestais brasileiros, algumas delas são: 

  • Agropecuária: a pecuária é uma das principais atividades econômicas brasileiras no momento atual, sendo que no ano de 2014, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) o rebanho brasileiro contava com 212.343.932 animais, isso se falando apenas em bovinos. Estes animais precisam espaço para se desenvolver, e o desmatamento foi uma das formas utilizadas pelos produtores para geração de áreas de pastagens. Com isso, há uma redução em relação a vegetação florestal e de pastagem natural no país. O desmatamento também tem sido uma técnica usada para ampliação das áreas agricultáveis no Brasil, especialmente pela expansão dos latifúndios no país, com a concentração de terras nas mãos de poucos proprietários. 

Veja também: Criação do Google mostra como a Terra mudou entre 1984 e 2016

  • Expansão urbana: estima-se que cerca de 85% da população brasileira viva hoje em espaços urbanos no país. Nos locais onde hoje encontram-se as cidades, em momentos anteriores havia a presente de áreas florestais, as quais foram derrubadas para dar espaço aos imóveis urbanos. 
  • Construção de empreendimentos de energia: a construção de grandes usinas produtoras de energia é um dos principais elementos relacionados ao desmatamento, isso porque as usinas, principalmente hidrelétricas, demandam um grande espaço para sua implantação. Isso ocorreu tanto na construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu, como tem ocorrido na construção da Usina Hidrelétrica Belo Monte, quando a floresta deixa de existir e as grandiosas construções ocupam o espaço. Neste contexto, há sérios problemas envolvidos, com as expropriações das pessoas que viviam nestas áreas anteriormente, especialmente as populações tradicionais, bem como a perda da biodiversidade da região afetada.

Consequências do desmatamento

O desmatamento é uma prática que gera profundas consequências negativas tanto em âmbito social, quanto em relação ao ambiente físico. São alguns problemas relacionados ao desmatamento:

Perda de biodiversidade

Quando ocorre um processo de desmatamento, há um consequente desequilíbrio nos ecossistemas, afetando a reprodução e desenvolvimento de animais e plantas que tinham naquele ambiente desmatado o seu habitat. A introdução de plantas exóticas para reflorestamento, como no caso das florestas de eucaliptos, modifica as condições gerais no ambiente onde antes existia uma floresta original, já que as árvores de reflorestamento nem sempre são as mais adequadas para o local desmatado.

As florestas de eucalipto, por exemplo, são chamadas de “desertos verdes”, pois geralmente são plantadas para fins comerciais, no entanto, elas afastam animais que antes viviam nos espaços agora reflorestados, diminuindo muito a biodiversidade, o que ocorre também com as plantas, sendo que pouquíssimas conseguem se desenvolver nos solos com reflorestamento de eucaliptos.

Veja tambémVeja como está o aquecimento global atualmente e as áreas mais afetadas

A perda de biodiversidade nem sempre representa apenas um deslocamento dos animais para outras áreas, por exemplo, pois o desmatamento afeta áreas nos quais existem animais endêmicos também, e estes terão amplas dificuldades de sobreviverem em outros ambientes. A prática do desmatamento acaba por impulsionar a extinção de espécies da fauna e da flora brasileira. Estima-se que a maior parte das espécies da fauna brasileira estejam correndo risco de extinção por conta da perda dos habitats florestais.

Aumento das emissões de gases de efeito estufa

O desmatamento ocupa o primeiro lugar em relação ao aumento da emissão dos principais gases responsáveis pelo efeito estufa (gráfico abaixo). O agravamento do efeito estufa ocorre quando os gases poluentes ficam concentrados na atmosfera, não permitindo que o calor solar da superfície terrestre retorne à atmosfera, o que ocasiona um aquecimento do planeta. O desmatamento não é um processo isolado, mas está atrelado a uma mudança nos usos da terra, especialmente para implantação de agricultura em grande extensão, os chamados latifúndios, e a criação de gado também em extensão.

A criação de animais, principalmente gado, é uma das mais influentes práticas em relação a emissão de gases poluentes na atmosfera, já que durante a digestão, os animais produzem gás metano, um dos principais quanto ao efeito estufa. Assim, além do próprio desmatamento ser bastante prejudicial, o tipo de atividade que ocupa as áreas que antes eram de mata, agrava ainda mais o problema ambiental. 

Veja também: Agropecuária é responsável por quase 70% dos gases de efeito estufa

Diminuição de territórios de populações tradicionais

Os problemas relacionados ao desmatamento envolvem indiretamente as populações, mas envolvem também de forma direta, principalmente com a perda de territórios das populações tradicionais, como os indígenas. Com o desmatamento, essas populações são “obrigadas” a deixarem os territórios nos quais viveram suas vidas, sendo que em muitas ocasiões as terras destas populações tradicionais acabam sendo também utilizadas para agricultura e pecuária. Essas populações tradicionais são forçadas, por conta da redução de suas áreas territoriais, a buscarem um complemento para sua sobrevivência nas cidades, onde muitos acabam pedindo dinheiro nos semáforos, ou então vendendo alguma arte ou produto natural, como os chás.

Referências

» BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Desmatamento das florestas causa danos irreversíveis à vida. 2014. Disponível em: http://www.brasil.gov.br/meio-ambiente/2014/07/desmatamento-florestal-causa-danos-irreversiveis-a-vida. Acesso em 16 ago. 2017.

» BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Controle e Prevenção do Desmatamento. Disponível em: http://www.mma.gov.br/florestas/controle-e-preven%C3%A7%C3%A3o-do-desmatamento. Acesso em 16 ago. 2017.

» BRASIL. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE. Mudanças na cobertura e uso da terra do brasil 2000 – 2010 – 2012 – 2014. Rio de Janeiro, 2016. Disponível em: ftp://geoftp.ibge.gov.br/informacoes_ambientais/cobertura_e_uso_da_terra/mudancas/documentos/mudancas_de_cobertura_e_uso_da_terra_2000_2010_2012_2014.pdf. Acesso em 16 ago. 2017.

Sobre o autor

Graduada em Geografia pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Especialista em Neuropedagogia pela Faculdade Alfa de Umuarama (FAU) e Mestre em Geografia (Unioeste)