Ecossistemas brasileiros

Ao todo, são nove tipos de vegetação ao longo do território nacional

O Brasil é um país com proporções territoriais continentais, e em seu grande território existem vários tipos de conjuntos ambientais, os chamados ecossistemas. Como ecossistema entende-se um conjunto de seres vivos, animais e vegetais, que convivem em equilíbrio num dado ambiente físico. Os ecossistemas possuem como base para seu desenvolvimento as condições físicas do meio, como o relevo, o clima, a hidrografia, dentre outros.

Ecossistemas brasileiros

Floresta Amazônica

Também conhecida como Floresta Pluvial Equatorial, a Floresta Amazônica é a maior floresta tropical existente no mundo. No caso do Brasil, ela se estende por mais de 3,7 milhões de quilômetros quadrados, existindo em sua abrangência uma expressiva parcela constituída por unidades de conservação, ou seja, ambientes onde as atividades humanas são restritas, por conta dos riscos de degradação ambiental.

Houve uma intensa devastação da Floresta Amazônica, especialmente nos anos de 1970, quando houve uma expansão da ocupação humana em direção à região Norte do Brasil, quando ocorreu a construção de rodovias na região. Além disso, atividades como mineração, garimpos, expansão agrícola e exploração madeireira, também foram as responsáveis pela expansão humana em direção às áreas florestais.

A Floresta Amazônica é formada por três estratos vegetais, sendo eles uma área de igapó, a qual é constituída por um ambiente permanentemente alagado, onde a vegetação que se desenvolve é adaptada aos elevados índices de umidade, como a vitória-régia. Há também a várzea, a qual é uma região suscetível aos alagamentos, mas não fica permanentemente alagada. Neste local se desenvolvem plantas como a seringueira.

Os ambientes de terra firme são aqueles que nunca inundam, e onde se desenvolve a vegetação de maior porte, com árvores de grande dimensão, podendo chegar aos 60 metros de altura, como a castanheira.

A Floresta Amazônica é a maior floresta tropical existente no mundo

O rio Amazonas corta a floresta (Foto: depositphotos)

Mata Atlântica

A Floresta Pluvial Tropical, chamada de Mata Atlântica, é um bioma bastante devastado no território brasileiro. Esse tipo de mata ocupou originalmente extensões que iam desde o litoral do Rio Grande do Sul até o Rio Grande do Norte, adentrando o interior de alguns estados, como São Paulo e Minas Gerais.

A Mata Atlântica é uma das áreas de maior biodiversidade do mundo, mas também é uma das mais atingidas pela ação humana, especialmente por serem áreas amplamente habitadas pelos brasileiros.

Na Mata Atlântica há uma vasta diversidade de espécies vegetais e animais, com a predominância de florestas ombrófilas densas, abertas e mistas, e ainda florestas deciduais e semideciduais, bem como campos, mangues e ainda restingas. As condições vegetais apresentadas vão depender do local no qual a Mata Atlântica está abrangida.

A Mata Atlântica é um bioma bastante devastado no território brasileiro

Essas áreas são amplamente habitadas pelos brasileiros (Foto: depositphotos)

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Mata das Araucárias

A Mata das Araucárias é também chamada de Mata dos Pinhais, ou ainda, Floresta Pluvial Subtropical. Esse tipo de vegetação é comum nas regiões de clima subtropical, no Sul do Brasil e em algumas partes do Sudeste deste.

A espécie mais comum neste tipo de floresta é a Araucária Angustifolia, uma árvore conhecida por sua aparência curiosa, cuja copa parece um “guarda-chuva”. A Mata das Araucárias foi amplamente devastada por conta da extração de madeira, restando uma pequena parcela de uma condição original.

A espécie mais comum neste tipo de floresta é a Araucária Angustifolia

A Mata das Araucárias é também chamada de Mata dos Pinhais (Foto: depositphotos)

Mata dos Cocais

Esse tipo de vegetação é comum no estado do Maranhão, em uma área entre a Floresta Amazônica, o Cerrado e a Caatinga, sendo, portanto, uma zona de transição entre biomas. São comuns as palmeiras, com predominância do babaçu e, esporadicamente, da carnaúba.

A região foi bastante explorada para extração do óleo de babaçu e da cera de carnaúba, o que vem ocorrendo desde o período colonial. No contexto atual, a expansão das atividades agrícolas, especialmente pelas plantações de soja em grandes extensões, tem denegrido ainda mais a região da Mata dos Cocais.

A Mata dos Cocais é uma zona de transição entre biomas

Esse tipo de vegetação é comum no estado do Maranhão (Foto: depositphotos)

Caatinga

A Caatinga é uma vegetação adaptada ao clima semiárido, sendo comum sua existência no Nordeste brasileiro. A vegetação da Caatinga é formada por plantas xerófilas, arbustos caducifólios e espinhosos. Essas plantas possuem uma adaptação para reduzir o processo de evapotranspiração, com armazenamento de água em seus troncos ou folhas, o que favorece sua sobrevivência nos períodos mais secos.

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Quando há a incidência de chuvas, ainda que em níveis reduzidos, as folhagens ficam mais verdes, sendo que nos períodos de maior seca, a vegetação fica com coloração clara, o que denotou o nome de “Mata Branca” para a região de Caatinga.

A vegetação da Caatinga é formada por plantas xerófilas

A Caatinga é uma vegetação adaptada ao clima semiárido (Foto: depositphotos)

Cerrado

O Cerrado é um dos biomas mais devastados do território brasileiro, especialmente pela expansão das fronteiras agrícolas. A vegetação destas regiões é formada por árvores caducifólias, também chamadas de estacionais, arbustivas e com raízes profundas. As árvores do Cerrado possuem troncos retorcidos e a casca destas é bastante grossa, as quais são adaptadas ao clima da região, com chuvas abundantes no período do verão e invernos com pouca precipitação. Em algumas regiões, o Cerrado é caracterizado como “Cerradão”, quando por conta dos índices pluviométricos mais elevados, a vegetação se torna mais densa e expressiva.

No Cerrado a vegetação se torna mais densa e expressiva

As árvores do Cerrado possuem troncos retorcidos (Foto: depositphotos)

Pantanal

Esse tipo de ecossistema se estende no território brasileiro pelos estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, constituindo-se em uma extensa área de planícies sujeitas a inundações, ou seja, são ambientes com relevos planos nos quais há durante o ano ocasiões em que as terras ficam submersas ou semi-submersas. O Pantanal é um complexo que agrupa vários tipos de vegetação, bem como uma fauna rica em biodiversidade.

O Pantanal é um complexo que agrupa vários tipos de vegetação

Extensa área de planícies sujeitas a inundações (Foto: depositphotos)

Campos

Os campos são formações comuns na região Sul do Brasil, sendo os campos mais conhecidos aqueles que se localizam no Rio Grande do Sul, na área chamada de Campanha Gaúcha. São formações rasteiras ou herbáceas, dependendo do local em que se encontram. São regiões com solos rasos, amplamente utilizados para criação de gado em extensão e também para produção agrícola mecanizada, por serem terras relativamente planas.

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Sua vegetação é predominante de formações rasteiras ou herbáceas

Os campos são formações comuns na região Sul do Brasil (Foto: depositphotos)

Vegetação litorânea

São consideradas como vegetações litorâneas os manguezais e as restingas, sendo formações vegetais típicas do litoral brasileiro. A restinga é uma vegetação que se desenvolve nas áreas com areia, com a existência de arbustos e algumas árvores. Os manguezais são considerados como “nichos ecológicos”, pois é nestes ambientes em que acontece a reprodução de vários animais, como peixes, moluscos e ainda crustáceos.

São consideradas como vegetações litorâneas os manguezais e as restingas

A restinga é uma vegetação que se desenvolve nas áreas com areia (Foto: depositphotos)

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Os manguezais ocorrem em áreas alagadas, e as raízes das plantas podem ficar expostas durante as marés baixas, sendo que as plantas também são adaptadas para resistirem a água salgada do mar.

Referências

» MOREIRA, João Carlos; SENE, Eustáquio de. Geografia. São Paulo: Scipione, 2011.

» VESENTINI, José William. Geografia: o mundo em transição. São Paulo: Ática, 2011.

Sobre o autor

Graduada em Geografia pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Especialista em Neuropedagogia pela Faculdade Alfa de Umuarama (FAU) e Mestre em Geografia (Unioeste)