,

O Oriente Médio na prova do Enem: principais conflitos da atualidade

O Oriente Médio corresponde a região da Península Arábica, somados ao território do Iran, Iraque, Síria, Turquia, Jordânia e Israel.

Um dos assuntos mais recorrentes na prova de Geografia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é o Oriente Médio, sobretudo em relação aos conflitos existentes por lá. Para esclarecer um pouco mais sobre o tema, o professor Mateus Godoi, do canal do YouTube TV Poliedro, do sistema Poliedro de Educação, vai traçar um panorama que ajudará na sua preparação para o exame.

Para começo de conversa, é importante que você entenda que o Oriente Médio corresponde a região da Península Arábica, somados ao território do Iran, Iraque, Síria, Turquia, Jordânia e Israel. Ele é uma importante ligação entre o Continente Africano, Ásia e Europa. Essa região é conhecida por concentrar mais de 60% do petróleo do mundo, sendo foco intenso de tensões ético-religiosas.

Nessa mesma região a população é de maioria muçulmana, onde se sobressaem dois dos maiores grupos de atuação na atualidade, ambos braços do islamismo: Sunitas e Xiitas. Esses dois grupos são diferentes entre si, sobretudo em relação a ideologia, por isso que é cultivada uma rixa entre eles.

Os braços do islamismo

O Oriente Médio na prova do Enem: principais conflitos da atualidade

Foto: depositphotos

Sunitas

O nome Sunita vem a partir dos simpatizantes seguirem a Suna, que é o livro de ensinamentos e exemplos que Maomé deixou em vida. A maior parte dos muçulmanos do mundo são sunitas, acreditando que não há uma necessidade de o líder religioso muçulmano ser um descendente direto de Maomé.

Eles são considerados moderados, religiosamente falando, porém, a maior parte dos grupos conhecidos como terroristas pertencem a esse grupo, tais como: Boko Haram, AlQaeda, Estado Islâmico, entre outros. No mundo, existem cerca de três bilhões de muçulmanos, isso acaba facilitando a frequência de grupos que tem pensamentos contrários a ideologia religiosa.

Outro ponto relevante diz respeito as correntes conservadoras, como o wahabismo ou salafismo, que lutam por um retorno às formas e tradições muçulmanas do início do islã.

Xiitas

Os xiitas – que estão localizados majoritariamente no Iraque, Iêmen, sobretudo do Iran – acreditam que as ideologias religiosas estão baseadas na crença de que o líder do islã deve ser um descendente direto de Maomé. É de onde vem à denominação xiita, ou seguidores do primo de Maomé, no caso Ali Abu Talib.

Existe uma visão espelhada de que os Xiitas são mais intolerantes e conservadores, o que funciona mais como uma propaganda ocidental a partir de revolução que aconteceu no Iran, responsável por transformar o país em uma teocracia, do que o próprio fato. Entre eles, o grupo mais conhecido é o Hezbollah.

Conflitos internos

A partir desses dois braços do islã, existe um conflito interno entre a Arábia Saudita e o Iran. O primeiro país apresenta a maioria da população sunista, sendo extremamente radical sobre o islã, em contra partida, o Iran apresenta maioria xiita. Isso ocasiona uma série de conflitos direto ou indiretamente.

Israel e Palestina

O primeiro conflito, que se arrasta desde o final da Segunda Guerra Mundial, é entre Israel e Palestina, ou Israel e o próprio Oriente Médio. No ano de 1947, a União das Nações Unidas (ONU) divide a Palestina entre judeus e árabes, o que já vinha acontecendo desde o final do século XIX, com a compra de terrenos, ocupados de forma coletiva.

No ano de 1945, como forma de compensar os horrores do holocausto e dos milhões de mortos na Segunda Guerra Mundial, a ONU decide criar um território para os judeus, separando a Palestina em duas partes, onde a própria Palestina saiu em desvantagem em relação aos judeus. Foi no ano de 1947 que houve a separação dos dois territórios: Palestina e Israel. No ano seguinte, Israel declara sua independência, tornando-se Estado-Nação.

O mundo ocidental aceita a existência de Israel, o que contraria os árabes, que no momento vivia sob a sombra de criação de uma grande nação Árabe, sem que houvesse interferência do ocidente, justamente no momento em que ele auxilia a existência de Israel naquele território dentro do Oriente Médio.

As guerras que acontecem entre Israel, Síria, Egito e Cisjordânia são conflitos que já se arrastam há mais de 20 anos e ainda não foram solucionadas. O grande problema é que a divisão feita pela ONU. Com os passar dos anos e dos conflitos, Israel passou a aumentar o território, inclusive dificultando que a Palestina se torne uma nação independente.

Hoje, o território de Israel, onde estão localizados a Faixa de Gaza e a Cisjordânia passam por conflitos ainda não resolvidos, o que vem a se tornar a base de vários problemas envolvendo o Ocidente e o Oriente.

A Primavera Árabe

Esse é um conflito que tem como origem o norte da África, mas se estende até o Oriente Médio com desdobramentos muito importantes para entender o que está acontecendo na Síria.

A Primavera Árabe é um levante popular ocorrido em diversos países árabes da África e do Oriente Médio a partir do ano de 2010. O que motivou essa reação foi à crise de 2008, que acabou agravando as condições da população pobre desses países; corrupção governamental secular; sindicatos e organizações sociais entram em ação para produzir grandes greves gerais e falta de apoio dos governos ocidentais.

Quando os governos decidem por apoiar esse movimento, começam uma série de destituições de governantes, desde o norte da África até o próprio Oriente Médio.

A Síria e a Primavera Árabe

Antes de tudo, é importante deixar claro que a guerra na Síria é um desdobramento da Primavera Árabe. O governo do Bashar al Assad resiste violentamente ao movimento popular, colocando o exército na rua e reprimindo fortemente esse movimento. O Ocidente, que já havia tomado a decisão de apoiar a Primavera Árabe e os movimentos democráticos, começam a armar grupos rebeldes com interesse em derrubar o ditador Bashar Assad. Esses grupos são, na totalidade, sunitas, pelo fato do governo ditatorial não seguir as mesmas ideologias.

O resultado de toda essa guerra civil, que se arrasta por mais de quatro anos, já vitimou mais de 400 mil pessoas, que já resultou em mais de quatro milhões de refugiados, que estão seguindo para o continente europeu. A maioria desses refugiados estão saindo pela Turquia, Grécia e leste Europeu.

Outro problema que está ligado a guerra na Síria é o Estado Islâmico. Seu surgimento está diretamente relacionado com a Guerra do Iraque (2003 a 2010), que surgiu em resposta sunita a não participação no governo iraquiano pós guerra, gerando uma espécie de marginalização desse povo. O segundo motivo vem da própria guerra da Síria (2011 a 2014). Nela, os rebeldes sunitas lutam contra o governo Sírio de Bashar al Assad, onde dispõe do armamento do ocidente e países árabes aliados.

Hoje, Estados Unidos e Rússia estão bombardeando o território dominado pelo Estado Islâmico, na intenção de minar as forças, para que eles não tenha mais capacidade de ampliar seus territórios e atingir seus objetivos em relação a dominação territorial.

Assista ao vídeo da aula na íntegra aqui: