Biografias

A biografia (do grego antigo: βιογραφία, de βíος – bios = vida e γράφειν – gráphein = escrever) é um gênero literário em que o autor narra os principais fatos da história da vida de uma pessoa – geralmente pública e famosa – ou de várias pessoas, desde o seu nascimento, podendo remontar aos seus antecedentes familiares, com a apresentação de sua árvore genealógica, antepassados etc. A biografia de uma pessoa que já tenha falecido vai até o momento de sua morte e, nos outros casos, o autor decide até qual momento a narração se estenderá.

A biografia é narrativa e expositiva, sendo redigida na terceira pessoa (exceto quando se trata de uma autobiografia), e a sua base são os dados precisos, como datas, nomes e locais. A estrutura deste gênero inclui, basicamente, a introdução (apresentação da personagem), o desenvolvimento (narração dos acontecimentos da vida da pessoa em questão) e conclusão (parte mais subjetiva do texto, onde o caminho de vida da personagem pode ser avaliado).

No Antigo Oriente, as crônicas sobre os assírios e outros povos, assim como algumas inscrições em túmulos, continham algum elemento do gênero biográfico. O mesmo ocorria no Egito, onde se registravam vestígios biográficos sobre faraós, sacerdotes e outras personagens famosas. As fontes mais antigas da arte biográfica remontam aos relatos sobre episódios e acontecimentos comuns à vida dos patriarcas e reis de Israel, no Antigo Testamento, e dos heróis épicos das sagas germânicas, gregas e célticas.

No Período Clássico, aparecem os dois grandes biógrafos da civilização ocidental: Tácito e Plutarco.

De vita et moribus Julii Agricolae (“Agrícola”), de Tácito, é um elogio às virtudes de seu sogro e é frequentemente considerada a primeira biografia enquanto tal.

No período da Idade Média, o acervo biográfico é rico em vidas de santos, abades, heróis nacionais e senhores feudais.

Durante o Renascimento, foram criadas coleções biográficas nacionais e dicionários biográficos, tanto nacionais como universais.

O século XX fica marcado pela biografia romanceada, na qual o autor recria, de modo ficcional, os documentos coletados sobre a vida dos biografados.

Alguns biógrafos que se destacaram no decorrer da história são os seguintes: Plutarco com a sua obra Bíoi parálleloi; Tácito (De vita et moribus Julii Agricolae); Platão com “Apologia de Sócrates”; Xenofonte (“Memórias de Sócrates”); Aristóxeno de Tarento (considerado por alguns como o criador da biografia literária); Diógenes Laércio; Áccio; Cornélio Nepos; Suetônio; Francesco Petrarca; Giuseppe de Manso; Thomas More; John Aubrey; dentre muitos outros.