Biografia de Bolsonaro

Jair Messias Bolsonaro é um deputado federal que ficou conhecido pela atuação política baseada em opiniões polêmicas


Jair Messias Bolsonaro, ou simplesmente Bolsonaro, nasceu em Campinas, São Paulo, no dia 21 de março de 1955.

Filho de Perci Geraldo Bolsonaro e de Olinda Bonturi Bolsonaro. Cursou a Escola Preparatória de Cadetes do Exército e em seguida a Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), formando-se em 1977.

Sua carreira militar teve sequência com o ingresso na Brigada de Infantaria Paraquedista, no Rio de Janeiro, onde se especializou em paraquedismo.

Em 1986, servindo como capitão no 8º Grupo de Artilharia de Campanha, ganhou projeção nacional ao escrever artigo intitulado “O salário está baixo”. O texto foi publicado na seção Ponto de Vista da revista Veja.

Biografia de Bolsonaro

Foto: reprodução/site agenciabrasil

No texto, Bolsonaro apontou o desligamento de dezenas de cadetes da AMAN aos baixos salários pagos à categoria. O artigo gerou tanta polêmica que acabou resultando na prisão dele, por infringir o regulamento disciplinar do Exército.

Pouco tempo depois, a revista Veja trouxe uma reportagem com apresentação de um plano do então capitão Bolsonaro para explodir bombas em várias unidades da Vila Militar e em vários quartéis.

O plano atribuído a Bolsonaro e ao capitão Fábio Passos da Silva provocou reações imediatas do ministro do Exército. Convocados a se explicar, os acusados se eximiram de qualquer culpa. Em junho de 1988, levados a julgamento, o tribunal decidiu pelo não afastamento dos dois capitães dos quadros do Exército, considerando-os “vítimas de um processo viciado”.

Bolsonaro casou-se com Rogéria Nantes Nunes Braga Bolsonaro, vereadora no Rio de Janeiro, entre 1993 e 2001. Da união, nasceram três filhos. Dois deles seguiram carreira política: Flávio Bolsonaro, assumiu o mandato de deputado estadual, do Rio de Janeiro, em 2003, e Carlos Bolsonaro, o de vereador no município do Rio de Janeiro, em 2001.

Separou-se afirmando que Rogéria havia deixado de seguir suas orientações nas votações e retirou o apoio à ex-esposa.

Ingresso na política

Toda essa exposição na mídia contribuiu para que Bolsonaro fosse eleito para a Câmara Municipal do Rio de Janeiro em novembro de 1988, na legenda do Partido Democrata Cristão (PDC).

Porém, o mandato não chegou a ser cumprido até o fim, pois, no ano de 1990, Bolsonaro foi concorrer a uma vaga na Câmara Federal. Eleito no processo, Bolsonaro assumiu o cargo em janeiro de 1991.

Em abril de 1993, Bolsonaro foi um dos fundadores do Partido Progressista Reformador (PPR), nascido da fusão do PDC com o Partido Democrático Social (PDS). Ele não ficou longe dos holofotes por muito tempo. No mesmo ano, ele voltou a chamar a atenção a mídia quando defendeu o retorno do regime de exceção e o fechamento temporário do Congresso Nacional.

Sua justificativa dada em pronunciamento, acabou gerando inúmeros protestos, levando o corregedor do Congresso Nacional, deputado Vital Rego, a solicitar ao procurador-geral da República, Aristides Junqueira, o início de uma ação penal contra Bolsonaro por crime contra a segurança nacional. Contudo, o círculo militar se manifestou, condenando qualquer tentativa de punição a Bolsonaro.

Mesmo com toda essas polêmicas, Bolsonaro foi reeleito nas eleições de 1994, com quase 135 mil votos — mais do dobro da eleição anterior.

Em agosto de 1995, com a criação do Partido Progressista Brasileiro (PPB), resultado da fusão do PPR com o PP, Bolsonaro transferiu-se para a nova agremiação. Bolsonaro votou contra a emenda que estabeleceu o direito de reeleição para prefeitos, governadores de estado e presidente da República e foi um dos parlamentares que denunciaram na imprensa a compra de votos para a aprovação da emenda da reeleição.

Nas eleições de outubro de 1998 candidatou-se mais uma vez e foi reeleito com 102.893 votos. Porém, as polêmicas envolvendo Bolsonaro não cessaram.

Em dezembro de 1999, o político defendeu o fuzilamento do presidente Fernando Henrique Cardoso. Ele alegou que o fuzilamento era até “algo honroso para certas pessoas”. O líder do governo na Câmara, Artur Virgílio (PSDB), chegou a entrar com pedido de cassação de seu mandato, mas a proposta nunca chegou ao plenário da casa.

No início de 2000, Bolsonaro defendeu a pena de morte para qualquer crime premeditado e a tortura em casos de tráfico de drogas.

Nas eleições de 2002, candidatou-se pela quarta vez a deputado federal pelo Rio de Janeiro. Reeleito com 88.945 votos, assumiu seu novo mandato em fevereiro de 2003. No mesmo ano, Bolsonaro deixou o PPB para filiar-se ao PTB. No início de 2005, deixou o PTB e se filiou ao Partido da Frente Liberal (PFL). Em abril, deixou o PFL e foi para o Partido Progressista (PP), nova denominação do PPB, sua antiga legenda.

Durante a chamada crise do “mensalão”, Bolsonaro destacou-se pelos ataques ao PT e a políticos do partido envolvidos nos escândalos.

Nas eleições de 2006, foi reeleito para o quinto mandato consecutivo, com 99.700 votos. No mandato, o político se destacou na luta pela aprovação da PEC 300 e contra uma possível volta da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras).

Nas eleições de 2010, Jair Bolsonaro obteve cerca de 120 mil votos, sendo o décimo-primeiro deputado federal mais votado do estado do Rio de Janeiro.

Polêmicas

Pelo que já foi visto a respeito da atuação política de Bolsonaro, sua vida foi cercada de muitas polêmicas. Porém, nada se compara a sua opinião a respeito de alguns pontos que envolvem as bases da sociedade.

Bolsonaro é conhecido pelas alegações a respeito da ditadura militar brasileira. Segundo ele, o período teria sido uma época gloriosa da história do Brasil. Em uma carta publicada no jornal Folha de S.Paulo, Bolsonaro se refere ao período como “20 anos de ordem e progresso”. O político afirmou ainda, durante uma discussão com manifestantes em dezembro de 2008, que “o erro da ditadura foi torturar e não matar.”

Bolsonaro também foi acusado, em seus discursos, de fazer apologia ao crime de estupro e a desigualdade salarial entre homens e mulheres. Na justificativa ele alega que as mulheres engravidam e têm direito a licença-maternidade, o que prejudica a produtividade do empresário.

Porém, não é só entre as mulheres que o político apresenta opiniões polêmicas. O homossexualismo é outro tema atacado por Bolsonaro. Em uma entrevista para a revista Playboy, em junho de 2011, Bolsonaro afirmou que “seria incapaz de amar um filho homossexual” e que preferia que um filho seu “morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí”.

O parlamentar também defende que surras em filhos homossexuais seriam capazes de alterar a orientação sexual deles, ao dizer: “Se o filho começa a ficar assim, meio gayzinho, [ele] leva um couro e muda o comportamento dele”.

Em 17 de abril de 2016, Jair Bolsonaro parabenizou o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) pela forma como conduziu processo de impeachment da presidente e usou seu discurso de voto sobre o impedimento de Dilma Rousseff para homenagear Carlos Alberto Brilhante Ustra, o primeiro militar a ser reconhecido pela Justiça como um dos torturadores durante a ditadura militar e que teria torturado a então presidenta.


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